Os seminários habituais de fim de ano sobre desafios da economia, com a presença de autoridades do governo, trazem um quadro comum, indicando ajuste de rota do crescimento, mas sem abalar a intenção dos empresários, que está escapando à percepção dos analistas.
A mensagem é que o significado do continuísmo do governo de Dilma Rousseff não implica engessamento, mas adaptação aos novos tempos, decorrentes da crise externa ainda em evolução e de transformações geopolíticas e tecnológicas, somadas no Brasil às necessidades de uma economia com padrão inadequado do financiamento de longo prazo acumuladas a demandas sociais inesgotáveis.
O que parece faltar aos analistas, especialmente das consultorias a serviço do setor financeiro, é a sensibilidade para compreender que dificilmente haverá, de Dilma e os seus ministros, críticas ao passado recente não bem por receio de aborrecer o presidente Lula, mas por serem todos, começando por ela, parte substantiva da obra legada – “herança bendita”, segundo a ex-ministra da Casa Civil.
Nem se trata, a rigor, de crítica, no sentido de que teriam feito diferente, se pudessem. Que Lula tivesse um terceiro mandato e até ele estaria buscando opções às políticas em curso, como as que o ministro Guido Mantega e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estão indicando, ao falar de outro padrão de financiamento para os investimentos e de sua inserção com a estabilidade macroeconômica.
Não é para o Banco Central que se deve olhar. Foi assim com Lula, quando mandou Dilma, Mantega e Coutinho soltarem os investimentos, enquanto dava mão forte ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para enquadrar a inflação à meta seja a que custo fosse de juros e apreciação do real. Ela quer menos juros. Como faz?
Meirelles seguiu à risca o metro da estabilidade, e o crescimento vitaminado por gasto fiscal e crédito correu solto. Deu certo, mas o modelo se esgotou. Os limites estão em três pontas: o consumo, o gasto público e o financiamento do investimento.
Mantega antecipa outra mistura para tais ingredientes, e já provocou reações até de Lula, o que prenuncia um mau começo para o governo Dilma...........
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