terça-feira, 2 de junho de 2009

Cidade Biz - BNDES pode rever contratos de pecuaristas que provoquem desmatamento na Amazônia



Banco quer que parceiros se responsabilizem pelas atitudes de seus fornecedores

01.06.2009 - 18:51

Redação

O BNDES poderá cancelar o crédito concedido a empresas pecuaristas, caso verifique que os recursos estão provocando desmatamento na Amazônia. Isso está previsto dentro das novas operações do banco, informou hoje, em entrevista à Agência Brasil, o chefe do departamento de meio ambiente da instituição, Eduardo Bandeira de Mello.

“Nós estamos exigindo das empresas líderes da cadeia que elas se responsabilizem pela atitude dos seus fornecedores”, afirmou. Mello admitiu que nas operações anteriores, o banco olhava mais para o licenciamento ambiental da indústria frigorífica, que, segundo ele, não mostra tudo.

“E o licenciamento não cobre tudo. Quando a gente financia as operações indiretamente, por meio de agentes financeiros, o que eles são obrigados a ver é o licenciamento. E, quando você olha o licenciamento de um grande frigorífico, você vai ver que com ele está tudo certo”.

O problema, segundo o técnico do BNDES, estaria ocorrendo com os fornecedores. “Às vezes, ele [frigorífico] está adquirindo o gado de um fornecedor que não está respeitando o Código Florestal, que está com algum tipo de pendência. É isso que nós estamos tentando corrigir nas operações que o banco vem apoiando de um a dois anos para cá”. Mello assegurou, contudo, que dentro de algum tempo tudo isso vai estar resolvido.

De acordo com o estudo Abatendo a Amazônia, divulgado hoje pelo Greenpeace, o BNDES estaria apoiando, com mais de R$ 2 bilhões, pecuaristas responsáveis pelo desmatamento da Floresta Amazônica.

Falando à Agência Brasil, o superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Sergio Weguelin, confirmou que a instituição entrou de sócio em algumas empresas da indústria pecuarista, com a ideia de “fortalecer o capital das empresas e trazê-las para a formalidade, para as regras de governança, para as regras ambientais, para a sustentabilidade”. Trata-se, segundo Weguelin, da busca de capacitação das companhias e a inserção em um processo de investimento adequado e sustentável.

Com Agência Brasil"

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