quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Redução do álcool na gasolina garante abastecimento

Folha.com - Mercado - Redução do álcool na gasolina garante abastecimento, diz Lobão - 31/08/2011

Redução do álcool na gasolina garante abastecimento, diz Lobão

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LEILA COIMBRA
DO RIO
DE SÃO PAULO

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou nesta quarta-feira que a redução da mistura do etanol anidro na gasolina de 25% para 20% é uma decisão do governo que visa garantir o abastecimento do combustível no país.

A medida foi anunciada no dia 29.

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Questionado por jornalistas se a medida poderia ser prejudicial à Petrobras, que teria que importar mais gasolina para fazer frente ao consumo nacional com a redução da proporção de álcool na mistura, Lobão disse apenas que "se isso acontecer, será muito pouco".

Lobão falou com a imprensa após se reunir com o governador do Rio, Sergio Cabral, na tarde desta quarta-feira.

De acordo com analistas, porém, a estatal, que já importou 3,1 milhões de barris de gasolina neste ano, terá de continuar comprando o combustível do exterior para abastecer o mercado doméstico quando a redução do álcool começar a valer.

Segundo cálculos do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), serão necessários 550 mil barris de gasolina por mês a mais para cumprir a determinação do governo. Esse volume virá do exterior, por um preço mais alto que o praticado pela estatal no país.

"Se a importação continuar mais forte, o câmbio não mudar e a defasagem entre os preços permanecer igual, haverá impacto negativo dessas importações no resultado da área de abastecimento", diz Lucas Blendler, analista da Geração Futuro.

A decisão de reduzir o álcool na gasolina ocorre após a ampliação da importação dos produtos dos EUA. No mesmo sentido, em abril o governo já havia decidido alterar o intervalo percentual de álcool anidro que era permitido adicionar à gasolina. Por meio de medida provisória, foi estabelecido o piso de 18% e o máximo de 25% de adição, regra que alterou o intervalo de 20% a 25% em vigor até então.

Com isso, se achar necessário, o governo poderá reduzir ainda mais, para até 18%, o percentual de álcool na gasolina.

A medida foi tomada para tentar evitar a falta de etanol no mercado --o preço do combustível tem aumentado muito nas últimas semanas. Além disso, a produção de cana-de-açúcar no país deve ter queda de 5,6% na safra 2011/212, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Agricultura.

ENTENDA

Com o aumento do preço do álcool combustível (hidratado), o consumidor que tem carro flex migrou para a gasolina. A maior demanda pelo derivado de petróleo exigiu volume maior de anidro, cujo preço disparou.

O governo prevê que o menor percentual de anidro reduza seu preço e, por consequência, o da gasolina.

Outra decisão tomada pelo governo para evitar o desabastecimento é a redução da tributação das usinas de cana-de-açúcar produtoras de etanol.

Segundo o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, haverá uma diminuição de PIS/Cofins para essas empresas.

"O Ministério da Fazenda está preparando essas medidas e devem ser anunciadas em breve. Envolvem medidas de cunho fiscal, como o PIS/Cofins. Financiamento para renovação e tratamento dos canaviais detidos pelas usinas. Serão recursos do BNDES e a taxa de juros será diferenciada", afirmou Bertone.

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