terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Meta alta compromete progresso


Às vésperas da Conferência de Copenhague sobre mudança climática, organizada pela Organização das Nações Unidas, Manaus discutirá, entre outros assuntos, exatamente o tema central do encontro na Dinamarca: metas para redução de emissão de gás carbônico. Palestra ministrada pelo líder de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, José Antonio Marengo Orsini, será explicativa e abrangerá aspectos gerais sobre o assunto. A apresentação acontecerá no dia 4 de dezembro, durante a 66ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (Soeaa).

Explicações sobre o que exatamente é mudança climática, quais são os indicadores no Brasil, índices de chuva e temperatura e como esses índices afetam o clima são alguns aspectos do conteúdo da apresentação de Orsini. “Pretendo fazer também uma pequena discussão de políticas, ações de governo e medidas que podem ser adotadas para reduzir as emissões de gás carbônico”, disse. Orsini comentou que fará uma dinâmica para ouvir manifestações da plateia. “Eu gostaria de saber o que as pessoas pensam sobre mudança climática, se elas sabem o real significado do conceito”.

Marengo é cientista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foca suas pesquisas na área de estudos científicos sobre a Terra. A Soeaa acontecerá de 2 a 5 de dezembro em Manaus, enquanto que a Conferência de Copenhague da ONU ocorrerá de 7 a 18 de dezembro, após negociações lideradas pela ONU para elaboração de um acordo que deve substituir o Protocolo de Kyoto (válido até 2012).

Metas
“Não há uma fórmula mágica para todos os países. Cada país tem que ter a sua meta, não pode ser uma meta comum a todos”, diz Marengo. Ele cita o exemplo da África, que emite quase nada de gás carbônico. Se o continente tiver que reduzir a mesma porcentagem que um país poluidor, não haverá como fazer essa redução. “As pessoas sugerem metas, mas sem um estudo específico. Não se pode estabelecer uma meta de 30% quando não há possibilidade de ser cumprida. Isso será cobrado depois”, explica. Ele acredita no equilíbrio, pois explica que ao se fechar muitas indústrias, muitos empregos acabam. “Ninguém quer se comprometer”, afirma.

Na opinião de Marengo, as maiores metas deveriam ficar para os países poluidores, como Estados Unidos e alguns países europeus. “Mas as nações em desenvolvimento também têm que ter, se não os ricos não querem obedecer ao estabelecido”, acredita. “Precisamos fazer um acordo, mas fica um pouco complicado pensar em metas fixas”.

Para o Brasil, Marengo acredita que a meta ideal de redução da emissão de gás carbônico é de 15 a 20%. “Se reduzirmos muito, podemos parar o progresso. Por isso que é tão complicado”. O pesquisador explica que no Brasil a maior emissão é pelo desmatamento, não por indústrias. Para ele, o maior cuidado que o Brasil deve ter em relação a desmatamento é com a Amazônia. “Se a Amazônia perder sua cobertura vegetal, o clima será mudado de forma extrema, muito forte. Teremos uma mudança climática muita rigorosa. Os impactos seriam intensos”, explica. Para ele, a solução é um plano de desenvolvimento sustentável. O aproveitamento de recursos de maneira sustentável, com geração de emprego e exportação de produtos certificados poderia gerar um progresso não maléfico ao meio ambiente. “Dá para fazer isso de um jeito que se mantenha um clima equilibrado”.

O debate sobre mudança climática acontece dentro da programação da Soeaa no dia 4 de dezembro, às 8h30.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea"

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