segunda-feira, 15 de junho de 2009

Lobão critica os ‘exageros’ da pasta gerida por Minc

José Cruz/ABr
O ministro Edson Lobão (Minas e Energia) reacendeu em público uma polêmica que arde nos subterrâneos da gestão Lula.

Atacou os ambientalistas que se opõem a construção de novas hidrelétricas no Brasil.

Não mencionou o nome do colega Carlos Minc (Meio Ambiente).

Mas não deixou dúvidas quanto ao alvo. Disse que autoridades de dentro do governo estão “exagerando” na hora de pôr em prática a legislação ambiental.

"Hoje, usamos apenas um terço de nossa capacidade hidrelétrica. Teríamos o potencial de gerar 200 mil megawatts de energia...”

“...Mas as dificuldades criadas pelo Meio Ambiente criam embaraços para a construção".

Perguntou-se a Lobão se as críticas eram endereçadas ao ministério de Minc. Ele sorriu. E continuou atirando.

"As pessoas precisam entender que, se esses embaraços ocorrem, quem acaba pagando mais caro pela energia são os consumidores..."

"O embaraço de ambientalistas é um custo no bolso das pessoas".

Disse que, sem as hidrelétricas, o Brasil terá de recorrer a coisa bem pior. "Teríamos de buscar formas mais poluentes e mais caras". Mencionou a queima de carvão.

De resto, deu como favas contadas a construção de novas usinas nucleares no Brasil. Serão, segundo ele, 57 até 2050.

"Essa é uma energia sólida, limpa, barata e que devemos produzir no Brasil".

Afora Angra 3, que começou a andar a despeito da cara feia da equipe de Minc, Lobão anunciou para 2010 o início da construção de mais quatro usinas nucleares.

"Duas no Nordeste e duas no Centro-Sul". Segundo Lobão, três Estados pedem que as plantas nucleares sejam erigidas em seus territórios: Alagoas, Bahia e Sergipe.

Com tais declarações, Lobão entra na fila de desafetos públicos de Carlos Minc.

À frente dele estão Reinhold ‘Agronegócio’ Stephanes (Agricultura) e Alfredo ‘Estradas do PAC’ Nascimento (Transportes).

Minc dissera que Stephanes e Nascimento, munidos de “machadinhas”, corriam os corredores do Congresso para “retalhar” a legislação ambiental.

Incomodado, Lula chamou Minc para uma conversa. Enquadrou-o. Disse que não admitiria que a roupa suja ambiental fosse lavada nas páginas dos jornais.

Curiosamente, Lobão religou a máquina de lavar em Genebra. Viajou ao exterior como integrante da comitiva de Lula.

Ou o presidente não se fez entender ou seus ministros se fazem de desentendimentos. Durma-se com um barulho desses.

Escrito por Josias de Souza às 03h05

Nenhum comentário: