domingo, 12 de abril de 2009

O ASSALTO

(Por Francisco de Assis Barros)
Sabemos que a violência neste país tornou-se um assunto corriqueiro e banal. A mídia está sempre nos mostrando assaltos, assassinatos e outros tipos de constrangimentos físicos ou morais. Todos os dias somos sabedores de atos violentos que, sempre, nos chocam sobremaneira.

Destarte, o assalto que passarei a narrar aqui foi diferente, e por que não dizer, humorístico, causado principalmente pelo álcool etílico.

Aquele bar estava cheio de figurinhas carimbadas. Bebuns contumazes e, alguns deles, já portadores de delirium tremens.

Já era tarde da noite quando três assaltantes entraram ali de armas em punhos e anunciaram o assalto. Em conseqüência da narcose etílica, nenhum dos presentes se aquietou, com exceção, é claro, do dono do bar.

– Um assalto? – disse o primeiro bêbado. – Vocês deixariam primeiro eu pagar a minha conta para diminuir o meu prejuízo?

Esta proposta já começou a amaciar a sanha dos meliantes:

– Autorização concedida – disse, autoritariamente, um dos bandidos. E os marginais mandaram que todos se deitassem no chão. Nesta hora, um segundo papudinho também se pronunciou:

– Eu não vou me deitar no chão, não! Estou com a minha melhor muda de roupas e não quero sujá-la!

Ele ficou tão firme na decisão de não se deitar naquele piso sujo, que os assaltantes, concedendo o segundo privilégio, o assaltaram de pé.

Quando eles estavam depenando a clientela do bar, um terceiro ébrio, antes de entregar o seu aparelho celular, fez também a sua reivindicação, no que foi também atendido:

– Deixe-me primeiro ligar para a minha patroa avisando que, houve um imprevisto, e eu vou chegar mais tarde.

Após todos os presentes serem devidamente assaltados em seus pertences, inclusive o caixa do bar, os assaltantes, após prenderem todos na cozinha, gritaram peremptoriamente:

– Fiquem ai e só saiam depois de decorrida meia hora!

Nesta hora, um quarto alcoólatra também resolveu se pronunciar:

– Ei, seu assaltante! – chamou ele.

- O que é agora? – respondeu irritadamente um deles.

E o bêbado fez a última e a mais esdrúxula das solicitações:

– Daria pra vocês devolverem o meu relógio? Como é que eu posso cronometrar meia hora que vocês nos deram sem meu relógio?

Foi um assalto repleto de concessões e regalias."

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