quarta-feira, 18 de março de 2009

Setor vê com ceticismo meta de contratação de 1 milhão de casas

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Com a falta de definição para o pacote habitacional e os nós que cercam a construção civil, o setor mostra ceticismo em relação ao objetivo do governo de contratar 1 milhão de moradias até o ano que vem.
Para o diretor de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, não adianta querer "sair construindo casas" sem um projeto mais elaborado que envolva desde planejamento urbano e condições de infraestrutura e transporte até mais recursos para as prefeituras poderem agilizar licenciamentos e para a rede de cartórios se reestruturar.
"A dificuldade está em juntar todos os fatores necessários", afirma Zaidan.
Há também problemas de curto prazo. O déficit habitacional concentra-se nas regiões metropolitanas e arredores, onde os terrenos são escassos. E os que estão disponíveis não raro apresentam problemas de licenciamento, explica o diretor do SindusCon-SP. "A oferta deve caminhar de acordo com a demanda."
"A roda começa a girar lentamente. Não se põe o trem para girar a 200 km/h instantaneamente. Mesmo se o programa estivesse redondo hoje, leva ao menos seis meses para trazer resultados, porque o setor de construção funciona mesmo no longo prazo."

Grande salto
De acordo com o vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, o governo objetiva um salto muito grande com o pacote. "No ano passado, a Caixa Econômica Federal financiou 112 mil novas residências. Como vai passar para 500 mil em apenas um ano?", questiona.
Martins concorda com o diretor do SindusCon-SP no que diz respeito à importância de um projeto de longo prazo. "Para ter um efeito imediato, é preciso garantir que o setor se sustente a longo prazo."
O presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação), João Crestana, diz que a meta de 1 milhão de casas até 2010 é "agressiva". "Até porque vai levar mais alguns meses para esse pacote ser estruturado."
(PAULO DE ARAUJO)

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