quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Cartilha apresenta idéias para boa governabilidade de prefeitos

Contas Abertas*

Como elaborar um plano para os 100 primeiros dias de gestão? Como montar a equipe de governo? Como aproveitar os momentos de alta governabilidade para agir? Como lidar com crises? Essas são algumas perguntas apresentadas e respondidas na publicação “um método para governar”, lançado este mês pelo Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam), em parceria com o Instituto de Economia da Unicamp.

O objetivo do trabalho é aumentar a capacidade de gestão dos prefeitos eleitos nas eleições municipais de 2008. Veja aqui.

Para o presidente do Cepam, Felipe Soutello, os novos prefeitos devem ter, em primeiro lugar, um plano com visão em longo prazo para cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral. “É preciso reconhecer que existem vários atores que jogam o jogo social e que as circunstâncias às vezes estão fora do controle da prefeitura. É preciso também monitorar as etapas do plano de governo e seus resultados”, afirma, na apresentação do documento. O trabalho contou com a participação de dez prefeitos e prefeitas de cidades do interior de São Paulo.

“Sistematizar uma metodologia de governo é uma tarefa difícil, pois, além de compreender os problemas inerentes ao dia-dia de uma administração municipal, é preciso entender o contexto e o entorno atuais que inspiram e influenciam diretamente o cotidiano desse importante ente federado”, afirma Zenaide Sachet, da coordenação do projeto.

A versão online da publicação disponibiliza dez quadros de Excel onde os prefeitos podem preencher campos ligados a assuntos diversos relacionados à governabilidade. No tópico “surpresas”, por exemplo, há informações sobre como se preparar, agir e reagir a ocorrências não esperadas como enchente em um determinado bairro. A cartilha aponta as principais medidas que podem ser adotadas antes, durante e depois do problema – limpeza de bueiros e córregos da região (para evitar a possibilidade dos problemas), remoção de habitações em áreas de riscos (altera o impacto do desastre) e resgate e alojamento de famílias afetadas (reação ao impacto provocado).

A planilha a ser preenchida pelos gestores traça quais serão os custos de implementação dos planos e pergunta se o prefeito está disposto a colocar em prática as idéias planejadas. O gestor ainda tem a chance de responder sobre qual impacto terá a imagem da sua gestão caso ocorra uma surpresa do tipo climática.

Os primeiros 100 dias de governo também devem ser bem trabalhados pelos prefeitos. Segundo a cartilha, três questões são fundamentais para que a gestão não seja prejudicada:

• Quais são os serviços essenciais ao município e quais são os programas e projetos da gestão anterior que não podem ser interrompidos ou deixar de ser oferecidos (merenda escolar, por exemplo).

• Quais são as possíveis causas de interrupção da prestação desses projetos (término do contrato com a prestadora de serviços após 15 dias de início de gestão).

• Qual é o resultado pretendido ao enfrentar as possíveis causas da interrupção da prestação desses serviços (novo contrato assinado com empresas fornecedoras de merenda escolar.

* Matéria de Leandro Kleber, do Contas Abertas.

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