Lobão critica os ‘exageros’ da pasta gerida por Minc
José Cruz/ABrO ministro Edson Lobão (Minas e Energia) reacendeu em público uma polêmica que arde nos subterrâneos da gestão Lula.
Atacou os ambientalistas que se opõem a construção de novas hidrelétricas no Brasil.
Não mencionou o nome do colega Carlos Minc (Meio Ambiente).
Mas não deixou dúvidas quanto ao alvo. Disse que autoridades de dentro do governo estão “exagerando” na hora de pôr em prática a legislação ambiental.
"Hoje, usamos apenas um terço de nossa capacidade hidrelétrica. Teríamos o potencial de gerar 200 mil megawatts de energia...”
“...Mas as dificuldades criadas pelo Meio Ambiente criam embaraços para a construção".
Perguntou-se a Lobão se as críticas eram endereçadas ao ministério de Minc. Ele sorriu. E continuou atirando.
"As pessoas precisam entender que, se esses embaraços ocorrem, quem acaba pagando mais caro pela energia são os consumidores..."
"O embaraço de ambientalistas é um custo no bolso das pessoas".
Disse que, sem as hidrelétricas, o Brasil terá de recorrer a coisa bem pior. "Teríamos de buscar formas mais poluentes e mais caras". Mencionou a queima de carvão.
De resto, deu como favas contadas a construção de novas usinas nucleares no Brasil. Serão, segundo ele, 57 até 2050.
"Essa é uma energia sólida, limpa, barata e que devemos produzir no Brasil".
Afora Angra 3, que começou a andar a despeito da cara feia da equipe de Minc, Lobão anunciou para 2010 o início da construção de mais quatro usinas nucleares.
"Duas no Nordeste e duas no Centro-Sul". Segundo Lobão, três Estados pedem que as plantas nucleares sejam erigidas em seus territórios: Alagoas, Bahia e Sergipe.
Com tais declarações, Lobão entra na fila de desafetos públicos de Carlos Minc.
À frente dele estão Reinhold ‘Agronegócio’ Stephanes (Agricultura) e Alfredo ‘Estradas do PAC’ Nascimento (Transportes).
Minc dissera que Stephanes e Nascimento, munidos de “machadinhas”, corriam os corredores do Congresso para “retalhar” a legislação ambiental.
Incomodado, Lula chamou Minc para uma conversa. Enquadrou-o. Disse que não admitiria que a roupa suja ambiental fosse lavada nas páginas dos jornais.
Curiosamente, Lobão religou a máquina de lavar em Genebra. Viajou ao exterior como integrante da comitiva de Lula.
Ou o presidente não se fez entender ou seus ministros se fazem de desentendimentos. Durma-se com um barulho desses.
Escrito por Josias de Souza às 03h05
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