PMDB deve assumir o controle de fundo de R$ 7,3 bi
Num instante em que o país ainda saboreia os ecos do Carnaval, o PMDB está na bica de assumir o controle de mais um cofre.
Um cofre de 7,3 bilhões, instalado na Fundação Real Grandeza. Trata-se do fundo de pensão dos funcionários de duas estatais: Furnas e Eletronuclear.
Reúne-se nesta quinta (26), às 14h, o Conselho Deliberativo do Real Grandeza. Vai à mesa a proposta de troca de dois dirigentes do fundo.
Deseja-se desalojar Sérgio Wilson Fontes e Ricardo Nogueira, respectivamente presidente e diretor de investimentos do Real Grandeza.
A dupla será substituída por Eduardo Henrique Garcia. É gerente financeiro de Furnas. No fundo de pensão, assumirá dois postos.
Eduardo Henrique será presidente efetivo do Real Grandeza. E responderá interinamente também pela diretoria de investimentos.
Por trás da dança de cadeiras está o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na foto lá do alto. É uma espécie de mandachuva da bancada fluminense do PMDB na Câmara.
A manobra conta com o aval do ministro Edson Lobão (Minas e Energia). Senador licenciado, Lobão foi à Esplanada por indicação de José Sarney (PMDB-AP).
O PMDB move-se à sombra. Não assume publicamente o interesse pelo domínio das arcas do Real Grandeza.
Comportou-se do mesmo modo em 2007. Naquele ano, valendo-se de uma manobra congressual, Eduardo lograra arrastar Furnas para a cota do PMDB.
Eduardo Cunha relatava na Câmara a emenda que propunha a renovação da CPMF. Ameaçara produzir um texto contrário aos interesses do Planalto.
Para amolecer as resistências do deputado, Lula concordou em entregar a ele a ao seu grupo a presidência de Furnas.
Foi ao cargo Luiz Paulo Conde. Ex-prefeito do Rio, cria de César Maia (DEM), Conde migrara para o PMDB.
Arquiteto, Conde não trazia na biografia nenhum conhecimento específico que justificasse a nomeação para a maior fornecedora de energia elétrica do país.
Desde então, o PMDB de Eduardo Cunha, ligado no Rio à ala do ex-governador Antony Garotinho, vem tentando achegar-se ao cofre do Real Grandeza.
Tentara uma vez, em novembro de 2007, três meses depois da posse de Conde. Tentara de novo em setembro do ano passado. E nada.
Vai-se nesta quinta (26) à terceira tentativa. Agora sem Conde, arrancada da presidência de Furnas por problemas de Saúde.
Chama-se Carlos Nadalutti Filho o substituto de Conde no comando de Furnas. É um técnico. Mas ascendeu ao posto com o aval do PMDB ‘garotinho’ de Eduardo Cunha.
Carlos Nadalutti determinou aos representantes de Furnas no conselho do Real Grandeza o reencaminhamento da proposta de substituição dos dirigentes.
Nada a ver com os apetites do PMDB, alega Carlos Nadalutti. Invoca-se uma razão vaga: dificuldades de relacionamento.
Sérgio Wilson Fontes e Ricardo Nogueira, o presidente e o diretor de investimentos que se deseja desalojar estão em pleno gozo de seus mandatos.
Os dois foram guindados aos respectivos postos em agosto de 2005. O mandato de ambos só expira em outubro de 2009.
Do ponto de vista técnico, não há razões objetivas para a substituição de Sérgio Wilson e de Ricardo Nogueira.
Chegaram ao Real Grandeza em 2005. Desde então, o fundo acumula rentabilidade de cerca de 80% sobre seu patrimônio.
Um patrimônio vistoso: R$ 7,3 bilhões, dos quais cerca R$ 6,5 bilhões compõem a parte não-imobilizada –disponível para investimentos.
Dessa vez, a proposta de troca-troca no Real Grandeza foi formalizada dois membros do conselho deliberativo do fundo.
O primeiro chama-se Victor Albano Esteves. Ele preside o conselho. O segundo é o conselheiro Wilson Neves dos Santos, que representa a Eletronuclear.
A adesão de Wilson Neves à proposta é o principal indício de que, nesta terceira tentativa, a manobra com cheiro de PMDB vai prevalecer.
Há no conselho do Real Grandeza seis pessoas –três representam as estatais e três eleitos pelos funcionários.
Até aqui, embora represente a Eletronuchelar no conselho, Wilson Neves vinha jogando do lado dos servidores. A mudança de lado abre caminho para a mudança.
Sentindo o cheiro de queimado, um representante de furnas pulou fora do conselho na semana passada: Ronaldo Neder.
Deveria ser substituído na votação desta quinta pelo suplente Marcos Vinicius Vaz. Mas ele também renunciou à cadeira.
Para evitar contratempos, Furnas acomodou na cadeira do conselheiro Ronaldo Neder o chefe de gabinete da presidência da estatal: Luiz Roberto Bezerra.
Assim, está montada a cena que deve dar ao PMDB o cofre do Real Grandeza. Ganha relevo uma pergunta do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE):
“Qual é a explicação lógica, a justificativa racional para que um partido como PMDB reivindique o comando e diretorias financeiras de uma estatal como Furnas?”
Aliado de Jarbas na articulação de uma frente suprapartidário anticorrupção, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) decidiu converter Furnas num dos itens da pauta do grupo.
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