quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Prêmio Nobel Krugman vê risco de "bolha Brasil" - 02/12/2009 - UOL Economia - Da Redação


Do UOL Notícias, em São Paulo

Os pesados fluxos de recursos para o Brasil ameaçam o país de haver uma bolha financeira semelhante às que atingiram México, o sudeste asiático e o leste europeu, afirmou nesta terça-feira o prêmio Nobel de Economia 2008, Paul Krugman, professor da Universidade Princeton e colunista do 'The New York Times', que participou de evento em São Paulo.

Em entrevista a jornalistas, Krugman disse que a superação da crise internacional pelo Brasil foi 'uma história feliz', mas a sobrevalorização do real, a falta de infraestrutura e o baixo nível de educação da população brasileira são entraves importantes para que o país se torne uma 'superpotência econômica'.

'Dizer que o Brasil é uma boa história não é o mesmo que dizer que se tornará uma superpotência econômica no ano que vem, e é isso que os mercados estão dizendo', declarou Krugman. O economista afirmou que o cenário econômico brasileiro 'não é de apocalipse, não é a Argentina (do início da década), mas não é saudável'.

Krugman brincou ao dizer que uma das vantagens do Brasil em relação ao restante do mundo 'é o fato de que vocês odeiam banqueiros'. “Nos Estados Unidos, se alguém fala em ajudar o Goldman Sachs, o cidadão médio fica preocupado, acha que é importante. Aqui, politicamente, não faz sentido.'

O prêmio Nobel elogiou o sistema bancário brasileiro, menos exposto a empréstimos de alto risco, como os que vitimaram a economia americana no ano passado, em especial no mercado imobiliário. Para ele, a parte “apocalíptica” da crise já foi superada, embora preveja novos sustos nos próximos meses – citou a possibilidade de moratória em um país báltico, o que geraria uma crise de confiança na recuperação.
Confiança excessiva

O economista se disse surpreso com o ritmo da recuperação brasileira em meio à crise detonada em setembro do ano passado. “Pela primeira vez na minha vida profissional, o Brasil entrou em uma crise e saiu melhor que o mundo”, disse. “Mas isso está levando o país a um território desconhecido. O desempenho durante a crise foi bom, mas não existe uma indicação de que o país voltará a exportar nos níveis atuais tendo uma moeda tão sobrevalorizada. O mercado está, de novo, descolando da realidade.”

Krugman, que disse investir “um pouquinho” em títulos brasileiros “porque o país está na moda”, viu risco de surgimento de bolhas de consumo internas, uma vez que os incentivos fiscais concedidos pelo governo têm data de validade. “Além disso a economia real dos Estados Unidos vai mal e deve manter taxas de juros próximas de zero por mais tempo. Isso leva dinheiro a outros mercados, como o do Brasil. Mas não vai durar para sempre”, afirmou.

O Prêmio Nobel prevê que a economia dos EUA terá crescimento de modestos 2% em 2010 e, ao contrário de muitos especialistas, projeta um ano “fraco globalmente”. “Espero estar errado e que não venha mais um grande choque em breve. O risco é que aconteça como no Japão, que teve uma década perdida, mas em um número ainda maior de países”, disse."

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