Sincronização de expectativas deve levar o BC a apertar mais a rosca do consumo para entregar a inflação na meta pelo menos em 2012 8/7/2011 - 13:46 - Antonio Machado |
A inflação em junho pelo IPCA, o índice dos preços ao consumidor que baliza a intensidade da taxa básica de juros Selic, exibiu a menor variação dos últimos dez meses, mas veio muito acima do que se previa, depois de um semestre de parcimônia monetária e fiscal. A taxa de crescimento mensal recuou de 0,77% em abril para 0,47% em maio e, agora, para 0,15%, mas a desaceleração foi insuficiente para desinflar o seu ritmo em base anual, que avançou para 6,71%, vindo de 6,55% no mês anterior. O que chama a atenção é que havia razoável consenso de que a desinflação seria mais acentuada. Tão logo o IBGE divulgou a variação do IPCA de maio saíram várias projeções apontando deflação em junho. O anúncio do IPCA-15, a versão de meio do mês do indicador, mudou as expectativas de uma inflação menos abrasiva, mas a aposta de consenso ainda era de uma taxa confortável. A mediana das projeções de mercado apuradas pelo Banco Central passou a apontar para expansão em junho de 0,07%. Ninguém acertou, num sinal de que a sincronização de expectativas vai exigir do BC, o guardião da meta de inflação estabelecida pelo governo em 4,5% anual, e já descartada este ano, que aperte mais a rosca do consumo para entregar em 2012 o que lhe foi encomendado. Não é que não consiga. Mas, se não quiser a inflação distante da meta central (4,5%) pelo terceiro ano consecutivo, terá de adiar a parada da Selic, hoje de 12,25% ao ano, para duas a três reuniões adiante do Copom (Comitê de Política Monetária), o que implica esticar até outubro o ciclo do arrocho. Se mantiver a dose de alta à base de 0,25 ponto percentual por Copom, a Selic chegará a 13%. Esse é o dilema de toda economia aberta, com produção interna sem condição de atender a demanda com mercado de trabalho pressionado, com política fiscal nada frugal, embora pouco menos expansionista este ano, e com o crédito público blindado contra as maldades da política monetária. Sobra para o câmbio, que no Brasil é também um instrumento complementar a aumentos maiores dos juros básicos. Tais constrangimentos tiram autonomia da política econômica |
sábado, 9 de julho de 2011
Inflação de junho é a menor em 10 meses, mas o dobro da projetada e já aponta que voltou a subir
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