terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ceramistas apostam na inovação

Tribuna do Norte

11 de Agosto de 2009 às 00:00
A indústria ceramista potiguar está trabalhando capacitação e inovação tecnológica para tentar agregar maior sustentabilidade à sua atividade econômica. Atualmente, o setor aposta em iniciativas para reduzir o consumo de lenha, pilar da atividade e, ao mesmo tempo, maior problema que o setor enfrenta. O presidente do Sindicato da Indústria Cerâmica do Estado do Rio Grande do Norte (SINDICER/RN), Pedro Terceiro de Melo, explica que hoje o Estado possui 209 cerâmicas que geram seis mil empregos e consomem por mês (cada) uma média de 300 metros cúbicos de lenha.

Marcelo BarrosoCerâmicas do Rio Grande do Norte enfrentam o desafio de substituir ou diminuir o consumo da lenha como combustível nos fornosCerâmicas do Rio Grande do Norte enfrentam o desafio de substituir ou diminuir o consumo da lenha como combustível nos fornos
Essa estrutura gera uma produção de 82 milhões de peças por mês. Em torno de 50% desse total é exportado para os estados de Pernambuco, Alagoas, Bahia e Sergipe. A perspectiva é boa, mas segundo Pedro Terceiro de Melo, precisa melhorar, principalmente na questão do uso da lenha, que gera implicações da indústria com os órgãos ambientais. Na tentativa de regularizar o setor, o presidente conta que algumas cerâmicas estão partindo para o uso da poda do cajueiro e do resíduo dos coqueiros. “Eu uso bastante. Pego de Apodi e de Severiano Melo. Não é que seja mais barato. É questão de conseguir um consumo de combustível legal”, informa o presidente do Sindcer, que também é proprietário das Cerâmicas T Melo.

Segundo ele, a preocupação é grande com relação ao uso da lenha porque o maior problema que a atividade enfrenta está relacionado a isso. “Nossa maior dificuldade, eu acho, é essa parte da legalidade. A gente tem dificuldades em produzir dentro da legalidade. A gente tem dificuldades com o Idema e com o Ibama”. E acrescenta: “Somente 45% das cerâmicas têm licenças ambientais. A nível de Brasil é um índice altíssimo. Em termos proporcionais, somos o Estado que tem mais licenças para cerâmicas”.

Pedro Terceiro comenta que o sindicato tem procurado discutir a forma de legalizar o uso da lenha, mas encontra dificuldades de diferentes ordens. Uma delas é o que ele classifica como falta de clareza nas regras impostas pelo Idema e pelo Ibama. Além disso, o presidente informa que não há mão-de-obra especializada para orientar e planejar os projetos que o setor carece. “Tem projetos de manejo que estamos há mais de dois anos sem conseguir a licença. Essa é a nossa grande barreira”, afirma.

Uma alternativa pensada pelos ceramistas para resolver de vez o problema da lenha seria a indústria passar a usar gás como combustível dos fornos. Mas essa alternativa também tem seus problemas. O maior deles é que a maioria das cerâmicas do Estado não fica próxima à rede distribuidora. O segundo empecilho é que o setor afirma não ter condições de arcar com os custos dessa implantação e uso. “O gás tem de ser uma decisão de governo. E o governo não tomou essa decisão. E eu não sei dizer o porquê. Por exemplo: na Argentina, todas as cerâmicas usam gás, mas todas são subsidiadas pelo governo. O custo do produto é a grande barreira. O bloco cerâmico e telha não absorve esse custo”, esclarece.

Um novo modelo de forno está sendo testado no RN

Além das alternativas quanto ao tipo de combustível, parte da indústria está procurando outros meios de tornar a produção mais sustentável. Um dos projetos envolve o uso de gás e e vai ajudar a medir quanto realmente o uso desse combustível encarece a produção. Isso está sendo feito no Arranjo Produtivo Local (PL) da cerâmica, que envolve 20 empresas e tem o apoio do Sebrae e do Senai.

O projeto está inserido nos esforços de inovação tecnológica, desafio apresentado à industria potiguar e tema do segundo bloco de debates no seminário dos “Motores do Desenvolvimento do RN”, marcado para a próxima segunda-feira (17), no auditório Albano Franco, da Casa da Indústria. Promovido pela Tribuna do Norte, Federação das Indústrias do RN, Fecomércio e RG Salamanca, o debate terá a participação do ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia).

No setor ceramistas, algumas alternativas estão sendo buscadas, afirma Pedro Terceiro. “A gente viu que uma das soluções era viabilizar fornos que fossem mais econômicos, que gastassem menos combustível. E isso, dentro desse grupo já tem empresas que fizeram. Eu tenho um que funciona há seis meses e ele proporciona uma redução de 60% no consumo da lenha”. Os fornos Hoffmann garantem um maior aproveitamento das calorias durante o processo de queima da argila, matéria-prima utilizada pela indústria. O forno também reduz o tempo de produção das peças e o uso da lenha como combustível.

Pedro terceiro de Melo conta que quem projetou o forno foi um técnico do Senai do Ceará, Paulo Dantas; e que o projeto conta com a participação da UFRN (o reitor Ivanildo Rego será o mediador do debate com o ministro Sergio Rezende). Atualmente, oito cerâmicas usam o modelo e tem tidos bons resultados. A intenção do Sindcer é expandir o uso dos Hoffmann e aumentar o nível de economia de lenha, causando menos agressão ao meio ambiente.

Além desta experiência, há outra que envolve o gás e será destinada apenas á produção de determinadas peças cerâmicas. Trata-se de um protótipo de forno a gás, instalado em Macaíba, no distrito industrial. “A gente está em fase de instalação e de experiência em queima. O que vai representar é que a gente vai ver exatamente o custo do gás. E ver até onde podemos ir usando gás”. Segundo ele, os planos são que a experiência comprove que para determinadas peças cerâmicas, o uso do gás — em cerâmicas próximas á rede — pode ser viável. “A gente pensa que existem determinados produtos que compensam o uso de gás. Como uma lajota, blocos para revestimento, produtos para acabamento. Produtos que o mercado paga”.

Além de experiências envolvendo estrutura, o APL também tem se preocupado em melhorar a capacitação de seus funcionários. “Na APL, 100% dos empregados são legalizados”. O grupo concentra aproximadamente 1.200 funcionários.

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