Para ampliar o
debate acerca das necessidades brasileiras de formação e qualificação de
profissionais nas áreas das Engenharias, o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) promoveu a palestra "Contexto e Dimensionamento da Formação de Pessoal Técnico-Científico e de Engenheiros.
A abertura foi realizada pelo diretor de Engenharias, Ciências Exatas e Humanas e Sociais do CNPq,
Guilherme Sales Soares de Azevedo Melo, que destacou a relevância do
tema. "Esse assunto é muito importante, pois o país precisa de
engenheiros. Temos que motivá-los a permanecer nas Engenharias",
afirmou.
Formação de engenheiros
Paulo Meyer Nascimento, do Instituto de Pesquisa
Econômica e Aplicada (IPEA), traçou um panorama sobre o cenário atual e
projetado da formação, ingressos e egressos, dos cursos de engenharia,
bem como da demanda por parte do setor produtivo.
"O Brasil forma proporcionalmente menos engenheiros
que outros países, mas isso não quer dizer que esse número não seja
suficiente," afirmou ele.
As vagas para as Engenharias dentro das instituições de ensino estão crescendo proporcionalmente mais que as outras áreas.
Apesar da maior demanda pelas Universidades públicas, as matrículas no setor privado são as que mais crescem.
Quanto à qualidade, constatou-se que, dentre as
instituições com conceito 4 ou 5 no Enade, 85,3% eram universidades
públicas, em 2005, número que caiu para 73,7%, em 2008. "Podemos inferir
que a formação das Engenharias é qualitativamente melhor no ensino
público do que no privado", pontuou.
Escassez de engenheiros
O forte crescimento econômico do Brasil poderá
ampliar a demanda por engenheiros, o que poderá ocasionar cinco tipos de
escassez:
1. a quantitativa refere-se a uma oferta de engenheiros menor que a demanda;
2. a qualitativa, que consiste na formação inadequada para as funções demandadas;
3. de áreas específicas como, por exemplo, a engenharia naval;
4. regional, ocasionada pelo aumento da industrialização em novas regiões;
5. de experiência, que poderá ocorrer pela falta de profissionais com experiência nas áreas desejadas.
2. a qualitativa, que consiste na formação inadequada para as funções demandadas;
3. de áreas específicas como, por exemplo, a engenharia naval;
4. regional, ocasionada pelo aumento da industrialização em novas regiões;
5. de experiência, que poderá ocorrer pela falta de profissionais com experiência nas áreas desejadas.
Para Nascimento, existem ajustes em curto e longo
prazo que poderão remediar o problema. "Para efeitos imediatos podemos
aumentar os salários, o que irá atrair os profissionais que estão em
outras áreas, reter profissionais em vias de se aposentar e flexibilizar
vistos de trabalho para estrangeiros", ressaltou.
Segundo o pesquisador, para efeitos futuros é
necessário ampliar a oferta de vagas via sistema educacional, atraindo e
retendo talentos, garantir a qualidade da formação e promover uma
formação básica de qualidade que permita que os jovens cheguem aptos a
cursar a graduação.
Quem virá primeiro?
Nascimento destacou ainda que parte do problema da
falta de engenheiros pode ser atribuída a uma percepção do setor
produtivo de que está faltando mão-de-obra com experiência.
A maior quantidade de engenheiros está concentrada no
início ou final da carreira. "O mercado quer um profissional com
experiência, caso contrário terá que investir em formação, mas que ainda
não atingiu o topo da carreira, quando recebe um salário elevado,"
destacou.
Nascimento lembrou ainda que as décadas de 1980 e
1990 foram difíceis para a Engenharia e que parte desse crescimento é na
verdade uma recuperação. "Nesse sentido, é preciso ter cautela,
precisamos pensar se primeiro formamos engenheiros para transformar a
estrutura produtiva, ou se esperamos essa transformação para formar mais
engenheiros", concluiu.
Fonte: Clipping Confea
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