terça-feira, 11 de agosto de 2009

"Reciclagem de entulho para geração de empregos

No Brasil, 160 mil toneladas de entulho são geradas todos os dias. Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), apenas a metade dessa quantidade é coletada pelas prefeituras. Um problema que fica ainda maior quando se descobre o destino desse material: aterros. Um impacto ambiental de grandes proporções que preocupa engenheiros especializados em meio ambiente. A solução, para eles, deve ser a reciclagem do material, que pode gerar emprego e renda para muitos brasileiros.

Em Brasília, o professor engenheiro civil Paulo Celso Gomes, da UnB, desenvolve uma pesquisa sobre a reciclagem do entulho. Ele estima que, nos lixões das grandes cidades, até 70% dos resíduos sejam de obras da construção civil. Desse total, até 80% poderia ser reciclado. “O entulho reciclado pode ser utilizado como brita em obras de leito e subleito, base e sub-base em pavimentação. Outro uso é o do cimento reciclado em aplicações não estruturais”, informa Gomes.

A equipe do professor já treinou seis cooperativas de catadores de lixo da região do Distrito Federal para operar uma usina de reciclagem. A planta pode empregar 14 pessoas em um turno de 4 horas de trabalho.

Comercialmente, ainda há dificuldades no processo. O material que chega aos lixões já foi explorado por outros catadores, que retiram as partes mais valiosas. Isso diminui o valor comercial do entulho na hora da reciclagem.

“Mesmo assim, o trabalho de quem recicla o entulho deve ser valorizado, sob a forma de pagamento, pois o governo diminui os custos de operação dos lixões. Por isso, acho que a reciclagem de entulho é capaz de fazer uma inclusão socioambiental”, argumenta Gomes.

A Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos reconhece que o reaproveitamento de resíduos da construção civil ainda é pouco significativo, e só poderá crescer à medida que se desenvolva um grande mercado de utilização segura do entulho reciclado.

DF poderá usar entulho reciclado em obras públicas
No Distrito Federal, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) retira das ruas 110 mil toneladas de entulho todos os meses. Quantidade que impressiona quando comparada ao lixo comercial e residencial que é coletado (58 mil toneladas).

A diretora-geral do SLU, Fátima Có, informa que os responsáveis pelo descarte ilegal na capital do Brasil são os carroceiros (20%) e as próprias empresas coletoras (10%).
Para diminuir o problema, a companhia planeja e promete construir 107 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) para a coleta de entulho. “Cada ponto terá caixas para receber o entulho da população. Cada pessoa poderá enviar até 1 metro cúbico de entulho por viagem. Nesse material, não será permitido nada orgânico. Quem tiver materiais especiais, como tintas, lâmpadas e isopor, também poderá depositar nos PEVs”, declara Fátima.

Os primeiros PEVs já estão em construção e devem ficar prontos até dezembro, em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. Cerca de 40 já obtiveram licenciamento ambiental e regularização perante a empresa de ordenamento territorial.

Todo o material recolhido será levado para áreas de transbordo e triagem pública, onde empresas e cooperativas poderão fazer a reciclagem do material. A diretora do SLU informa que já existe articulação para editar uma lei distrital que obrigue a substituição de até 15% do cascalho e da brita em obras públicas por entulho reciclado.

Ibama e prefeituras devem fiscalizar o descarte
O Ibama fiscaliza junto com as prefeituras as atividades de descarte de entulho. Segundo o chefe da Divisão de Fiscalização de Poluição e Degradação Ambiental do órgão, José Aníbal Batista, dos componentes do entulho, o que causa maior impacto no meio ambiente é o cimento.

Situação comum nas grandes cidades, o descarte de entulho em locais protegidos, como parques ecológicos, por exemplo, é crime. “O Ibama atua multando quem comete essa irregularidade, mas também é importante que as prefeituras sejam mais rigorosas na coibição desses crimes ambientais”, diz Batista.

Segundo o chefe da divisão, o Ibama não possui pesquisa sobre as quantidade de multas expedidas por causa de depósito irregular de entulho, mas o instituto contratará novos funcionários para tratar mais especificamente dessa questão.


Thiago Tibúrcio
Assessoria de Comunicação do Confea"

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