Contas Abertas: "Na tentativa de transformar plantas e maquetes para a Copa do Mundo de 2014 em projetos efetivos, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) apresentará ao governo federal, no início de setembro, o relatório das obras indispensáveis nas 12 cidades-sedes. “É um presente que daremos ao governo, esperando que, a partir de então, comecem os trabalhos, de fato”, disse o vice-presidente executivo da ABDIB, Ralph Lima Terra.
Em audiência pública na quinta-feira (13) na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara dos Deputados, Ralph evitou dar tom dramático ao atraso nos projetos para 2014. E até atribui “sinal verde para muitas obras de infraestrutura”. Mas, depois, veio o alerta: “Há uma concentração de sinais amarelos e vermelhos nos grandes projetos”.
Como exemplo, Ralph citou os aeroportos nacionais. “Nesse item, não temos uma única cidade em condições de atender às necessidades de 2014”. Inclusive Recife, que recentemente inaugurou um terminal de passageiros, deverá chegar à Copa do Mundo com capacidade operacional esgotada.
A palestra de Ralph frustrou, em parte, as expectativas do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), que preside a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, da Câmara dos Deputados, local da audiência pública. O parlamentar queria conhecer os valores estimados para as obras, já que a maioria dos investimentos será do governo federal. “Mas vamos esperar até o início de setembro para conhecermos os detalhes”, contentou-se Silvio Torres.
O diagnóstico que será apresentado ao governo foi realizado nas sedes do Mundial, com ênfase em nove itens, a partir das exigências da Fifa: mobilidade urbana, aeroportos, hotelaria, energia, telecomunicações, hospitais, portos, saneamento e segurança.
Atrasos
A quatro anos e meio da realização da Copa das Confederações, evento da Fifa que antecede o Mundial de 2014, o Brasil do futebol ainda patina em indecisões públicas e inibe ações da iniciativa privada, atrasando o já apertado cronograma da mais valorizada competição esportiva do planeta. Tão valorizada que no Mundial da Alemanha, em 2006, US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 5,5 bilhões) vieram apenas dos direitos de transmissão, das cotas e patrocínios, de ingressos, camarotes corporativos e venda de produtos licenciados.
Dois anos depois de ter sido anunciado como país-sede da Copa de 2014, ainda não há manifestação oficial sobre as obras prioritárias. Essa realidade tende a mudar a partir do relatório da ABDIB.
Culpa da crise
A crise na economia mundial, que começa a dar sinais de desaceleração, foi um dos problemas para agravar o atraso nas iniciativas como um todo. “No Nordeste, por exemplo, tínhamos bons investimentos na área turística que foram suspensos, mas poderão ser retomados em breve”, disse Ralph.
Sobre mobilidade urbana, as questões do transporte público são graves. “A Fifa exige a média de um táxi para cada 300 habitantes, índice que não é atingido pela maioria das 12 cidades-sedes.
Problema crônico em todo o país, a segurança também ganha sinal vermelho, na avaliação de Ralph, pois, além de equipamentos, falta, principalmente, treinamento de pessoal para lidar com os turistas.
Para realizar o diagnóstico a ABDIB contratou duas potentes empresas de auditorias internacionais, a Delloite e a Price. Com cerca de 50 técnicos, as entidades trabalharam com base em dados oficiais, isto é, dos governos municipais e estaduais das cidades-sedes, o que garante fidelidade nas necessidades de cada sede.
Em recente visita que realizou a Londres, sede das Olimpíadas de 2012, Ralph ficou impressionado com o nível de envolvimento do governo nos trabalhos de preparação da cidade.
É do dirigente o depoimento: “O governo contratou uma grande empresa especializada em gestão de grandes acompanhamentos. O acompanhamento é ininterrupto, 24 horas por dia, em todas as frentes de trabalho. Inacreditável, mas os ingleses estão com o cronograma de obras atrasado apenas quatro dias. Não temos nada semelhante no Brasil, principalmente para as obras vitais”, afirmou.
Leia mais sobre o assunto amanhã: entrevista do chefe de Departamento da Área de Inclusão Social do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luiz Antônio Souto Gonçalves.
Da redação do Contas Abertas"
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