quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Folha de S.Paulo - Irmão de diretor da Eletrobras negocia projetos de energia - 17/10/2010

Irmão de diretor da Eletrobras negocia projetos de energia

Edgar Cardeal oferece a empresas negócios em setor que irmão coordena

Contrato prevê "taxa de sucesso" se o negócio vingar; Valter Cardeal é homem de confiança de Dilma no setor elétrico

SILVIO NAVARRO
DE SÃO PAULO

FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA

O irmão do diretor de Engenharia e Planejamento da Eletrobras, Valter Cardeal -homem forte de Dilma Rousseff (PT) no setor elétrico -, atua como consultor de empresas interessadas em investir em energia eólica, área que terá R$ 9,7 bilhões em investimentos do PAC 2.
Edgar Luiz Cardeal é dono da DGE Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos, criada em 2007 para elaborar projetos no setor.
O responsável pela gestão do Proinfa, programa de incentivo ao uso de energias alternativas -como a eólica- é o irmão do empresário.
Valter Cardeal é braço-direito de Dilma no setor elétrico há 20 anos. Quando a presidenciável do PT foi secretária de Minas e Energia do RS, ele era diretor da CEEE, empresa estadual de energia.
Ele também preside o Conselho de Administração da Eletrosul, que gerencia a política energética no Sul -onde atua a empresa do irmão.
Edgar oferece a empresas projetos para erguer torres de energia eólica em fazendas cuja locação ele negocia.
Sócio de duas empresas do ramo, Ricardo Pigatto relatou à Folha ter contratado Edgar para investir em três parques eólicos no RS. "Estabelecemos um valor fixo com pagamentos mensais e, depois, uma taxa de sucesso se o negócio der certo."
Pigatto disse que firmou três contratos com Edgar, e que os pagamentos mensais eram para custear estudos que viabilizariam o projeto.
Pelo contrato, a taxa de sucesso sobre o projeto varia de 0,2% a 10% se o governo comprar a energia ou se o negócio for vendido a terceiros.
Um dos parques eólicos, em Pinheiro Machado, está orçado em R$ 1 bilhão. Para esse contrato, firmado com Edgar em maio do ano passado, o pagamento previsto é de R$ 84 mil em 23 meses.
Para dar certo, o projeto precisa passar pelo crivo da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e vencer um leilão do governo federal, que passaria a ser comprador da energia produzida.
"Dos 6 parques que nós estamos medindo [capacidade de produção de energia pelo vento], 3 foram ele [Edgar] quem nos trouxe os proprietários de terras para negociar", disse Pigatto.
"Um dia ele apareceu na empresa perguntando se eu tinha interesse em desenvolver parques eólicos. Trouxe a oportunidade e me propiciou contato com alguns proprietários de terra com os quais fiz arrendamento e estamos desenvolvendo projetos."

"ÉPOCA"
O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE, empresa de geração térmica subsidiária da Eletrobras.
Segundo a revista "Época", na ação o banco acusa Valter Cardeal de ter conhecimento de fraude na construção de usinas de biomassa no Sul. A Justiça Federal abriu processo sobre o caso, mas não incluiu o diretor.

 

Têxteis poderão recorrer à Justiça - TEXTILE INDUSTRY


A indústria têxtil é um dos setores que mais se ressentem com a concorrência dos importados. Por conta do prejuízo que os polos
industriais do setor amargam, a Associação Brasileira da Indústria
Têxtil (Abit) não descarta a possibilidade de entrar com ação judicial
contra os programas de incentivo às importações, entre eles, o
Pró-Emprego.

O diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel, diz que a entidade é “frontalmente contrária” aos programas de
incentivo, com destaque para o de Santa Catarina, que chama de
“Pró-Emprego na China”.

– É natural que os estados tentem atrair investimentos, mas não gerando emprego para os chineses e tirando
competitividade da nossa indústria. Nós podemos caminhar no sentido de
uma ação de judicial para frear o que consideramos uma lógica fiscal
perversa. Como se não bastasse a queda, ainda vem o coice – diz,
comentando que o câmbio já prejudica o setor e os programas de incentivo
acentuam as perdas.

Dados da Abit apontam que o crescimento de importações de têxteis pelos portos de SC passa de 100% de 2009 para
2010, enquanto a importação que ficou no Estado aumentou só 41% no
período. Isso significa que a maior parte dos produtos apenas entrou por
Santa Catarina, mas foi parar em outros estados, acarretando maior
desgaste nas rodovias e na logística de transporte do país.

Segundo Pimentel, a entidade já participou de três reuniões do Conselho
Nacional de Administração Fazendária (Confaz) para tentar demonstrar a
falta de lógica dos estados em atraírem importações para movimentarem
seus os portos.

A posição da Abit não encontra respaldo no Sindicato das Indústrias Têxteis de Blumenau e Região (Sintex). O
presidente do Sintex, Ulrich Kuhn, discorda que o programa seja
prejudicial para o Estado.

– Enquanto existir incentivos em outros estados, acho válido que Santa Catarina tenha também. Se não for
importado por aqui, vai entrar de qualquer jeito no país. Os nossos
portos são extremamente eficientes e o programa ajudou a cadeia
logística da região toda. As empresas estão sofrendo pela fragilidade da
questão cambial e não por causa dos programas de incentivo. O buraco é
mais embaixo – alerta.

Kuhn defende que as empresas brasileiras não reclamem das importações e sim do fato de que não estão conseguindo exportar.

– O governo federal deveria ter uma política cambial eficiente ao invés
de ficar tentando acabar com o Pró-Emprego, que fez Santa Catarina
melhorar sua logística e permitiu que as empresas que investem e geram
empregos no Estado sejam mais competitivas – avalia.

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