quarta-feira, 27 de julho de 2011

Déficit das contas externas no primeiro semestre é o mais elevado desde 1947

Déficit das contas externas no primeiro semestre é o mais elevado desde 1947

Saldo ficou negativo em US$ 25,4 bilhões, valor 6,7% acima do registrado no mesmo período do ano passado

26/7/2011 - 13:53 - Redação

O resultado das transações do Brasil com o exterior ficou negativo em US$ 25,448 bilhões no primeiro semestre do ano, contra um déficit de US$ 23,847 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. A diferença é de 6,7%. Os dados foram divulgados hoje pelo Banco Central. O déficit em transações correntes é o maior para o período da série histórica do BC, iniciada em 1947.

Os analistas do mercado financeiro ouvidos semanalmente pelo Boletim Focus, do Banco Central, estimam que o déficit em conta corrente fechará 2011 em US$ 59,45 bilhões. A projeção do déficit em conta corrente permaneceu em US$ 59,45 bilhões.

A conta de transações correntes registra as compras e vendas de mercadorias e serviços. Nesse cálculo estão incluídas as exportações e importações de mercadorias que formam a balança comercial. No primeiro semestre, houve superávit comercial (as exportações foram maiores do que as importações) de US$ 12,967 bilhões, contra US$ 7,884 bilhões registrados em igual período de 2010. Esse saldo favorável da balança comercial contribuiu para que o resultado negativo das transações correntes não fosse mais elevado.

Por outro lado, a balança de serviços e rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros, viagens internacionais, aluguel de equipamentos, royalties e outros) contribui para elevar o resultado negativo das transações correntes. No primeiro semestre, a balança de serviços e rendas ficou negativa em US$ 39,937 bilhões, contra US$ 33,243 bilhões verificados de janeiro a junho de 2010. Somente em junho, houve déficit de US$ 7,838 bilhões, contra US$ 7,658 bilhões de igual período do ano passado.

Entre os itens que mais contribuem para a elevação do resultado negativo da balança de serviços estão as viagens internacionais (registro de gastos de brasileiros no exterior e de receitas deixadas por estrangeiros no Brasil), que registraram déficit de US$ 6,814 bilhões, recorde da série histórica do BC. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a elevação dos gastos em viagem ao exterior é resultado do aumento da renda dos brasileiros.

Também foram recordes as remessas de lucros e dividendos ao exterior, que somaram US$ 18,768 bilhões no primeiro semestre. Segundo Maciel, esse resultado reflete o crescimento da economia e da rentabilidade das empresas, o que propicia a remessa de recursos.

Na conta de transações correntes também estão incluídas as transferências unilaterais correntes, que são doações e remessas de dólares que o país faz para o exterior ou recebe de outros países, sem contrapartida de bens ou serviços. No primeiro semestre, as transferências unilaterais correntes registram ingresso líquido (descontada a saída) de US$ 1,522 bilhão, contra US$ 1,512 bilhão de igual período de 2010. Em junho, houve ingresso líquido de US$ 110 milhões, contra US$ 115 milhões do mesmo mês de 2010.

Como o resultado das transações correntes ficou negativo, ou seja, o país gastou mais do que a renda, é preciso receber recursos do exterior para financiar esse déficit. De janeiro a junho, o investimento estrangeiro direto, que vai para o setor produtivo da economia, ficou em US$ 32,477 bilhões, contra US$ 12,096 bilhões de igual período de 2010. Em junho, foram registrados US$ 5,467 bilhões, ante US$ 766 milhões do mesmo mês de 2010. Somente o investimento estrangeiro direto, que bateu recorde no primeiro semestre, foi mais do que suficiente para financiar o déficit em transações correntes.

Com Agência Brasil


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