quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Volta ao passado - Míriam Leitão: O Globo

Volta ao passado - Míriam Leitão: O Globo

Financiar inovação faz sentido; ter incentivo fiscal para a indústria automobilística não faz sentido. Reduzir a contribuição trabalhista de setores que empregam muito pode ser interessante; dar dinheiro na mão de exportador no programa “Reintegra” lembra o malfadado crédito-prêmio dos anos 1970. Há velhas e novas medidas na política industrial, mas a conversa é antiga.

O cheiro do novo e do velho, da mesmice e do avanço se misturou nas medidas anunciadas ontem pelo governo e nos discursos feitos pelos ministros e pela presidente Dilma. O ar do protecionismo e da velha política de benefícios setoriais estava tão evidente que arrancou aplausos para o ministro Guido Mantega quando ele falou que “o mercado brasileiro deve ser usufruído pela indústria brasileira e não por aventureiros que vêm de fora.” Não se sabe quem são os aventureiros, mas a indústria automobilística, que terá benefícios, é toda controlada por capitais estrangeiros e terá inexplicáveis incentivos. O setor está com crescimento de vendas e produção. Deu uma arrancada de 9,8% no ano passado e nos últimos doze meses está com um crescimento de 4,7%. Reclama do câmbio, mas tem se beneficiado dele na importação de autopeças e matérias-primas.

O governo decidiu que nas compras governamentais vai preferir a indústria local. Muitos governos fazem isso. Mas ele estabeleceu que se a indústria local produzir com uma diferença de preço de até 25% a mais ela será escolhida. É um incentivo a ineficiência e ao sobrepreço. A indústria nacional precisará competir pelo aumento da eficiência. Essa decisão foi tomada para lavar os brios nacionais porque as Forças Armadas estão envergando uniformes chineses. Em vez de analisar os fatores que estão drenando a competitividade dos fabricantes de fardas nacionais, o governo estabelece que aceita que o produtor local cobre um quarto a mais no preço de cada uniforme e qualquer outro bem que o governo for adquirir. A China virou álibi para qualquer política.

A ideia de que o mercado nacional pertence à indústria nacional já fez muito mal ao Brasil. Foi na reserva de mercado que o Brasil ..............................

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