BRASÍLIA -
VEJA TAMBÉM
Os altos preços cobrados pelos serviços de telecomunicações no Brasil se devem principalmente aos altos impostos estaduais, avaliou há pouco o secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Hamadoun Touré. A UIT é uma das agências especializadas da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o executivo, apesar de o governo federal estar fazendo a sua parte no sentido de baixar os tributos e as empresas estarem investindo em capacidade, o País poderá ficar atrasado em relação aos demais se os governos locais não derem incentivos ao setor.
"O Brasil tem um dos maiores impostos do mundo, e isso deixa uma imagem ruim no exterior", disse Touré. "Não é uma questão apenas de colocar os governos estaduais como a parte má da equação. É preciso explicar que se os impostos forem cortados pela metade, o número de usuários dobrará em um prazo curto, mantendo a arrecadação", acrescentou.
Para o secretário-geral da UIT, o recrudescimento da crise financeira internacional não deve ter grandes impactos para o setor de telecomunicações. Segundo ele, apenas uma grande empresa do segmento chegou falir entre 2008 e 2009, mas sem ligação direta com a turbulência global. "O setor financeiro entrou em crise por falta de regulação, mas o nosso setor é bem regulado", afirmou Touré durante palestra na sede da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Além disso, completou, a crise obrigou governos e empresas a serem mais eficientes, demandando mais tecnologia da informação em seus processos. "Na verdade, verificamos um aumento da demanda, tanto que setor criou novos empregos durante a crise", concluiu, destacando que os grandes eventos que o Brasil irá sediar nos próximos anos - como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos - praticamente garantem os investimentos necessários no setor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário