segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Petroleira inglesa diz que pré-sal pode tornar o Brasil o 4º maior produtor de petróleo do mundo



Antonio Machado

O novo marco regulatório da atividade petrolífera para os campos oceânicos do pré-sal vai muito além da rixa entre os governadores dos estados beneficiados pela exploração de petróleo e o governo.
As dimensões que importam também não estão no espaço da ideologia entre mais ou menos Estado na condução dessa riqueza.

A petroleira inglesa BP, sócia da Petrobras nos campos de pré-sal licitados na Bacia de Santos antes da nova regra, diz que o Brasil pode saltar do 13º para o 4º lugar entre os maiores produtores globais, depois da Arábia Saudita, Rússia e EUA. Que seja metade disso e é muito.

A expectativa é que a área total do pré-sal, que vai do litoral do Espírito Santo a Santa Catarina, esconda algo como 100 bilhões de barris de óleo, segundo o presidente da Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo (ABGP), Marcio Rocha Mello, citado pela Offshore Magazine – publicação de Houston, respeitada nos meios técnicos da indústria e muito bem informada sobre a Petrobras.

“A Bacia de Santos é uma das maiores jóias geológicas em tempos recentes que a natureza ofereceu à indústria de óleo e gás”, disse o presidente da GAP Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, à mesma Offshore. A GAP, de Portugal, é sócia da Petrobras em Tupi, onde estão mais avançados os trabalhos de perfuração e tende a ser não só a primeira como por algum tempo a maior exploração do pré-sal.

Embora com apenas 10% da sociedade de propósito específico (SPE) formada com a Petrobras, dona de 65%, e a inglesa BG Group (25%) para explorar Tupi sob o regime de concessão - já que antecede o novo modelo que o governo enviará ao Congresso, assentado na regra de partilha -, o pré-sal mudou a vida da GAP.

Pelo que espera de Tupi e outros campos da Bacia de Santos em que está associada à Petrobras, a portuguesa GAP decidiu mudar o foco de seus negócios de refino e comércio para a exploração e produção (E&P, no jargão). Portugal não tem uma gota de petróleo.

Outra referência respeitada pelo mercado de petróleo no mundo, a consultoria Wood Mackenzie (WM), da Inglaterra, diz que, apesar de “atrasos potenciais” e “incertezas à frente”, “é certo que a Bacia de Santos fará do Brasil um poderoso produtor global de óleo e gás nas próximas décadas”.

Para a WM, o pico da produção de Tupi, que ela projeta em 1 milhão de barris/dia para 2022, faz desse campo “uma das descobertas mais significativas nos últimos vinte anos”.

Petrobras no Guinnes

O cronograma prospectivo da Petrobras é mais otimista do que o da Wood Mackenzie. Pelo seu último plano de negócios, de fevereiro, a produção total de petróleo no Brasil, hoje abaixo de 2 milhões de barris/dia, saltará para 2,680 milhões em 2013, 3,340 milhões em 2015 e 3,920 milhões em 2020.

O seu plano de investimentos de 2009 a 2013 é de US$ 174 bilhões, dos quais US$ 105 bilhões apenas para exploração e produção, incluindo águas rasas e o pré-sal.

São números portentosos. Nenhuma outra petroleira tem no mundo um volume de investimentos dessa grandeza, segundo a inglesa BP.

23 gigantes em Santos

O pré-sal até 2013, com base nos dados da Offshore, consumirá da Petrobras US$ 29 bilhões de investimentos, 28% do que investirá no período em E&P. Até 2020, diz ela sem citar a fonte, a Petrobras prevê investir um total de US$ 111 bilhões em projetos do pré-sal.

No campo de Tupi, atualmente em trabalhos de teste, é onde estão as maiores apostas. O projeto piloto de exploração começa no fim de 2010 com a plataforma Angra dos Reis, com capacidade de 100 mil barris/dia de óleo, 5 milhões de metros cúbicos/dia (MMc/d) de gás e armazenagem de 1,6 milhão de barris.

Até 2020 estarão na Bacia de Santos 23 plataformas (FPSO, da sigla em inglês) semelhantes.

Números para avaliar

A produção comercial em Tupi, diz a Offshore, está projetada para 2013, com 219 mil barris/dia, aumentando para 368 mil em 2014, 528 mil em 2015, 952 mil em 2016, chegando a 1,815 milhão/dia em 2020.

Tupi é só um dos campos do pré-sal na Bacia de Santos. Já dá para antever o tamanho do negócio. E também do volume de dinheiro que a Petrobras terá de mobilizar, se for a exploradora exclusiva como o governo propõe nos projetos de lei ao Congresso.

A grande discussão sobre a eficácia do novo modelo proposto pelo governo se faz a partir desses números. O resto - se a proposta é estatizante, se tolhe os estados -, é de menos. Custo, receita e o prazo de realização do pré-sal são os fatores-chaves. Além, claro, da consistência macroeconômica do plano de negócios.

Questões ao Congresso

Com a produção nas mãos do governo, pois o dinheiro privado é só parte do investimento - o senso do modelo de partilha - associado à Petrobras, seu ritmo e volume serão os que o Tesouro puder bancar, isto é, o brasileiro. Essa é a 1ª questão para o Congresso.

Outra questão é a promessa de retorno social do pré-sal. Ela é verdadeira, mas há o custo para viabilizá-lo. Acima das preocupações bobocas sobre estatização, é nesse plano que se situa a questão de mais ou menos Estado.

A 3ª é o ritmo de produção. Se maior ou menor, é função do financiamento, do mix entre capitais públicos e privados. Qual é a dosagem? O modelo definirá, dependendo do que o Congresso decidir.


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