Rosenana, Heráclito, o Senado e a ‘campanha injusta’
Fotos: FolhaSai semana, entra semana e o Senado continua pendurado nas manchetes. Em posição constrangedora.
Deve-se aos repórteres Eduardo Militão e Lúcio Lambranho a descoberta da penúltima suposta afronta à bolsa da Viúva.
Um grupo de amigos de Roseana Sarney (PMDB-MA), líder de Lula no Congresso e filha do presidente do Senado, teria voado nas asas do Senado.
A emissão dos bilhetes (São Luís-Brasília, ida e volta) foi feita, há duas semanas, pela agência de viagens Sphaera Turismo. Atende ao Senado desde 2005.
Instado a comentar o caso, Heráclito Fortes (DEM-PI) –primeiro-secretário do Senado, responsável pelo orçamento da Casa- minimizou a encrenca:
"Cada senador tem o seu critério, essas cotas [quatro passagens por mês para cada senador] são individuais...”
“...Viaja senador, familiar do senador. Não tem nenhuma regra proibitiva. Desde que eu acho que seja conveniente para mim, eu posso dar [a passagem]".
O diabo é que, em última análise, quem “dá” a passagem não é o senador. A gentileza é feita com o chapéu do contribuinte -a contragosto e à revelia dele.
A lista de amigos e parentes de Roseana que teriam se servido do “Aero-Senado” anota sete nomes.
Heráclito diz que "tem pelo menos dois nomes que não estavam entre os que receberam passagem". Roseana diz que ninguém voou às custas do Senado.
Uma boa apuração talvez acomodasse tudo em pratos asseados. Mas Heráclito acha que não há o que investigar.
O senador mostrou-se irritado com a onda de denúncias que engolfa o Senado.
"Eu acho que tem que fechar o Congresso. Essa campanha não está sendo justa. Cadê as ONGs e as irregularidades do Poder Executivo?"
Mais cedo, Heráclito vira-se compelido a mandar instalar uma comissão de sindicância para investigar a denúncia da véspera. Saíra nas páginas de “O Globo”.
O diário informara que cerca de 90% dos terceirizados contratados pelo Senado por meio de empresas privadas são parentes de senadores ou de funcionários da Casa.
Também nesta segunda (16), O Senado anunciou a edição de uma resolução que vai alterar a sistemática de pagamento de horas extras.
A Folha informara, há duas semanas, que o Senado torrara em janeiro, mês em que os senadores estavam em férias, R$ 6,2 milhões em horas extras.
Aparentemente, o noticiário acerbo -“campanha” injusta, no dizer de Heráclito- está servindo para alguma coisa.
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