Importação de combustível deu US$ 10 bi de perda
Problemas no álcool e economia em alta impulsionaram compra de gasolina e diesel no exterior no ano passado
Foi o maior volume de importação registrado desde os anos 90, com 27,9 bilhões de litros até o mês de novembro
CIRILO JUNIORDO RIO
O país teve um prejuízo de cerca de US$ 10 bilhões com as importações de derivados de petróleo em 2011.
A demanda mais forte da economia e problemas no abastecimento de álcool combustível impulsionaram especialmente a compra de gasolina e diesel no exterior.
O prejuízo na balança de derivados do país é oriundo do mais elevado deficit, em termos de volume, registrado desde os anos 90.
Até novembro, foram 27,9 bilhões de litros trazidos do exterior, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), com base nos dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Isso significou gasto de US$ 17,9 bilhões, alta de 37% em relação a todo o ano de 2010.
Diante da receita de US$ 8,7 bilhões, o deficit financeiro até novembro já chegava a US$ 9 bilhões. A perspectiva é que 2011 feche na casa dos US$ 10 bilhões.
O volume importado de janeiro a novembro de 2011 já supera os 27,3 bilhões de litros adquiridos em outros países ao longo de 2010. Mantido o ritmo, o total importado deve ficar em torno de 31 bilhões de litros de derivados.
É um volume recorde de importação de derivados. De 2009 para cá, especialmente, a compra no exterior dobrou, com o aquecimento econômico e a crise do mercado de álcool -cuja oferta mingou e fez os preços do derivado da cana dispararem.
Já as exportações de produtos como gasolina, diesel, QAV (querosene de aviação) e nafta totalizaram 12,4 bilhões de litros no período de janeiro a novembro. A maior parte dessas movimentações é feita pela Petrobras.
Entre os derivados que compõem a balança comercial, gasolina e óleo diesel representam cerca de 70% do total. As importações de gasolina, por exemplo, triplicaram, impulsionadas por uma demanda interna que aumentou 18,3% em 2011.
Ainda que o Brasil seja autossuficiente na produção de petróleo, ou seja, produz mais barris do que consome, falta ao país capacidade para transformar todo esse óleo em derivados. O parque de refino nacional não ganha uma nova unidade desde 1980.
Para Alísio Vaz, que preside o Sindicom (Sindicato da Empresas Distribuidoras de Combustíveis), outro fator para o aumento da demanda por gasolina foi a redução da adição de álcool anidro.
Para conter a influência do aumento do preço do álcool na gasolina, o governo determinou que a gasolina nos postos contenha 20% de álcool. Anteriormente, eram 25% misturados à gasolina.
"Se o governo voltar a elevar a mistura de álcool anidro, pode aliviar a necessidade de importação de gasolina. Os produtores garantem que já há condições de que isso seja feito", afirma.
A própria Petrobras admite que a tendência é que a importação de gasolina, e possivelmente, óleo diesel, siga crescendo em 2012.Folha de S.Paulo - Mercado - Importação de combustível deu US$ 10 bi de perda - 14/01/2012
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