Na próxima 4ª, vai à vitrine o plano da casa barata
Roosewelt Pinheiro/ABrDepois de muito vaivém, o governo marcou para quarta-feira (25) da semana que vem o anuncio do seu Plano Habitacional.
A data foi confirmada pelo próprio Lula, em São Paulo. Falou num seminário realizado na sede da Fiesp.
Tinha ao seu lado a presidente da Argentina, Cristina Kirchner.
“Na quarta-feira, vamos anunciar um grande programa de habitação no Brasil para construir um milhão de casas...”
“...Esperamos ser um desafio extraordinário para a indústria da construção civil brasileira...”
Um setor “...que passou 50 anos reclamando. E agora vai ter 1 milhão de casas para serem construídas, casas para pessoas de zero a 10 salários mínimos”.
A coordenação do programa de casas foi confiada à ministra-candidata Dilma Rousseff. Nesta sexta (20), ela esmiuçou a novidade para um grupo de sindicalistas (foto).
À soleira do Planalto, os representantes de centrais sindicais relataram aos repórteres laivos do que a chefona da Casa Civil acabara de lhes dizer.
Contaram, por exemplo, qual deve ser o valor da prestação da casa que o governo pretende entregar aos brasileiros assentados na base da pirâmide social.
Para as famílias com renda de até três salários mínimos, a prestação deve ser de R$ 50. Para as que ganham entre três e seis mínimos, R$ 100. Entre seis e dez, R$ 150.
Prestações assim, tão miúdas, pressupõem a concessão de subsídio estatal. Coisa que custa dinheiro. Grana que a platéia ainda não sabe de onde virá.
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) apressou-se em dizer que o custo do pacote habitacional não consta da reprogramação de gastos que anunciara na véspera.
Menos de 24 horas depois de ter passado a faca em R$ 21,6 bilhões previstos no orçamento de 2009, Bernardo diz que terá de voltar à máquina de calcular:
“[O plano habitacional] vai ter impacto porque algumas despesas são em forma de subsídios para as famílias mais pobres para diminuir a prestação...”
Estão por vir “...também algumas diminuições de impostos. Isso também tem que entrar na nossa conta. O que não está feito ainda”.
De resto, na reunião com os sindicalistas, Dilma começou a tirar de cena um lero-lero marqueteiro que o governo levara ao palco há coisa de um mês.
Explicou que não há prazo para a construção de um milhão de casas. Antes, dizia-se que as residências estariam de pé num intervalo mágico de um ano. Agora...
Agora, diz-se que a coisa pode ser levada ao testamunto que Lula deixará para o sucessor.
“O horizonte é cumprir 1 milhão de casas, mas não necessariamente até 2010”, disse Antônio Neto, presidente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).
De concreto, por ora, apenas a certeza de que o plano das casas vai ao palanque de Dilma como cereja de um bolo em que o PAC faz as vezes de glacê.
Escrito por Josias de Souza às 17h59
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