cContas Abertas: "Lula mais perto de lanchas e jet skis no Lago Paranoá
A alta popularidade do presidente Lula parece ter reduzido a preocupação da equipe de segurança do Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência em Brasília, democratizando a utilização do Lago Paranoá. Isso porque a distância que separa as embarcações no Lago Paranoá do palácio, situado na beira do lago, diminuiu significativamente desde o começo do mandato do presidente. A margem de segurança, marcada por bóias e sinalizadores situados próximos à área do palácio, já chegou a medir cerca de 200 metros. Hoje, a distância que separa o terreno do palácio de onde passam lanchas, veleiros, jet skis e outras embarcações não ultrapassa os 20 metros (veja segunda foto abaixo).
O palácio fica há menos de dois quilômetros de um setor de clubes em Brasília, onde se localiza o Iate Clube, local onde boa parte das embarcações do Distrito Federal está concentrada. No caminho entre o Iate e a Ponte Juscelino Kubitschek, por exemplo, ponto turístico da capital federal, está situada a residência oficial. E por ali o tráfego é intenso, já que Brasília tem a terceira maior frota de embarcações de lazer do país. A cada fim de semana, cerca de 400 trafegam pelo Lago Paranoá.
A diminuição da margem de segurança foi comemorada pelos brasilienses que utilizam o lago, inclusive pelo medalhista olímpico Lars Grael, que mora em Brasília e treina e participa de competições no lago. Ele observou a redução e considera a medida positiva e um ato de bom senso. “A diminuição da margem, que vem ocorrendo gradualmente, continua preservando a segurança do palácio. Também houve a troca do balizamento por bóias visíveis e modernas. Acho que se diminuir mais do que o que vemos hoje, pode até induzir os condutores ao erro, como encalhar a embarcação”, afirma.
Há alguns meses, Lars chegou a comentar que a distância, que em 2005 era de cerca de 200 metros, prejudicava a navegação de embarcações no local. “Além disso, a distância exagerada induzia os condutores negligentes a passarem por dentro da margem de segurança”, lembra. O velejador disse ainda que pensou em fazer uma reclamação formal junto a Capitania dos Portos para que revisassem a distância da faixa de segurança no palácio. Mas abandonou a idéia assim que a redução começou a ocorrer.
Segundo a assessoria de comunicação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e do centro de comunicação social da Marinha, a redução da área de segurança entre as bóias e a margem foi feita para melhorar a segurança da navegação no local. Os órgãos informaram ao Contas Abertas, porém, que a diminuição não compromete a segurança orgânica do palácio. “O critério adotado para a utilização das marcações é manter o navegante a uma distância segura da área lacustre do Palácio da Alvorada, informando, ainda, por meio de sinalização náutica, uma situação especial de proibição de navegação na área”, afirma.
De acordo com a assessoria de imprensa e do centro de comunicação, em 2007 as bóias foram reposicionadas para local um pouco mais próximo da margem, pois estavam ocorrendo diversas colisões entre embarcações e as bóias existentes. “Após esse reposicionamento, o número de colisões caiu praticamente a zero”.
A “Linha de Segurança de Aproximação” sempre existiu e está estabelecida na Carta Náutica 2792 (Carta do Lago Paranoá). “Porém, no decorrer do tempo, a sinalização náutica na área foi aperfeiçoada, com aumento do número de bóias e equipamentos luminosos mais modernos, visando aumento do alcance luminoso. Atualmente, estão instaladas 10 bóias posicionadas a 20 metros da margem”, informam a assessoria.
Perguntados se a diminuição da distância não poderia representar eventual risco para a segurança no palácio, os órgãos informam que a medida de sinalização náutica não interfere na segurança do Palácio da Alvorada e que foi estabelecida em comum acordo entre a Delegacia Fluvial de Brasília e o GSI.
Palácio da Alvorada
O Palácio da Alvorada, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, é considerado uma das mais importantes obras da arquitetura de Brasília, pois foi o primeiro prédio construído em alvenaria na nova capital. Está localizado numa península que divide o Lago Paranoá em Lago Sul e Lago Norte. À sua frente, na margem posterior, localiza-se a Ermida Dom Bosco. A residência oficial foi inaugurada em junho de 1958.
O subsolo do palácio é composto por auditório para 30 pessoas, sala de jogos, almoxarifado, despensa, cozinha, lavanderia e a administração. No térreo estão situados os salões utilizados pelo presidente da República, para compromissos oficiais de governo. O primeiro andar constitui a parte residencial do Palácio, onde há quatro suítes, dois apartamentos e sala íntima.
Leandro Kleber
Do Contas Abertas"
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