domingo, 12 de abril de 2009

Indústrias lutam para driblar as turbulências


A indústria têxtil do Rio Grande do Norte está ‘‘tecendo’’ saídas para se livrar ou amenizar os efeitos da crise econômica mundial, que tem reduzido as encomendas e a rentabilidade, mas ainda não atingiu o nível de emprego, segundo o presidente do Sindicato que representa o setor no estado, João Lima.

Ele diz que no caso da Coteminas, empresa que dirige no RN, estão sendo adotadas estratégias para aumentar a participação das vendas para grandes clientes e para os pequenos, onde a penetração ainda era baixa. A indústria também tem lançado novos produtos para diversificar a oferta na linha de lençóis, por exemplo. ‘‘Estamos enfrentando a crise com muito trabalho e com muita criatividade’’, garante ele, evitando falar em números.

Na Vicunha Têxtil, que emprega 2 mil pessoas e produz, por ano, no Rio Grande do Norte, 48 milhões de metros de tecidos, entre índigos - usados para produção de jeans - e brins, a redução das encomendas é percebida desde o final do ano passado. Tudo por conta da crise.

‘‘Não é possível estimar quanto perdemos, mas posso dizer que ainda estamos correndo atrás do prejuízo’’, diz o diretor institucional para o Nordeste da companhia, Martiniano Martins Dias, acrescentando, entretanto, que só as vendas de índigo caíram cerca de 15%. As de brim estão, por sua vez, 30% abaixo das que foram realizadas no mesmo período de 2008.Cerca de 70% da produção da Vicunha, no RN, é vendida para indústrias de confecções do Sudeste brasileiro. O restante segue para países como Argentina, Espanha, Itália e Turquia.

Sem citar números, Dias observa que os preços tiveram que ser reduzidos, o que levou a companhia a canalizar seus esforços para onde tem mais rentabilidade e incentivos, o que, no Brasil, ocorre nas três fábricas mantidas no Ceará. O estado responde por 55% do faturamento da empresa, onde 7 mil empregos são gerados. Esse batalhão de gente dá conta da produção anual de 100 milhões de metros de índigo e de 10 toneladas de malhas/ano.

Para produzir em território cearense, a Vicunha e outras indústrias têxteis contam com incentivos fiscais, com desconto de até 99% no valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. No RN, através do Proadi, a empresa pode receber até 75% de incentivo sobre o imposto. ‘‘O Ceará está mais agressivo na concessão desse tipo de incentivo, o que, neste momento de crise, ajudou a amenizar os efeitos que sentimos na indústria’’, continua ele, estimando que a partir do segundo semestre haverá, no entanto, recuperação da economia.

João Lima, da Coteminas, aposta no crescimento do mercado interno e que as vendas para o exterior não seguirão, porém, o mesmo caminho. ‘‘O momento é de apostar no Brasil, é de apostar que a nossa indústria é competitiva e de seguir em frente’’, frisa ele, também presidente do Sindicato que representa o setor.

Inovação é saída para o momento

A crise financeira internacional parece mesmo não ter mexido com o otimismo da indústria têxtil e de confecção brasileira. Segundo pesquisa realizada pela Abit em novembro do ano passado e em março deste ano, 85% dos empresários do segmento estão lançando novos produtos para enfrentar o momento de incertezas. A resposta é exatamente o contrário do que os industriais costumavam dizer em pesquisas feitas durante crises anteriores. ‘‘Eles sempre respondiam que iriam reduzir a jornada de trabalho, demitir pessoas ou segurar a produção, mas agora a resposta foi muito diferente dos anos anteriores. A saída agora é a inovação’’, aconselha o diretor executivo do Programa TexBrasil da Abit, Rafael Cervone, que esteve em Natal esta semana para ministrar uma palestra sobre o projeto.

A aposta de Cervone também atinge o setor tecnológico. Segundo ele, a Abit está fazendo um trabalho forte de transferência de tecnologia dos maiores centros de inovação tecnológica do mundo para agregar valor aos produtos têxteis brasileiros, o que deverá contribuir de forma significativa para o crescimento do setor em 2009. ‘‘Acredito que usando a inovação tecnológica e acreditando no mercado interno, o setor potiguar irá crescer este ano’’, projeta.

Avaliando mais profundamente a crise, o especialista defende que o setor têxtil e de confecção não sentiu os efeitos mais fortes do fenômeno. Mas a escassez de crédito, confessa, ainda é um grande problema. ‘‘Em setembro o crédito sumiu. Agora ele voltou, mas está muito mais seletivo e caro’’, atesta, emendando que o poder de recuperação que possui é outro aliado do segmento para superar a instabilidade econômica atual.

‘‘A falta de crédito e o câmbio prejudicaram nossas exportações e houve uma parada técnica preventiva nos meses de outubro, novembro e dezembro. Agora o setor já viu que o potencial do ano é razoavelmente bom, principalmente se aproveitar as inovações tecnológicas’’, acredita. Na opinião de Cervone, o setor passa por um momento de estabilidade, que será seguido de crescimento a partir do segundo semestre.

Saiba Mais

Rafael Cervone veio a Natal apresentar o Programa TexBrasil, maior projeto da Agência Brasileira de Promoção da Exportação de Investimentos (Apex), que foi iniciado em 2001 em parceria com a Abit com o objetivo de promover as exportações brasileiras. Este ano e no próximo o programa tem como meta promover 64 feiras internacionais e 61 nacionais voltadas para o incentivo ao processo exportador. No Rio Grande do Norte, o programa será inserido por meio de parcerias com o Sebrae-RN, Senai-RN e empresas do ramo, no intuito de elaborar um plano estratégico para o estado onde as empresas vão poder participar de eventos internacionais e se inserir no mercado estrangeiro.

renata moura
da equipe de o Poti

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