Boi no trilho dos megaprojetos herdados do governo Lula não se deve só à corrupção e à desídia |
Obras como do trem-bala podem ser tão bilionárias quanto gravosas, segundo as empresas, mesmo com garantia de receita e incentivos 9/7/2011 - 20:30 - Antonio Machado |
O governo pôs abaixo a cúpula do Ministério dos Transportes, do ministro Alfredo Nascimento aos dirigentes do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da Valec, a estatal encarregada do projeto do trem-bala entre São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro, suspeita de cobrar propinas e superfaturar obras. Mas o boi no trilho dos projetos mais vistosos herdados da gestão do presidente Lula não se deve apenas à corrupção e à desídia. O adiamento para 22 de agosto do leilão do novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte - que será modelo para a aterrissagem do setor privado no monopólio da estatal Infraero -, assim como da data de entrega das propostas para o trem-bala, prevista para esta segunda-feira e com risco de frustração, expõe a dificuldade do governo em atrair o interesse do capital privado. Tais obras de infraestrutura são tão bilionárias quanto gravosas, segundo as empresas sondadas, mesmo havendo facilidades de crédito nos bancos públicos e a garantia de receita. Repete-se o trauma da licitação da usina do Belo Monte, em que diferenças insuperáveis quanto às estimativas de custo e da taxa interna de retorno (TIR) puseram para correr as empresas mais capacitadas. O custo do projeto foi avaliado em R$ 19 bilhões, contra mais de R$ 32 bilhões estimados pelo consórcio entre a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, que fora contratado para dimensionar a hidrelétrica no rio Xingu. A esse custo, elas optaram por estar no projeto apenas como construtoras e não como sócias. No fim, os dois únicos consórcios habilitados só se viabilizaram com forte participação de empresas estatais. Nem assim funcionou. Um a um, os sócios privados do grupo vencedor caíram fora, e até agora continua incerta a formação final, apesar de o governo ter relaxado suas condições, ao forçar o BNDES a financiar o grosso do investimento a juro subsidiado e a Eletrobras a assumir a garantia de compra da energia futura. Impostos também foram desonerados. Condições técnicas consideradas excessivas para uma TIR acanhada explicam a maior parte da relutância do setor privado. A exigência de que o construtor integre o grupo que vai operá-las é também uma razão do impasse, embora menor que a questão sobre a rentabili |
domingo, 10 de julho de 2011
Boi no trilho dos megaprojetos herdados do governo Lula não se deve só à corrupção e à desídia
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