No modelo vislumbrado pelo banco, até companhias de diferentes setores se uniriam em consórcios
Redação
O BNDES pretende apostar fichas mais altas em grupos empresariais que aceitem investir compartilhadamente em setores 'da nova economia'. A química passa pelo conceito de 'partners companies'. O banco pretende agregar em torno deste modelo empresas-parceiras que participariam de projetos estratégicos não necessariamente ligados ao seu core-business. Estas companhias não atuariam de maneira isolada, mas sempre por meio de consórcios.
No que depender da alquimia do BNDES, não será de todo inimaginável ver um joint venture entre JBS, Vale e Odebrecht para a produção de biodiesel; ou uma associação entre Votorantim, Andrade Gutierrez e Cosan para o manejo sustentável de florestas.
A direção do banco entende que alguns dos maiores grupos nacionais podem vestir o figurino de um private equity ou de um venture capital para fomentar setores considerados de alta relevância, não apenas per si, mas para a própria economia como um todo. A ideia do BNDES é permitir um salto em áreas como inovação tecnológica, sustentabilidade e sistemas de transporte público com baixo efeito climático, leia-se navegação de cabotagem e ferrovias.
O BNDES não vai reinventar a roda. Este modelo já foi utilizado com êxito em outros países, entre eles o Japão. De uma certa forma, a política industrial do governo Geisel tinha alguma semelhança, já que escolhia os 'cavalos vencedores' – empresas que recebiam recursos subsidiados.
A intenção do banco é permitir a execução de projetos de interesse nacional em uma escala muito maior, que dificilmente seria alcançada com a presença de um único investidor. Ao unir grupos empresariais de áreas distintas, que operam de costas um para o outro, a agência de fomento quer mesmo somar grandes balanços e, desta forma, aumentar o poder de alavancagem para a realização de empreendimentos de porte.
Este formato representa uma evolução em relação às políticas de crédito do BNDES em sua história recente. Depois da inflexão como principal agente financiador das privatizações na era FHC, durante o governo Lula o banco deu uma guinada e tornou-se o principal mantenedor dos investimentos em infraestrutura no país. Na gestão de Luciano Coutinho, o BNDES intensificou também o fortalecimento de grandes grupos nacionais. Praticamente todas as megafusões recentes na economia tiveram a participação da instituição.
Agora, o banco está disposto a induzir com firmeza os grupos empresariais para que ingressem nesta tour de force. Na visão da diretoria do BNDES e do próprio governo, é preciso empurrar as empresas para que ingressem em segmentos-chave, mas ainda anêmicos. A formação destes consórcios permitirá o avanço de setores sofisticados, notadamente ligados à inovação tecnológica, e ainda carente de investimentos massivos.
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