terça-feira, 24 de abril de 2012

Tribuna do Norte | Secretário concorda com críticas de Flávio Rocha

Tribuna do Norte | Secretário concorda com críticas de Flávio Rocha

Errou quem imaginou que o governo do Estado rebateria as declarações dadas pelo presidente das Lojas Riachuelo e vice-presidente do Grupo Guararapes, Flávio Rocha, à TRIBUNA DO NORTE, no último domingo. Benito Gama, secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, "assina embaixo" de tudo que Flávio disse, concordando que o RN é um ambiente hostil ao empresariado. À TN, Benito afirmou que o empresário havia sido 'feliz' em todas as suas colocações. Procurado pela equipe de reportagem, Flávio reafirmou tudo o que havia dito, mas continuou sem especificar o que tornaria o Estado tão hostil. Já em Natal, onde participa do Fórum Empresarial do RN e recebe uma comenda, Flávio Rocha, preferiu não comentar a repercussão que a entrevista teve.  Afirmou, entretanto, que o Grupo Guararapes, que está construindo uma fábrica no Ceará, pode mudar de ideia a qualquer momento e investir na fábrica potiguar.
Adriano AbreuBenito Gama concorda com tese de ambiente hostil citado por Flávio Rocha: Assino embaixo.Benito Gama concorda com tese de ambiente hostil citado por Flávio Rocha: Assino embaixo.

As declarações de Flávio Rocha foram interpretadas como um pedido de socorro por entidades de classe como a Federação das Indústrias do RN e a das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RN (FCDL/RN). O presidente da FIERN, Amaro Sales, agendou uma reunião com o empresário para traçar estratégias de enfrentamento aos problemas vividos pela Guararapes. "Há incompreensões de setores de regulação que dificultam o investimento e punem o empresário", admitiu Amaro Sales. Segundo o presidente da FCDL, Marcelo Rosado, Flávio Rocha não foi o primeiro a reclamar da hostilidade do RN. "Ouço isso de vários empresários, que estão no RN há décadas e agora montam investimentos em outros Estados".

Para Flávio Azevedo, ex-presidente da Fiern e atual vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), "estamos  sim vivendo num ambiente hostil". Insegurança jurídica, infraestrutura carente e incentivos tímidos estão expulsando os investidores do RN. Azevedo se recorda de vários empresários que vieram até o RN sondar o ambiente de negócios e acabaram optando por investir em estados com melhor  infraestrutura, como o Ceará,  citado por Flávio Rocha. "Se uma empresa com a potência da Guararapes se sente desestimulada a investir no nosso Estado, imagine as  de menor porte". Segundo Azevedo, o que mais pesa na balança é a falta de um planejamento racional de médio e longo prazo. O RN é um dos poucos estados que não contam com um plano  de industrialização. "Nossa política industrial é absolutamente inconsistente", afirma Azevedo. "O Estado também não tem uma política de incentivos definida", acrescenta. 

Benito Gama, da Sedec,  concorda que o "clima inibe investidor", sem especificar que clima seria esse nem como ele inibe o empresariado. O secretário, que veio de um Estado pujante como a Bahia, reconhece que o 'RN parou, enquanto os outros avançaram'. "Pernambuco tem  petroquímica, transnordestina, porto. O Ceará tem porto, transnordestina, siderúrgica. Nós não temos nada disso", compara. O secretário acredita, porém, que o Estado está virando o jogo. "Vamos nos colocar em pé de igualdade com os outros estados". 

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