No longo prazo, porém, aumento do imposto para carros importados deve gerar mais investimentos e empregos
Decisão visa proteger indústria nacional em vez de manter ganho para a classe média comprar importados
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O governo Dilma admite que o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros importados é uma medida "protecionista" no curto prazo, mas no médio prazo acredita que ela gerará novos investimentos, inovação tecnológica e mais empregos no país.
A decisão, festejada pelas montadoras instaladas no país e criticada pelos importadores, foi tomada em caráter "emergencial e excepcional" segundo um assessor presidencial, seguindo a política de preservar o mercado doméstico brasileiro.
De acordo com o assessor, o governo optou por proteger a indústria brasileira em vez de manter as vantagens para a classe média comprar carros importados, vendas que se aceleraram neste ano devido ao dólar desvalorizado.
Na avaliação do governo, o país não pode ter receio de ser acusado de protecionista porque o mundo todo está tomando esse caminho.
A China, alvo direto da medida, é citada por técnicos como principal exemplo.
"Eles não deixam a gente entrar no mercado deles e querem invadir o nosso. Não podemos ficar paralisados", diz um assessor presidencial sobre o aumento da venda de carros chineses no país neste ano.
O governo acredita que irá reduzir o tom das críticas nos próximos meses, quando devem ser anunciados investimentos em negociação com quatro montadoras para instalação de novas fábricas no país para garantir o pagamento de IPI menor.
Entre essas montadoras está a Hyundai, que será atingida pela decisão anunciada quinta-feira que eleva em 30 pontos percentuais a alíquota do IPI na importação de automóveis.
Um assessor diz que as outras montadoras atingidas deveriam seguir o exemplo da Hyundai e instalar fábricas no país para escapar da nova tributação.
A equipe econômica faz questão de destacar que a medida não faz parte do regime automotivo e que ela vai durar até o final de 2012.
A promessa é que, até lá, o governo exigirá mais investimentos em inovação tecnológica e redução de custos para manter o benefício fiscal das montadoras instaladas no país.
Folha de S.Paulo - IPI maior é protecionismo, admite governo - 18/09/2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário