quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Análise: Aceleração da inflação não é explicada somente por alimentação

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Preços de bens duráveis e de serviços também seguem pressionando o IPCA, como ocorre em novembro
23/11/2010 - 11:58 - Redação


Depec-Bradesco *

O resultado do IPCA-15 de novembro trouxe mais uma surpresa para cima, corroborando a trajetória de aceleração da inflação ao consumidor esperada para a segunda metade do ano. O IPCA-15 apresentou alta de 0,86%, acima das nossas expectativas (0,73%) e da mediana do mercado (0,72%), conforme divulgado hoje pelo IBGE. No mês anterior, o IPCA havia registrado alta de 0,75%. Na variação acumulada em 12 meses, o índice também apresentou aceleração, com alta de 5,67%, ante 5,20% no mês anterior, considerando esse resultado como encerramento de novembro.

Alimentos como carne e feijão puxam alta de 0,86% no IPCA-15 em novembro.

Nessa divulgação, a categoria de alimentação e bebidas continuou registrando a maior contribuição para o resultado geral, com alta expressiva, de 2,11% ante 1,89% no fechamento do mês anterior, o que representou contribuição de 0,48 ponto percentual. Também se destacou o item de transportes, que acelerou de -0,07% para 0,47% em novembro, motivado pelos preços de combustíveis (2,22%); assim como o componente de vestuário, que acelerou de 0,62% em outubro para 1,17% nesta divulgação, embora tenha seguido o padrão da sazonalidade.

As medidas de núcleo se revelaram ainda mais pressionadas até a primeira quinzena desse mês, se comparadas ao resultado fechado de outubro: o núcleo por expurgo subiu de 0,55% em outubro para 0,61%, ficando acima das variações do mesmo mês dos últimos três anos, ao passo que o IPCA DP3 passou de 0,59% para 0,68%.

Corroborando essa aceleração, os preços de bens duráveis passaram de 0,08% para 0,21%, sendo que o item de automóveis usados subiu 1,46%. Os preços de serviços, por sua vez, mantiveram-se pressionados, ao se elevarem 0,49% (a mesma variação de outubro), acumulando alta de 7,38% em 12 meses. Nesta categoria, destacamos as altas de empregados domésticos (1,34%) e de aluguel (1,05%).

Para os próximos meses, não devemos esperar grandes alívios de curto prazo para os índices de preços ao consumidor, bastante influenciados por alimentação, mas também por núcleos em patamares mais elevados. Dessa forma, nossa expectativa para o IPCA em 2010 se encontra em 5,80%.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco



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