Acusada de envolvimento com escândalos, Dilma disse que ningúem está acima de qualquer suspeita.
27 de setembro de 2010 | 1h 36
A uma semana da eleição, as denúncias que levaram à queda da ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra e outras acusações de corrupção no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deram o tom do penúltimo debate entre candidatos à Presidência, fortemente marcado por críticas dos adversários à candidata Dilma Roussef (PT).
O encontro, realizado neste domingo pela TV Record, teve a participação de Dilma, José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Foram também discutidos temas como as relações do governo Lula com a imprensa, educação, política externa e meio ambiente.
O primeiro confronto da noite ocorreu logo no primeiro bloco do debate, quando o candidato do PSOL, ao escolher a candidata do PT para responder a uma pergunta, disse que a corrupção havia 'batido duas vezes à porta da Casa Civil', em referência aos escândalos da quebra de sigilo da Receita Federal e às denúncias do caso Erenice.
'Das duas umas: ou você é conivente ou é incompetente', disse o candidato do PSOL a Dilma.
'Ninguém está acima de qualquer suspeita', reagiu a candidata do PT, dizendo que o mais importante era que os dois casos estavam sendo investigados. 'As pessoas que erraram vão pagar. Mas antes de pagarem, elas vão ser julgadas.'
As denúncias de corrupção voltaram a aparecer durante o bloco do debate em que jornalistas da TV Record fizeram perguntas aos candidatos.
'Loteamento'
No primeiro confronto direito entre os dois candidatos que lideram as pesquisas, Serra afirmou que o governo do PT vem fazendo um 'loteamento de cargos públicos', em setores como o das agências reguladoras. Segundo o candidato do PSDB, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi 'loteada': 'Muitos senadores indicam o diretor da Anvisa', afirmou ele.
Dilma se defendeu afirmando que trabalhou para desenvolver planos de carreiras e concursos públicos no ministério de Minas e Energia.
Pouco depois, a candidata do PT voltou a ser alvo de ataque, quando Marina lembrou denuncias de corrupção do caso 'mensalão'. A petista rebateu, lembrando de denúncias contra funcionários do Ministério do Meio Ambiente - envolvendo a compra de madeira ilegal - na gestão de Marina. 'E as mesmas providências tomadas por você (na época), eu as tomei agora', afirmou a candidata do PT.
Na parte final do debate, Plínio questionou Serra sobre o escândalo envolvendo o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda - cotado para ser vice do tucano, segundo o candidato do PSOL. 'Arruda foi pego num esquema de corrupção e foi afastado. Enquanto no PT, os acusados continua lá numa boa'.
Analfabetismo
Questões ligadas à educação também foram recorrentes durante o debate. Ao defender projetos do governo como o ProUni (Programa Universidade para Todos) e o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades), Dilma foi atacada por Plínio. O candidato do PSOL qualificou o ProUni como 'um jeito de o governo de dar dinheiro para faculdades privadas, inclusive as fábricas de diplomas'.
Marina lembrou seu passado de analfabeta para destacar o problema da educação e criticou as promessas de Dilma de valorizar os professores, afirmando que o PT náo o fez durante oito anos no poder.
Os presidenciáveis também falaram das relações do governo Lula com os órgãos de comunicação. Para Serra, o governo critica a imprensa'simplesmente porque ela está fazendo seu papel'. Plínio, entretanto, afirmou que a cobertura da mídia é parcial e não dá voz à esquerda.
Já Dilma lembrou seu passado de militante de esquerda, e afirmou que sua trajetória faz com que ela prefira 'as vozes críticas da democracia ao silêncio da ditadura'
'Ingenuidade'
A política externa, tema pouco debatido durante a campanha, entrou na pauta do encontro quando Plínio afirmou que a diplomacia do governo Lula é marcada pela 'ingenuidade e pela megalomania', ao tentar mediar conflitos em países como o Irã e o Haiti. 'Em seguida, os americanos foram lá e desfizeram tudo que ele tinha feito', disse o candidato do PSOL.
Serra também criticou a política externa atual, afirmando que Lula tem se aproximado 'de regimes ditatoriais como o Irã', que desrespeitam os direitos humanos.
Questionada sobre sua capacidade de lidar com outros temas que não os ligados ao meio ambiente, Marina afirmou que a questão ambiental dialoga com todos os aspectos da vida de um pais, incluindo os econômicos, de saúde e inclusive políticos. 'Economia e ecologia não são questões separadas. Essa é uma mentalidade atrasada', disse.
Para a candidata do PV, o desenvolvimento sustentável é 'o desafio desse século e é fundamental preservar as riquezas do país'.
Todos os candidatos defenderam o investimento em fontes de energia renovável. Para Marina, 'como o petróleo ainda é um mal necessário' a Petrobras deveria usar os recursos do pré-sal para investir em tecnologias capazes de substituir o modelo baseado na exploração do petróleo.
Quando Dilma falou dos projetos de energia renovável para o país, sobretudo os relativos a energia hidrelétrica. Marina voltou a criticá-la, alegando ser 'lamentável' as termoelétricas serem prioridades, já que hoje se sabe que 'a energia eólica é mais barata'. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"
Nenhum comentário:
Postar um comentário