sábado, 25 de julho de 2009

Petrobras estuda se entrará na disputa para comprar a argentina YPF

Negócio avaliado em US$ 17 bilhões é a chance de a estatal crescer no âmbito do Mercosul

24.07.2009 - 15:28

Enquanto os holofotes se voltam para o pré-sal, a Petrobras vive seus dias de "pré-Repsol". Nas entranhas da estatal, discute-se a participação ou não da companhia na disputa pelos ativos da YPF na Argentina. No que depender da disposição da diretoria, a tendência é que a empresa entre no páreo. O alto comando da Petrobras enxerga fortes motivações geoeconômicas na operação.

Além de ampliar sua presença no mercado latino-americano, em linha com o seu plano estratégico, a estatal poderá barrar o ingresso de novos players na região – um deles é a China National Petroleum Corp., tida como forte candidata à compra da YPF. A aquisição é vista também como uma forma de melhorar substancialmente a performance da subsidiária portenha, a Petrobras Energia. Nos últimos meses, a companhia vem perdendo market share em diversos segmentos, sobretudo para a própria Repsol YPF.

As maiores quedas ocorreram nas vendas de diesel e de gasolina. No primeiro trimestre do ano, a Petrobras Energia amargou uma queda de receita da ordem de 17%. A direção da Petrobras vê ainda uma janela de oportunidade na operação. A relação de câmbio favorece o investimento.

Além disso, a YPF é um ativo naturalmente depreciado, dada a necessidade da Repsol de vender a subsidiária para fazer caixa. Existe ainda um risco político vinculado à operação.

A instabilidade do governo Kirchner poderá afugentar pretendentes que não estejam familiarizados com o mercado argentino, um problema do qual a Petrobras passa ao largo.

Ressalte-se ainda que, depois de enfrentar um aperto de liquidez no segundo semestre do ano passado, a estatal está com uma situação bem mais folgada. Desde o início do ano, captou mais de US$ 30 bilhões, a maior parte dos recursos proveniente do BNDES e do Banco de Desenvolvimento da China.

Especula-se que o valor de venda da YPF poderá chegar a US$ 17 bilhões. No caso da Petrobras, parte do investimento seria amortizada com ganhos fiscais e de escala gerados pela sua presença no país, mais uma vantagem em relação aos candidatos forasteiros.

Esta é uma negociação que extrapola as fronteiras da Petrobras. Trata-se praticamente de um assunto de Estado. A operação passa necessariamente pelo gabinete de Dilma Rousseff, não apenas pela sua posição como presidente do Conselho de Administração da estatal e como ministra-chefe da Casa Civil, mas também pelo forte componente político e diplomático em torno do investimento. As relações entre Brasil e Argentina têm sido marcadas por constantes suscetibilidades de parte a parte.

Além disso, a operação tem de ser minimamente azeitada junto ao próprio governo Kirchner, em razão, sobretudo, do aumento da exposure da Petrobras no mercado local, que poderá ser alvo de contestações por parte dos órgãos antitruste. Apenas para citar um exemplo, Petrobras Energia e Repsol YPF somam diesel no mercado argentino.

A estatal brasileira, no entanto, já teria mapeado alguns segmentos onde seria possível a venda de ativos para atender a eventuais exigências das autoridades de defesa da economia sem prejudicar a operação como um todo.

₢ Relatório Reservado

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