"Imagens e números
BRASÍLIA - Então Lula sentou-se ao lado da rainha da Inglaterra na foto oficial. Foi chamado de 'meu chapa' por Barack Obama. Na mesma reunião do G20, em Londres, muitas promessas e cifras trilionárias para tentar reanimar a combalida economia -US$ 1,1 trilhão. As imagens do encontro e as ideias produzidas para consumo da mídia são um caso clássico em que uma mão lava a outra. Lula serve aos ricos e os ricos servem a Lula.
A enrascada dos países desenvolvidos por causa da crise econômica internacional exige um discurso de mudança de rumo. Uma sinalização de um controle diferenciado no planeta a partir de agora. Acrescente a esse cenário o histórico complexo de culpa de europeus e de alguns norte-americanos por causa da assimetria existente entre os países do norte e do sul. Pronto, aí está a combinação perfeita para colocar um pobre (Lula) ao lado de uma nobre (a rainha). Imagem é tudo e muito mais.
Os governantes de países ricos sabem ser necessário prestar contas aos seus eleitorados. Nada melhor do que ficar ao lado de alguém como Lula, um ex-metalúrgico, ex-líder sindical e agora presidente de um país como o Brasil, em geral visto com simpatia mundo afora. Sentado sorridente na foto oficial, Lula se presta a ajudar a lustrar a imagem dos ricos. Sua contrapartida é óbvia. Não é todo dia -aliás, não é mesmo- que um presidente brasileiro é tão bem tratado nesses fóruns externos. O petista reforça no imaginário da companheirada a percepção de que o Brasil está certo. A culpa é dos ricos. Tudo ótimo no campo da política.
Se haverá efeitos práticos para debelar a crise ninguém sabe. Para alguns é o menos relevante. No caso de Lula, o vital é manter a sua popularidade imune durante a turbulência. As viagens internacionais e as fotos com a rainha e Obama servem a esse propósito.
frodriguesbsb@uol.com.br"
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