quarta-feira, 17 de junho de 2009

Arranjos produtivos, ferramenta para o desenvolvimento local

Por Fabrício Ângelo, da Envolverde

O objetivo de Arranjos Produtivos Locais (APL) é servir como instrumento para a geração de pólos de crescimento descentralizados buscando a geração de emprego e renda.

Segundo Leontien Plugge, gerente sênior de relacionamentos em rede do Global Reporting Initiative (GRI), o grande desafio dos APL´s é descobrir como produzir com sustentabilidade, pois a maioria dos pequenos empresários entende que isso pode gerar perdas financeiras. “É para isso que criamos as diretrizes de sustentabilidade empresarial: para fazer com que esse pequenos empresários compreendam que praticar a responsabilidade social pode seu muito rentosa.”

De acordo com Plugge, uma mudança estrutural está em andamento. “As companhias estão mais focadas na transparência de suas ações, pois a sociedade está de olho. E isso é a base inicial de uma economia sustentável”, disse. Segundo ele, os pequenos empresários ainda acham que apenas as grandes indústrias são prejudicadas pelos impactos ambientais. “É preciso fazê-los entender que também sofrem as consequencias, inclusive financeiras. Se querem crescer, precisam começar a agir socialmente e ambientalmente.”

A Global Reporting Initiative (GRI) é uma rede internacional que elaborou o modelo para relatórios de sustentabilidade mais usado no mundo atualmente. E é esse modelo que está sendo implantado nas pequenas e microempresas do mundo. “O relatório é a melhor forma de ensinar às APL´s o que é sustentabilidade e porque é tão importante. Já temos diversas parceiras em países como o Chile, África do Sul e Índia, eles têm usado seus relatórios para melhorar sua imagem e também aumentar sua produtividade.”

Plugge deu como exemplo a união, em clusters, de várias vinícolas chilenas para a criação de vagas regionais de mão de obra e financiamento. “Os produtores tem interesse na mudança, só precisam de alguém que os guie. Precisamos mostrar que a sensibilização sobre a responsabilidade social tem de vir desde os produtores de insumos até as indústrias fabricantes do produto final. Mas isso só será possível se mostrarmos a eles que existem vantagens competitivas, criarmos lideranças empresariais e melhorarmos o relacionamento entre consumidor e empresários”, enfatizou.

Para o professor Ladislau Dowbor, professor titular da PUC-SP, estamos na revolução da conectividade onde pequenos e médios empresários tem a oportunidade de interagir com mercados do mundo todo. “Hoje um piscicultor de várias cidades do interior do Brasil pode vender seu produto para uma empresa japonesa ou alemã sem precisar de intermediário, apenas usando a internet e isso era impossível há dez anos, o que é uma mudança radical no comportamento da escala de mercado”, falou.

O professor da PUC citou que em um país como o Brasil, que possui mais de 60% da população ativa em empregos informais, os arranjos produtivos locais podem ser a solução tanto para a sociedade quanto para o poder público. “Hoje o financiamento público é feito por meio de secretarias estaduais e isso torna o sistema mais complexo e setorizado.” Na opinião de Dowbor, é importante que os APL´s se articulem localmente. “É preciso criar um sistema informatizado de informação entre os produtores da mesma região, o que facilitaria a questão logística e ajudaria a impulsionar as políticas públicas dirigidas ao município”, analisou.

Talia Aharoni, fundadora e presidente da Maala – Negócios para a Responsabilidade Social em Israel falou sobre os kibuts, um projeto que começou com a intenção de implantar uma ideologia de vida e de ocupação hoje está mais no plano filantrópico. De acordo com Talia, “o que era antes uma forma de exploração e modelo de cooperação econômica serve, hoje, como uma fonte de sobrevivência para os milhares de imigrantes que chegam ao território e vivem a margem da sociedade”. Há 50 anos, os kibuts eram colônias agrícolas que geravam renda e criavam cidades em Israel. “Hoje ele não existem mais, o que temos são pequenas cooperativas que aproveitam as habilidades de povos imigrantes para ajudá-los a sobreviver, a exemplo do que acontece com um grupo de mulheres beduína, que produz roupas. Por meio de investimento privado de ONGs conseguimos financiar equipamentos e ajudamos a vender seus produtos”, falou.

A presidente da Maala ressaltou que infelizmente a maioria dessas cooperativas não sobrevive mais do que cinco anos. “Trabalhamos com conceitos de igualdade, cooperação e capacitação, num trabalho árduo mas de bons resultados”, concluiu. (Envolverde)


(Agência Envolverde)



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