Cidade Biz - Economia, Marketing e Negócios - Sinais de que a indústria passou o pior implicam ao governo tomar ações para reforçar a virada: "Sinais de que a indústria passou o pior implicam ao governo tomar ações para reforçar a virada
Iedi propõe estender redução de impostos a máquinas e equipamentos e depreciação acelerada até 2010
Antonio Machado
Ainda há muita pedra a levar morro acima para se dar como acabada a maior crise econômica do mundo desde o pós-guerra, embora surjam indícios tímidos de que esteja batendo no fundo do poço nos EUA, o epicentro da borrasca. No Brasil, tais evidências são mais claras.
O problema é a percepção. Ou da métrica que se tome. Medida contra dezembro, o ápice da parada abrupta do crédito no Brasil depois da quebra do Lehman Brothers em 15 de setembro, a produção industrial já está refazendo o caminho de volta. Entre dezembro e fevereiro, o aumento acumula 4%.
Contra fevereiro de 2008, porém, a queda vai a 17%. Enquanto não terminar o processo de desova de estoques, que está quase concluído apenas no setor automobilístico, mas ainda é preocupante na indústria de transformação, a retomada da produção não ganha pique e, sem um claro arranque, o senso é de mais crise.
Dois fatores jogam contra a melhora do, digamos, psicossocial dos brasileiros. O primeiro é o pé atrás do empresariado envolvido com projetos de expansão: muitos suspenderam ou adiaram investimentos, devido à visão ainda embaçada sobre o alcance da crise lá fora.
Exportações estão nas simulações de receita de praticamente todo projeto analisado pelo BNDES. Não são determinantes. Atribui-se ao canal externo de 20% a 30% do aumento projetado de produção. Mas, com a perspectiva de mercado interno também enfraquecido por mais um ano, pelo menos, qualquer fração exportada faz falta.
A parada do investimento deprime a economia duplamente: atinge o setor de bens de capital, sinônimo de crescimento da produção e da produtividade, e abate o nível de emprego. Se o melhor a cogitar é a volta à normalidade, seguida de continuidade da atividade, não há razão para ampliar o emprego. O segmento de bens de capital foi o principal responsável pela frustração da retomada em fevereiro. Sua produção recuou 6,3% sobre janeiro, quando crescera 4,9%.
O segundo fator a atrasar o consenso de que o pior começa a ficar para trás é o baixo empenho do governo em afinar as expectativas - situação complicada pela reduzida credibilidade dos porta-vozes da área econômica e ampliada pela confusão criada pela antecipação da campanha eleitoral à sucessão de Lula em 2010.
Ao lado dos índices ruins da produção e emprego, soa falso o discurso de que o pior já está passando. Talvez seja a explicação para o contraste entre tal percepção e as altas taxas de popularidade de Lula e aprovação do governo, embora começando a cair, segundo as últimas sondagens.
Falta de timoneiros
A interlocução também é prejudicada pelo juízo do empresariado em relação aos dois principais personagens da política econômica. Um deles, com raras exceções, é visto com antipatia: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele se ressente da decisão de manter por tempo demais a política de juro muito acima da inflação que pretendia combater.
O outro é considerado mais torcedor que formulador macroeconômico, além de submisso demais às pressões de Lula: o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele cresce aos olhos dos empresários quando desanca Meirelles na questão dos juros. Mas os seus prognósticos não mexem com o ânimo do empresariado.
Vencido pela altura
Esse meio de campo da economia mistura frustração, medo e alguma dose de lobby empresarial, para tentar sensibilizar o governo e beliscar facilidades. Em nota distribuída em contraponto à análise do IBGE, segundo a qual a produção apresenta sinais de melhora, a Federação das Indústrias de São Paulo, Fiesp, destaca a comparação de hoje com o que passou, não com o que está vindo.
Para que a produção ficasse estagnada, “sem nenhum aumento sobre 2008”, diz, o crescimento médio teria de ser de 3% ao mês de março a dezembro, “desempenho nunca antes registrado na série histórica do índice”, segundo a nota. Exagerar a altura desanima a escalada.
Discurso apropriado
Se tal é o quadro, ações contracíclicas parecem impotentes. Não há o que fazer. Qualquer esforço seria jogar dinheiro fora. Mas há melhoras, que podem ser ampliadas com políticas pontuais.
Estoques estão cadentes. Depois de três leituras negativas, ficou positiva a taxa mensal de empresas que esperam elevar a produção nos três meses à frente. O valor de exportações e importações em março teve a primeira variação mensal positiva depois de cinco meses seguidos em queda.
Com menos juros e impostos sobre a produção, a tendência de retomada será reforçada. Um discurso assim faz mais sentido.
Idéias da indústria
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defende encurtar o tempo entre as reuniões do BC, para apressar a queda da Selic, e a redução do IOF. “Essas providências trariam mais investimentos na produção”, acredita. É improvável.
No cardápio do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Iedi, há coisas mais substantivas como estender a redução de impostos dada a carros, motos e materiais de construção também a máquinas e equipamentos, miolo do investimento industrial, e mais o benefício da depreciação acelerada até 2010.
Na área do crédito, liberar compulsórios à banca, condicionando-os à sua aplicação por prazo dilatado. Dá trabalho, mas fu"
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