Fortes afirmou, em entrevista à rádio CBN, que o governo buscará alternativas para minimizar os atrasos nos projetos. “Se por acaso atrasar um pouquinho em algum estado, isso será recuperado mais adiante, na própria execução”, garantiu o ministro. “Temos margem em todos os projetos para que eles sejam concluídos conforme anunciou a ministra Dilma Rousseff. Grande parte deles até setembro de 2010 e outros até dezembro daquele ano”, afirmou. Márcio Fortes não detalhou em números o prejuízo causado pela greve.
Pelos cálculos da Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa (Aneac), o banco tem sob gestão R$ 120 bilhões dos projetos incluídos no PAC, entre eles de saneamento e outras obras de infraestrutura. A CEF possui hoje cerca de 1.300 engenheiros e arquitetos para atender a toda a demanda de projetos, inclusive os da área habitacional normal que não estão no programa "Minha Casa, Minha Vida". A Aneac estima que cada profissional, em média, acompanha e fiscaliza cerca de R$ 60 milhões em projetos.
Para Carlos Humberto Maciel, engenheiro civil do banco e integrante da diretoria da Aneac, estes profissionais são responsáveis pelas análises de engenharia, de avaliação, pelo acompanhamento de empreendimentos e pela assistência técnica aos municípios e entidades sociais, dentre outras atividades. "São atividades fundamentais para a execução de programas com o Fundo Nacional de Habilitação de Interesse Social e o PAC", defende Maciel. O engenheiro também lamenta a falta de acordo, pois isso implica em perda para os dois lados. "Isto gera atraso no andamento dos trabalhos realizados pela Caixa, sem contar a desmotivação do quadro em relação à insensibilidade da empresa em valorizar profissionais que são fundamentais para que obras como as do PAC evoluam", afirma.
Maciel, que acompanha de perto a mobilização grevista, garante que a adesão à greve já atingiu 90% do quadro de servidores de nível superior ou 75%, se considerado todo o quadro de profissionais (engenheiros, arquitetos, advogados, entre outros) da Caixa. A assessoria da CEF, no entanto, afirma que a adesão à greve foi de apenas 32% dos profissionais do banco, percentual que inclui engenheiros, advogados, médicos, dentistas, psicólogos e arquitetos. Além disso a CEF argumenta que “até o momento, o movimento grevista não impactou nas operações do PAC, por conta do atendimento em regime de contingência prestado pelas unidades da CEF”.
Cerca de 2.400 servidores do banco, entre eles engenheiros e arquitetos responsáveis pela aprovação de projetos do governo federal, reivindicam a unificação das carreiras de nível superior do banco com as de outros órgãos públicos, como a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União. O atendimento ao público nas agências da CEF não foi prejudicado desde o início da greve.
O processo com a reivindicação dos servidores está no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a expectativa dos grevistas é que a paralisação dure, pelo menos, mais duas semanas. O motivo da paralisação é o não cumprimento de uma cláusula do acordo coletivo de trabalho de 2008 que se comprometia a valorizar os profissionais conforme pesquisa de mercado. A proposta apresentada até agora pela empresa foi rejeitada por não atender as condições da cláusula do acordo e, além disto, criar novas distorções salariais entre os profissionais. Nova reunião entre CEF e entidades representativas dos empregados acontece hoje.
Milton Júnior
Do Contas Abertas
Nenhum comentário:
Postar um comentário