quarta-feira, 11 de março de 2009

Sob pressão, Copom anuncia nesta 4ª nova queda na Selic

Queda do PIB expõe erro do BC na gestão dos juros

Sob pressão, Copom anuncia nesta 4ª nova queda na Selic

Lula Marques/Folha

Iniciada nos EUA, a crise financeira ganhou contornos globais em setembro de 2008. Desde então, o Banco Central reduziu a taxa de juros em um ponto percentual.

A Selic passou de 13,75% para os atuais 12,75%. O corte foi feito em 21 de janeiro de 2009, quatro meses depois da eclosão do fenômeno que Lula batizaria de “marolinha”.

Agora, dissemina-se no governo a avaliação de que o BC errou. Avalia-se no Planalto e na Fazenda que os juros deveriam ter sido passados na faca já em dezembro de 2008.

Naquele mês, o Copom realizara a última reunião de 2008. Um encontro no qual Henrique Meirelles e sua equipe optaram por manter inalterada a taxa Selic.

A impresão de que o BC cometeu o pecado do excesso de conservadorismo foi tonificada pela divulgação dos números do PIB.

Foram trazidos à luz pelo IBGE, nesta terça (10), dados que jogaram na cara do governo uma queda de 3,6% no crescimento da economia no último trimestre de 2008.

Ou seja, no instante em que o Copom decidira manter os juros, em dezembro, já fervilhavam nos computadores do IBGE os números acerbos.

Assediado por uma pressão que nasce no mercado e ecoa nos gabinetes de Brasília, o Copom encerra nesta quarta (11) uma reunião iniciada na véspera.

Dá-se como certo, muito certo, certíssimo que uma nova poda nos juros será anunciada no início da noite. O que se discute é o tamanho do talho.

Antes da novidade azeda pendurada nas manchetes pelo IBGE, trabalhava-se com um corte de um ponto percentual. A Selic iria de 12,75% para 11,75%.

Agora, mesmo no interior do governo, acalenta-se a expectativa de que o BC surpreenda o país com um corte mais profundo. Nada menor do que 1,5 ponto percentual.

Nesta terça (10), depois que o IBGE trovejou seus números sobre Brasília, os céus despejaram sobre o centro da Capital uma tempestade.

A chuva desceu impetuosa, torrencial. Formou-se sobre o edifício sede do BC um halo de nuvens escuras (veja a foto do repórter Lula Marques lá no alto).

Em nota, Henrique Meirelles fez um par de comentários sobre o PIB dos três últimos meses de 2008.

Um realista: “O resultado do PIB do quarto trimestre [...] mostrou que a economia brasileira não está imune à crise no mercado globalizado”.

Outro otimista: “Apesar da queda do último trimestre, fortemente influenciada por ajuste de estoques em alguns setores, o crescimento do PIB de 5,1% em 2008, impulsionado pela demanda doméstica e crescimento da renda...”

“...Mostra que economia brasileira tem fundamentos econômicos sólidos. Isto ajudará na retomada, fazendo com que o Brasil tenha condições de sair mais rapidamente da crise”.

Lula e a equipe da Fazenda acham que a saída será tanto mais rápida quanto maior for a sensibilidade de Meirelles e da equipe dele na administração dos cortes na Selic.

Em dezembro, quando decidiu manter a faca na gaveta, o BC projetava o PIB de 2009 em 3,2%. Abaixo dos fantasiosos 4% estimados por Mantega. Mas ainda irreais.

Depois do IBGE, o mercado, que trabalhava com um PIB de até 2,5% para 2009, passou a projetar um crescimento entre zero e 1%.

Se os pessimistas estiverem certos, uma decisão enviesada do BC pode contribuir para empurrar a economia do país para um crescimento negativo.

A decisão a ser anunciada nesta quarta (11) pelo Copom vai mostrar até que ponto o BC está disposto a pagar esse preço.

Escrito por Josias de Souza às 04h16

Nenhum comentário: