Larissa domingos
Oportunidade: Evânia (no centro) deixou de ser catadora de lixo para trabalhar em cooperativa de reciclagem. "Melhorei minha renda e minha vida", diz |
Objetivo: Simões, da Coca-Cola, vê o projeto como uma possibilidade de transformação social |
Uma pesquisa realizada recentemente pela consultoria inglesa International Business Report (IBR) chegou a uma conclusão surpreendente. Após entrevistar 7.200 empresas de 36 países (no Brasil foram 150), o estudo demonstrou que os empresários ficariam divididos se tivessem que escolher entre preservar o meio ambiente ou manter a rentabilidade de seus negócios.
De acordo com o trabalho, 51% dos executivos afirmaram que adotariam práticas ecologicamente corretas, mesmo se isso afetasse os lucros. No Brasil, 43% disseram que colocariam a temática verde à frente do desempenho financeiro de suas companhias.
O levantamento é um retrato preciso da importância que a sustentabilidade ganhou nos últimos anos. Nesse campo, nenhum tema tem preocupado tanto as grandes corporações quanto a reciclagem. É fácil de entender. A reutilização de materiais diminui o acúmulo de dejetos, poupa a natureza da extração de seus recursos e ajuda a reduzir a poluição da água, do ar e do solo. No Brasil, poucas empresas dedicam tanto tempo - e recursos - à reciclagem quanto a Coca-Cola. A empresa investe por ano R$ 1,5 milhão em programas de reciclagem realizados em 21 Estados brasileiros.
Por meio do Instituto Coca-Cola, a maior companhia de refrigerantes do mundo mantém parceria com 70 cooperativas que realizam o trabalho de coleta e preparação de materiais que serão reutilizados pela indústria. "A meta é chegar a 100 cooperativas em 2011", diz Marco Simões, diretor de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil. O executivo afirma que o foco do programa é o benefício social que ele pode gerar. Segundo Simões, a Coca-Cola incentiva a criação das cooperativas, ajuda na capacitação dos trabalhadores e doa materiais, desde roupas, equipamentos de segurança e esteiras industriais até caminhões para o transporte dos produtos.
"Nosso interesse é ajudar quem tem pouca ou nenhuma formação e capacitar esses trabalhadores", diz. O valor captado pelas cooperativas não é repassado para a empresa, nem em forma de desconto na compra de matéria-prima. "O programa atua na integração da sociedade, diminuindo riscos sociais, melhorando condições de vida e criando futuros consumidores", afirma.
Evânia Roque de Almeida, 37 anos, é exemplo disso. Antes de ser contratada como ajudante da Rio Coop 2000, cooperativa localizada no Rio de Janeiro e que tem o apoio da Coca-Cola Brasil, era catadora em um depósito de lixo. "Na cooperativa, tenho renda maior e não enfrento o perigo e a falta de higiene do trabalho anterior", diz Evânia.
A Coca-Cola é uma das maiores usuárias do mundo de garrafas PE T. Embora sejam práticas e seguras no manuseio, ao contrário das antigas embalagens de vidro, elas cobram um preço ambiental. Sua decomposição pode durar centenas de anos.
Iniciativas como as realizadas pela Coca-Cola são vitais, portanto, para a preservação da natureza. O Brasil é um dos campeões mundiais em reciclagem. Segundo a Associação da Indústria PET, em 2007 - data do último censo realizado pela entidade - o País reciclou 53,5% das 432 mil toneladas de garrafas PET produzidas no ano. O índice brasileiro é duas vezes maior que o dos Estados Unidos.
Istoé: Dinheiro
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