Contas Abertas:
"PAC: em 32 meses, apenas 10% das obras foram concluídas
Novo levantamento realizado pelo Contas Abertas (CA), a partir dos relatórios estaduais apresentados pelo comitê gestor do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na penúltima semana, revela que 1.229 projetos foram concluídos após dois anos e oito meses do lançamento do programa - incluindo os três eixos: infraestruturas logística, energética e social-urbana. O número representa 9,8% de um total de 12.520 empreendimentos listados nos relatórios, previstos nas 27 unidades da federação para o período 2007-2010 e pós 2010. Cerca de 62%, que equivalem a 7.715 projetos, ainda não saíram do papel, ou seja, estão em fase de “contratação”, “ação preparatória” (estudo e licenciamento) ou “licitação” (desde o edital até o início do projeto). Outras 3.576 ações (29%) estão em execução ou em obra. para continuar lendo clique no titulo
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Folha de S.Paulo - Editoriais: Governismo no Nordeste
- 25/12/2009
Folha de S.Paulo - Editoriais: Governismo no Nordeste<br> - 25/12/2009: "Governismo no Nordeste
QUALQUER PROGNÓSTICO que se faça a respeito das eleições do ano que vem deve ressalvar que ainda falta muito para que o eleitor defina seu voto. Não obstante, é possível extrair elementos preliminares de análise sobre a sucessão nos Estados da mais recente rodada de pesquisas do Datafolha em dez unidades da federação.
Chama a atenção que os atuais governantes despontem como favoritos nos três Estados pesquisados do Nordeste. Na Bahia, o petista Jaques Wagner está à frente, oscilando entre 39% e 43%, a depender do cenário. Quem mais o incomoda é o ex-governador democrata Paulo Souto, que chega a atingir 25%.
A situação de Cid Gomes, no Ceará, e de Eduardo Campos, em Pernambuco, ambos governadores do PSB, é ainda mais folgada. Os dois hoje venceriam em primeiro turno. Gomes atinge 49% num dos cenários, enquanto o tucano Tasso Jereissati, seu principal adversário, não passa de 25%. Campos atinge teto ainda mais expressivo -68%- e não tem rivais no horizonte. É um quadro que tende a favorecer a candidatura presidencial de Dilma Rousseff (PT) na região.
É outra a situação nos dois principais Estados do Sul, região onde a vantagem da candidatura presidencial do governador José Serra é hoje mais expressiva.
No Paraná, as preferências se dividem entre o prefeito tucano Beto Richa (40%) e Osmar Dias (38%), do PDT. Embora pertença a partido da base política de Lula, a base social do senador está mais próxima do campo tucano. O perfil anfíbio de sua candidatura torna o quadro complexo.
No Rio Grande do Sul, onde a governadora tucana Yeda Crusius sofre grande desgaste, a disputa tende a se polarizar entre José Fogaça (PMDB) e o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT). Enquanto há no Nordeste um favoritismo das forças que apoiam Lula, nos Estados do Sul a disputa se revela mais acirrada entre os governistas e a oposição."
QUALQUER PROGNÓSTICO que se faça a respeito das eleições do ano que vem deve ressalvar que ainda falta muito para que o eleitor defina seu voto. Não obstante, é possível extrair elementos preliminares de análise sobre a sucessão nos Estados da mais recente rodada de pesquisas do Datafolha em dez unidades da federação.
Chama a atenção que os atuais governantes despontem como favoritos nos três Estados pesquisados do Nordeste. Na Bahia, o petista Jaques Wagner está à frente, oscilando entre 39% e 43%, a depender do cenário. Quem mais o incomoda é o ex-governador democrata Paulo Souto, que chega a atingir 25%.
A situação de Cid Gomes, no Ceará, e de Eduardo Campos, em Pernambuco, ambos governadores do PSB, é ainda mais folgada. Os dois hoje venceriam em primeiro turno. Gomes atinge 49% num dos cenários, enquanto o tucano Tasso Jereissati, seu principal adversário, não passa de 25%. Campos atinge teto ainda mais expressivo -68%- e não tem rivais no horizonte. É um quadro que tende a favorecer a candidatura presidencial de Dilma Rousseff (PT) na região.
É outra a situação nos dois principais Estados do Sul, região onde a vantagem da candidatura presidencial do governador José Serra é hoje mais expressiva.
No Paraná, as preferências se dividem entre o prefeito tucano Beto Richa (40%) e Osmar Dias (38%), do PDT. Embora pertença a partido da base política de Lula, a base social do senador está mais próxima do campo tucano. O perfil anfíbio de sua candidatura torna o quadro complexo.
No Rio Grande do Sul, onde a governadora tucana Yeda Crusius sofre grande desgaste, a disputa tende a se polarizar entre José Fogaça (PMDB) e o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT). Enquanto há no Nordeste um favoritismo das forças que apoiam Lula, nos Estados do Sul a disputa se revela mais acirrada entre os governistas e a oposição."
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Ministério do Meio Ambiente ainda tem R$ 662 milhões para aplicar em 2009
Contas Abertas:
"Enquanto na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15) os líderes mundiais afirmaram que é necessário aplicar bilhões de dólares em políticas de meio ambiente para diminuir a emissão de gases estufa na atmosfera, as aplicações do Ministério do Meio Ambiente brasileiro não estão no ritmo desejado por ambientalistas. Dos R$ 2 bilhões autorizados em orçamento para uso neste ano (já excluindo o montante de R$ 1,5 bilhão retido na reserva de contingência), a pasta desembolsou apenas R$ 1,4 bilhão até o último dia 14; isto é, 68% do total. Ou seja, faltando menos de 15 dias para acabar o ano, o ministério ainda tem um orçamento previsto de R$ 662 milhões para utilizar (veja tabela).
O ritmo de execução aquém do ideal se reflete nos principais programas administrados pela pasta. No programa de “prevenção e combate ao desmatamento, queimadas e incêndios florestais – Florescer”, por exemplo, um dos mais importantes em termos de volume de recursos do MMA, com dotação de R$ 111 milhões para 2009, a pasta desembolsou, incluindo os chamados “restos a pagar” (dívidas de anos anteriores), apenas R$ 67 milhões, quantia que representa 60% do total. Já com a rubrica de “conservação e recuperação de biomas brasileiros”, também um dos mais contemplados em termos de dotação prevista, a pasta aplicou R$ 55 milhões de um montante orçado de R$ 81 milhões (68%). Clique aqui para ver todos os programas do ministério.
A situação também não é favorável quando considerados apenas os investimentos, ou seja, execução de obras e compra de equipamentos. O Ministério do Meio Ambiente, ao qual estão vinculados órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e a Agência Nacional de Águas (ANA), investiu R$ 41 milhões neste ano, sendo que a previsão para 2009 era desembolsar R$ 101 milhões. O montante aplicado equivale a 40% do orçado. As despesas com pagamento de pessoal e encargos, por sua vez, estão sendo mais bem executadas, até por serem gastos obrigatórios. Do orçamento global da pasta, R$ 2 bilhões, pouco mais de R$ 1 bilhão é destinado a custeio de funcionários e benefícios previdenciários. Até a semana passada, R$ 890 milhões foram despendidos com o item.
Para Márcio Astrini, coordenador da campanha de combate ao desmatamento na Amazônia do Greenpeace, o orçamento do Ministério do Meio Ambiente é “pequeno” e não está integrado a retórica em Copenhague. “É um orçamento minúsculo. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse em Copenhague que o meio ambiente é muito importante, mas na hora de destinar recursos para o setor, equipar o Ibama e fazer cumprir as leis, vemos que o discurso se difere da prática”, avalia. “O problema não é só o quanto você tem de orçamento, mas quanto se investe na solução ambiental”, acrescenta.
Astrini também critica o fato do Brasil não possuir informações sobre todas as áreas desmatadas. “Não há mapeamento sobre quais áreas estão abandonadas, quais produzem alimentos, quais destas áreas podem ser recuperadas ou sobre a infraestrutura necessária para restaurá-las. Também não temos uma regularização fundiária e cadastramento fundiário universal. Não há dados. No Mato Grosso, por exemplo, estado mais avançado neste aspecto, apenas 30% das propriedades são mapeadas e se sabe informações sobre as áreas”, diz. “Se não sabemos quem são os proprietários dos espaços desmatados, não temos como fazer valer a legislação e aplicar punições”, afirma.
O Contas Abertas entrou em contato com a assessoria de imprensa do MMA para comentar os dados. No entanto, uma das pessoas responsáveis pelo setor de planejamento e orçamento da pasta, que iria se manifestar sobre o assunto, não foi encontrada no momento das ligações. No começo da tarde, a reportagem irá retornar o contato. Orçamento do Meio Ambiente cresceu nos últimos seis anos Apesar da execução orçamentária não estar em um patamar considerado ideal neste ano, entre 2003 e 2008 o desembolso de recursos em benefício do meio ambiente – total pago incluindo os chamados “restos a pagar” – cresceu R$ 290,7 milhões, ou seja, 25% em termos reais. Já os recursos previstos em orçamento cresceram 70%, entre 2003 e 2009, saltaram de R$ 2,1 bilhões em 2003, para R$ 3,5 bilhões neste ano, um acréscimo de R$ 1,4 bilhão, já descontada a inflação acumulada no período e incluindo o montante previsto na reserva de contingência.
Nos últimos seis anos, o governo federal aplicou R$ 7,9 bilhões no desenvolvimento de projetos e atividades ligadas a questões ambientais, incluindo despesas com pessoal, investimentos e gastos correntes (água, luz, telefone, etc.). Apesar da cifra graúda, o desembolso representa menos da metade do orçamento autorizado para o Ministério do Meio Ambiente no período, que chegou a R$ 16,1 bilhões (contando com a reserva de contingência).
Com isso, “sobrou' no orçamento do ministério, entre 2003 e 2008, a cifra de R$ 8,1 bilhões; recursos que não foram utilizados. Isso, principalmente, porque o ministério sofreu com o contingenciamento, recursos que auxiliam na formação do superávit primário do governo federal, necessário para o pagamento dos juros da dívida. No período, foram destinados R$ 4,9 bilhões à reserva de contingência, rubrica em que os recursos ficam congelados. De acordo com a proposta orçamentária para 2010 que tramita no Congresso Nacional, a pasta chefiada pelo ministro Carlos Minc terá R$ 3,5 bilhões em 2010, quantia semelhante à prevista inicialmente para 2009.
Leandro Kleber e Amanda Costa Do Contas Abertas"
"Enquanto na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15) os líderes mundiais afirmaram que é necessário aplicar bilhões de dólares em políticas de meio ambiente para diminuir a emissão de gases estufa na atmosfera, as aplicações do Ministério do Meio Ambiente brasileiro não estão no ritmo desejado por ambientalistas. Dos R$ 2 bilhões autorizados em orçamento para uso neste ano (já excluindo o montante de R$ 1,5 bilhão retido na reserva de contingência), a pasta desembolsou apenas R$ 1,4 bilhão até o último dia 14; isto é, 68% do total. Ou seja, faltando menos de 15 dias para acabar o ano, o ministério ainda tem um orçamento previsto de R$ 662 milhões para utilizar (veja tabela).
O ritmo de execução aquém do ideal se reflete nos principais programas administrados pela pasta. No programa de “prevenção e combate ao desmatamento, queimadas e incêndios florestais – Florescer”, por exemplo, um dos mais importantes em termos de volume de recursos do MMA, com dotação de R$ 111 milhões para 2009, a pasta desembolsou, incluindo os chamados “restos a pagar” (dívidas de anos anteriores), apenas R$ 67 milhões, quantia que representa 60% do total. Já com a rubrica de “conservação e recuperação de biomas brasileiros”, também um dos mais contemplados em termos de dotação prevista, a pasta aplicou R$ 55 milhões de um montante orçado de R$ 81 milhões (68%). Clique aqui para ver todos os programas do ministério.
A situação também não é favorável quando considerados apenas os investimentos, ou seja, execução de obras e compra de equipamentos. O Ministério do Meio Ambiente, ao qual estão vinculados órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e a Agência Nacional de Águas (ANA), investiu R$ 41 milhões neste ano, sendo que a previsão para 2009 era desembolsar R$ 101 milhões. O montante aplicado equivale a 40% do orçado. As despesas com pagamento de pessoal e encargos, por sua vez, estão sendo mais bem executadas, até por serem gastos obrigatórios. Do orçamento global da pasta, R$ 2 bilhões, pouco mais de R$ 1 bilhão é destinado a custeio de funcionários e benefícios previdenciários. Até a semana passada, R$ 890 milhões foram despendidos com o item.
Para Márcio Astrini, coordenador da campanha de combate ao desmatamento na Amazônia do Greenpeace, o orçamento do Ministério do Meio Ambiente é “pequeno” e não está integrado a retórica em Copenhague. “É um orçamento minúsculo. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse em Copenhague que o meio ambiente é muito importante, mas na hora de destinar recursos para o setor, equipar o Ibama e fazer cumprir as leis, vemos que o discurso se difere da prática”, avalia. “O problema não é só o quanto você tem de orçamento, mas quanto se investe na solução ambiental”, acrescenta.
Astrini também critica o fato do Brasil não possuir informações sobre todas as áreas desmatadas. “Não há mapeamento sobre quais áreas estão abandonadas, quais produzem alimentos, quais destas áreas podem ser recuperadas ou sobre a infraestrutura necessária para restaurá-las. Também não temos uma regularização fundiária e cadastramento fundiário universal. Não há dados. No Mato Grosso, por exemplo, estado mais avançado neste aspecto, apenas 30% das propriedades são mapeadas e se sabe informações sobre as áreas”, diz. “Se não sabemos quem são os proprietários dos espaços desmatados, não temos como fazer valer a legislação e aplicar punições”, afirma.
O Contas Abertas entrou em contato com a assessoria de imprensa do MMA para comentar os dados. No entanto, uma das pessoas responsáveis pelo setor de planejamento e orçamento da pasta, que iria se manifestar sobre o assunto, não foi encontrada no momento das ligações. No começo da tarde, a reportagem irá retornar o contato. Orçamento do Meio Ambiente cresceu nos últimos seis anos Apesar da execução orçamentária não estar em um patamar considerado ideal neste ano, entre 2003 e 2008 o desembolso de recursos em benefício do meio ambiente – total pago incluindo os chamados “restos a pagar” – cresceu R$ 290,7 milhões, ou seja, 25% em termos reais. Já os recursos previstos em orçamento cresceram 70%, entre 2003 e 2009, saltaram de R$ 2,1 bilhões em 2003, para R$ 3,5 bilhões neste ano, um acréscimo de R$ 1,4 bilhão, já descontada a inflação acumulada no período e incluindo o montante previsto na reserva de contingência.
Nos últimos seis anos, o governo federal aplicou R$ 7,9 bilhões no desenvolvimento de projetos e atividades ligadas a questões ambientais, incluindo despesas com pessoal, investimentos e gastos correntes (água, luz, telefone, etc.). Apesar da cifra graúda, o desembolso representa menos da metade do orçamento autorizado para o Ministério do Meio Ambiente no período, que chegou a R$ 16,1 bilhões (contando com a reserva de contingência).
Com isso, “sobrou' no orçamento do ministério, entre 2003 e 2008, a cifra de R$ 8,1 bilhões; recursos que não foram utilizados. Isso, principalmente, porque o ministério sofreu com o contingenciamento, recursos que auxiliam na formação do superávit primário do governo federal, necessário para o pagamento dos juros da dívida. No período, foram destinados R$ 4,9 bilhões à reserva de contingência, rubrica em que os recursos ficam congelados. De acordo com a proposta orçamentária para 2010 que tramita no Congresso Nacional, a pasta chefiada pelo ministro Carlos Minc terá R$ 3,5 bilhões em 2010, quantia semelhante à prevista inicialmente para 2009.
Leandro Kleber e Amanda Costa Do Contas Abertas"
domingo, 20 de dezembro de 2009
Plenário define competências ambientais de estados e municípios
Por Eduardo Piovesan
O Plenário aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Lei Complementar 12/03, do deputado Sarney Filho (PV-MA), que define as competências da União, dos estados e dos municípios na área de proteção ao meio ambiente e licenciamento ambiental. Aprovado na forma de uma emenda do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o texto ainda será votado pelo Senado.
O ponto mais polêmico é a competência exclusiva dada ao órgão licenciador para multar as empresas pelo descumprimento da legislação ambiental na obra licenciada. Segundo os críticos dessa medida, isso diminuirá a atuação do Ibama e poderá dificultar o alcance da meta, do governo federal, de reduzir em 80% o desmatamento na região amazônica.
O Plenário rejeitou um destaque do PV, que pretendia retirar do texto essa restrição. Segundo o líder do partido, Edson Duarte (BA), o Ibama não poderá fazer autos de infração de obras licenciadas por órgãos ambientais dos estados. Na avaliação de Duarte, esses órgãos sofrem maior influência dos governos estaduais e não embargarão as obras que estejam destruindo o meio ambiente. "Nesta noite, estão dando autorização para desmatar, porque não haverá fiscalização na Amazônia", disse o deputado.
Fiscalização
Pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), o deputado Geraldo Pudim (PR-RJ) argumentou que a possibilidade de mais de um órgão ambiental aplicar multas provocaria a continuidade de ações na Justiça contra a atuação concorrente desses órgãos. "Vai haver uma judicialização se permitirmos que mais de um órgão aplique multas", afirmou.
Embora o substitutivo aprovado atribua competência para abrir processo de infração ambiental unicamente ao órgão emissor da licença, nos casos de degradação da qualidade ambiental ou na iminência de isso ocorrer o órgão ambiental de outra esfera de governo que tiver conhecimento do fato deverá determinar medidas para evitar a degradação, comunicando o órgão competente para a adoção de providências.
Qualquer pessoa também poderá apresentar representação ao órgão licenciador do empreendimento se constatar infração ambiental provocada pela obra.
Exclusividade do Ibama
Como um empreendimento será licenciado do ponto de vista ambiental por uma única esfera de governo (municipal, estadual ou federal), ela também autorizará a derrubada de vegetação, quando isso for necessário.
O licenciamento será feito pelo Ibama, obrigatoriamente, em alguns casos, entre os quais: empreendimentos localizados em fronteira; desenvolvidos em mar territorial; em terras indígenas; e os localizados em dois ou mais estados.
A renovação de licenças ambientais deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 dias do fim da vigência. A licença será automaticamente prorrogada até a manifestação definitiva do órgão responsável.
Atuação supletiva
Se não existir conselho de meio ambiente em um determinado estado, a União deverá desempenhar as ações que cabem a ele até a criação do Conselho Estadual do Meio Ambiente. O mesmo vale para o estado em relação ao município.
Quando um órgão de meio ambiente tiver dificuldades para exercer uma atribuição, poderá pedir a ajuda de outro na forma de apoio técnico, científico, administrativo ou financeiro.
Critérios
O ponto mais polêmico é a competência exclusiva dada ao órgão licenciador para multar as empresas pelo descumprimento da legislação ambiental na obra licenciada. Segundo os críticos dessa medida, isso diminuirá a atuação do Ibama e poderá dificultar o alcance da meta, do governo federal, de reduzir em 80% o desmatamento na região amazônica.
O Plenário rejeitou um destaque do PV, que pretendia retirar do texto essa restrição. Segundo o líder do partido, Edson Duarte (BA), o Ibama não poderá fazer autos de infração de obras licenciadas por órgãos ambientais dos estados. Na avaliação de Duarte, esses órgãos sofrem maior influência dos governos estaduais e não embargarão as obras que estejam destruindo o meio ambiente. "Nesta noite, estão dando autorização para desmatar, porque não haverá fiscalização na Amazônia", disse o deputado.
Fiscalização
Pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), o deputado Geraldo Pudim (PR-RJ) argumentou que a possibilidade de mais de um órgão ambiental aplicar multas provocaria a continuidade de ações na Justiça contra a atuação concorrente desses órgãos. "Vai haver uma judicialização se permitirmos que mais de um órgão aplique multas", afirmou.
Embora o substitutivo aprovado atribua competência para abrir processo de infração ambiental unicamente ao órgão emissor da licença, nos casos de degradação da qualidade ambiental ou na iminência de isso ocorrer o órgão ambiental de outra esfera de governo que tiver conhecimento do fato deverá determinar medidas para evitar a degradação, comunicando o órgão competente para a adoção de providências.
Qualquer pessoa também poderá apresentar representação ao órgão licenciador do empreendimento se constatar infração ambiental provocada pela obra.
Exclusividade do Ibama
Como um empreendimento será licenciado do ponto de vista ambiental por uma única esfera de governo (municipal, estadual ou federal), ela também autorizará a derrubada de vegetação, quando isso for necessário.
O licenciamento será feito pelo Ibama, obrigatoriamente, em alguns casos, entre os quais: empreendimentos localizados em fronteira; desenvolvidos em mar territorial; em terras indígenas; e os localizados em dois ou mais estados.
A renovação de licenças ambientais deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 dias do fim da vigência. A licença será automaticamente prorrogada até a manifestação definitiva do órgão responsável.
Atuação supletiva
Se não existir conselho de meio ambiente em um determinado estado, a União deverá desempenhar as ações que cabem a ele até a criação do Conselho Estadual do Meio Ambiente. O mesmo vale para o estado em relação ao município.
Quando um órgão de meio ambiente tiver dificuldades para exercer uma atribuição, poderá pedir a ajuda de outro na forma de apoio técnico, científico, administrativo ou financeiro.
Critérios
O governo federal poderá, a partir de proposta de uma comissão tripartite (União, estados e municípios), estabelecer quais tipos de licenciamento serão feitos pelo Ibama, considerando critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade. Enquanto não houver essa definição, valerá a legislação ambiental em vigor.
Edição – João Pitella Junior
sábado, 19 de dezembro de 2009
Benefício hediondo
A prioridade à pobreza só é eficaz com políticas integradas, com jovens nas escolas, pais reciclados para o trabalho, e a moradia, saúde, transportes, saneamento e segurança completando a cobertura social. Fora desse eixo é desperdício. Dar vantagem só a empregado com carteira assinada, então, é hediondo, além de ilegal.
O governo não deveria vergar-se a tanto. Como fez ao demitir dias atrás um quadro da Liquigás, subsidiária da Petrobras, para abrir vaga ao ex-deputado Robsom Tuma, filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP), da base governista.
O PT cedeu mordendo os lábios. Apesar de sua popularidade Lula, não consegue dizer não. A sociedade banca.
AntonioMachado - Cidade BIZ
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Tribuna do Norte | TAC é bem aceito por empresários
Tribuna do Norte | TAC é bem aceito por empresários
A assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que organiza algumas inconformidades encontradas nas empresas de pesca do Rio Grande do Norte foi bem recebida pelos empresários. O TAC foi resultado de uma reunião realizada na segunda-feira, 14, entre o Ibama, empresários, Ministério Público Federal, Idema e Semurb. As seis empresas se preparam para assinar o Termo no dia 10 de fevereiro. “Vamos assinar, com total concordância, sem pressão nenhuma”, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do RN (Sindpesca), Jorge Bastos. Segundo ele, os empresários não têm nenhuma objeção à assinatura do Termo. “Todos nós concordamos e nos comprometemos porque vivemos dessa atividade ....... para continuar lendo clique no título
A assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que organiza algumas inconformidades encontradas nas empresas de pesca do Rio Grande do Norte foi bem recebida pelos empresários. O TAC foi resultado de uma reunião realizada na segunda-feira, 14, entre o Ibama, empresários, Ministério Público Federal, Idema e Semurb. As seis empresas se preparam para assinar o Termo no dia 10 de fevereiro. “Vamos assinar, com total concordância, sem pressão nenhuma”, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do RN (Sindpesca), Jorge Bastos. Segundo ele, os empresários não têm nenhuma objeção à assinatura do Termo. “Todos nós concordamos e nos comprometemos porque vivemos dessa atividade ....... para continuar lendo clique no título
Tribuna do Norte | Governo assegura bonés no fardamento escolar
Tribuna do Norte | Governo assegura bonés no fardamento escolar
O ministro da Educação, Fernando Haddad, atendeu três pleitos da governadora Wilma de Faria. O ministro assegurou ontem a inclusão do boné como um dos itens do kit de fardamento escolar para o ano letivo de 2010. “É uma grande vitória para o Rio Grande do Norte, especialmente para a região do Seridó, onde há um grande número de fabricantes de boné. O Governo do Estado recebe esta ótima notícia no instante em que implantaremos um grande pólo de confecções no Seridó”, frisou a governadora. O ministro garantiu que a licitação para aquisição dos bonés será aberta em fevereiro....... continua
O ministro da Educação, Fernando Haddad, atendeu três pleitos da governadora Wilma de Faria. O ministro assegurou ontem a inclusão do boné como um dos itens do kit de fardamento escolar para o ano letivo de 2010. “É uma grande vitória para o Rio Grande do Norte, especialmente para a região do Seridó, onde há um grande número de fabricantes de boné. O Governo do Estado recebe esta ótima notícia no instante em que implantaremos um grande pólo de confecções no Seridó”, frisou a governadora. O ministro garantiu que a licitação para aquisição dos bonés será aberta em fevereiro....... continua
Mais de 30% dos municípios brasileiros dependem da administração pública
Entre as capitais, Brasília é a que tem economia mais dependente. Na outra ponta estão Vitória e SP
Redação
Dos 5.564 municípios brasileiros, 1.881 (33,8%) tinham mais do que 1/3 da sua economia dependente da administração pública, de acordo com o estudo "Produto Interno Bruto dos Municípios 2003-2007", divulgado hoje pelo IBGE.
O peso do VAB (valor adicionado bruto) da administração pública no PIB do Brasil vinha crescendo:
• 2004: 12,6%
• 2005: 12,9%
• 2006: 13,1%
• 2007: 13,3%
Os dois municípios com economias mais dependentes da administração pública, em 2007, eram Uiramutã (Roraima) e Poço Dantas, na Paraíba. No primeiro, a participação da administração, saúde e educação públicas e seguridade social no PIB era de 80,1%. No segundo, de 70,2%.
Em 2007, a administração pública teve peso superior a 39,7% em todos os municípios de Roraima e acima de 38,6% nos municípios do Amapá, com exceção de Serra do Navio, onde a indústria representou 52,9% do PIB, e a administração pública 13,1%.
As capitais com maior peso da administração pública em sua economia:
• Brasília: 48,3%
• Boa Vista: 39,7%
• Macapá: 39,0%
• Rio Branco: 26,7%
• Porto Velho: 22,2%
As capitais com menor peso da administração pública:
• Vitória: 4,5%
• São Paulo: 5,9%
• Curitiba: 7,3%
• São Luís: 8,3%
• Manaus: 8,8%
Leia: Em 2007, 5 capitais concentravam 25% das riquezas do país.
Fonte: CidadeBiz
Redação
Dos 5.564 municípios brasileiros, 1.881 (33,8%) tinham mais do que 1/3 da sua economia dependente da administração pública, de acordo com o estudo "Produto Interno Bruto dos Municípios 2003-2007", divulgado hoje pelo IBGE.
O peso do VAB (valor adicionado bruto) da administração pública no PIB do Brasil vinha crescendo:
• 2004: 12,6%
• 2005: 12,9%
• 2006: 13,1%
• 2007: 13,3%
Os dois municípios com economias mais dependentes da administração pública, em 2007, eram Uiramutã (Roraima) e Poço Dantas, na Paraíba. No primeiro, a participação da administração, saúde e educação públicas e seguridade social no PIB era de 80,1%. No segundo, de 70,2%.
Em 2007, a administração pública teve peso superior a 39,7% em todos os municípios de Roraima e acima de 38,6% nos municípios do Amapá, com exceção de Serra do Navio, onde a indústria representou 52,9% do PIB, e a administração pública 13,1%.
As capitais com maior peso da administração pública em sua economia:
• Brasília: 48,3%
• Boa Vista: 39,7%
• Macapá: 39,0%
• Rio Branco: 26,7%
• Porto Velho: 22,2%
As capitais com menor peso da administração pública:
• Vitória: 4,5%
• São Paulo: 5,9%
• Curitiba: 7,3%
• São Luís: 8,3%
• Manaus: 8,8%
Leia: Em 2007, 5 capitais concentravam 25% das riquezas do país.
Fonte: CidadeBiz
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
..:: JORNAL DE FATO ::.. Jornalismo de Verdade
..:: JORNAL DE FATO ::.. Jornalismo de Verdade:
"Mais engenheiros para o brasil
ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO
QUEM VIU o presidente Luiz Inácio Lula da Silva posar ao lado de grandes líderes mundiais em encontros do G10 e outros fóruns globais pode ter sido levado à falsa conclusão de que apenas esse movimento na mídia internacional pode ser suficiente para projetar o Brasil para a fase de desenvolvimento que o incluiu no Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).
Criada quase dez anos atrás pela equipe do economista-chefe do banco Goldman Sachs, Jim O'Neill, a sigla refere-se aos quatro maiores mercados emergentes e seu potencial de crescimento. No mundo real, há indicadores de sobra que nos colocam abaixo da média dos demais países do Bric. Entre eles, o número de novos engenheiros formados por ano. Inegável dizer que a força da engenharia num país está estreitamente ligada à capacidade de inovação tecnológica e à competitividade industrial. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o número de engenheiros formados no Brasil em 2008, em todas as especialidades, é de 30 mil, quase 50% dos quais formados em instituições de ensino superior (IES) públicas -em outras áreas, dois terços se formam em particulares. Os demais países do Bric formam muito mais engenheiros do que nós: a Rússia forma 120 mil, a Índia, 200 mil, e a China, 300 mil. Esses números, embora aproximados e condicionados ao conceito da formação profissional, à duração e à pertinência das especialidades, indicam nossa defasagem na formação de engenheiros. Ainda que as populações desses países sejam diferentes, as discrepâncias aparecem claramente ao se comparar a vocação e o incentivo que cada país dá para a inovação tecnológica, sendo um bom indicador o percentual de engenheiros formados em relação ao total de concluintes no ensino superior. No Japão, 19% dos formados estão nas áreas de engenharia; na Coreia, 25%; na Rússia, 18%; no Brasil, só 5% (dados de 2007 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico -OCDE). A média da OCDE é de 14%, e dela não constam os números da China. Outra informação relevante é a produção científica brasileira na área de engenharia, que se coloca em patamar bastante inferior ao dos demais Brics -em parte como consequência dessa defasagem no número de formados, como demonstra a estatística sobre trabalhos publicados em 2007. Enquanto o Brasil publicou menos de 2.000 trabalhos, a Índia produziu 4.000, a Rússia, cerca de 3.500, a Coreia, 6.500, e a China, o número impressionante de 50 mil trabalhos. A disparidade é ainda mais gritante se observarmos que o Brasil está entre os países mais produtivos em trabalhos científicos na área de medicina. O mesmo problema ocorre no Brasil em relação às patentes. Os principais centros internacionais apontam os registros de patentes brasileiras em patamares muito inferiores aos dos demais Brics. Como explicar esse fenômeno? É simples. O custo da mensalidade é elevado por causa dos laboratórios e estágios, o que reduz a demanda do setor privado e tem levado ao fechamento de vários cursos. Por isso, entendo que seria importante que o governo adotasse uma política agressiva para incentivar a formação de engenheiros pelo setor privado, utilizando o mecanismo de compra de vagas em bons cursos, desonerando IES e estudantes.
As instituições com bom desempenho em exames nacionais, como o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), seriam boas candidatas iniciais. Se houver dificuldade em financiar instituições com fins lucrativos, as instituições comunitárias poderiam ser escolhidas para dar início ao programa.
O custo disso seria muito menor do que a alternativa de o próprio governo criar vagas de engenharia no setor público. Uma solução assim nos faria diminuir um pouco a distância que nos separa, nesse item, de nossos parceiros no Bric, que formam muito mais engenheiros por ano do que o Brasil.
Calcula-se que, para cada milhão de dólares empregados em novos investimentos, é preciso agregar um novo engenheiro. Diante dos planos e das perspectivas de crescimento do país, milhares de novos engenheiros e técnicos serão necessários (cerca de 500 mil para a concretização do PAC).
Como vários outros educadores, temos procurado alertar as autoridades educacionais sobre essa situação, e é com esperança que vemos que o Ministério da Educação e outras instâncias estão se mobilizando para enfrentar esse problema com a prioridade que ele merece.
ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO, 71, professor titular aposentado e ex-reitor da USP (1990-1993) e da Universidade de Mogi das Cruzes (1996-1999), foi diretor do CNPq e é presidente do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia."
Fonte Roberto Guedes - Jornal de Fato
"Mais engenheiros para o brasil
ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO
QUEM VIU o presidente Luiz Inácio Lula da Silva posar ao lado de grandes líderes mundiais em encontros do G10 e outros fóruns globais pode ter sido levado à falsa conclusão de que apenas esse movimento na mídia internacional pode ser suficiente para projetar o Brasil para a fase de desenvolvimento que o incluiu no Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).
Criada quase dez anos atrás pela equipe do economista-chefe do banco Goldman Sachs, Jim O'Neill, a sigla refere-se aos quatro maiores mercados emergentes e seu potencial de crescimento. No mundo real, há indicadores de sobra que nos colocam abaixo da média dos demais países do Bric. Entre eles, o número de novos engenheiros formados por ano. Inegável dizer que a força da engenharia num país está estreitamente ligada à capacidade de inovação tecnológica e à competitividade industrial. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o número de engenheiros formados no Brasil em 2008, em todas as especialidades, é de 30 mil, quase 50% dos quais formados em instituições de ensino superior (IES) públicas -em outras áreas, dois terços se formam em particulares. Os demais países do Bric formam muito mais engenheiros do que nós: a Rússia forma 120 mil, a Índia, 200 mil, e a China, 300 mil. Esses números, embora aproximados e condicionados ao conceito da formação profissional, à duração e à pertinência das especialidades, indicam nossa defasagem na formação de engenheiros. Ainda que as populações desses países sejam diferentes, as discrepâncias aparecem claramente ao se comparar a vocação e o incentivo que cada país dá para a inovação tecnológica, sendo um bom indicador o percentual de engenheiros formados em relação ao total de concluintes no ensino superior. No Japão, 19% dos formados estão nas áreas de engenharia; na Coreia, 25%; na Rússia, 18%; no Brasil, só 5% (dados de 2007 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico -OCDE). A média da OCDE é de 14%, e dela não constam os números da China. Outra informação relevante é a produção científica brasileira na área de engenharia, que se coloca em patamar bastante inferior ao dos demais Brics -em parte como consequência dessa defasagem no número de formados, como demonstra a estatística sobre trabalhos publicados em 2007. Enquanto o Brasil publicou menos de 2.000 trabalhos, a Índia produziu 4.000, a Rússia, cerca de 3.500, a Coreia, 6.500, e a China, o número impressionante de 50 mil trabalhos. A disparidade é ainda mais gritante se observarmos que o Brasil está entre os países mais produtivos em trabalhos científicos na área de medicina. O mesmo problema ocorre no Brasil em relação às patentes. Os principais centros internacionais apontam os registros de patentes brasileiras em patamares muito inferiores aos dos demais Brics. Como explicar esse fenômeno? É simples. O custo da mensalidade é elevado por causa dos laboratórios e estágios, o que reduz a demanda do setor privado e tem levado ao fechamento de vários cursos. Por isso, entendo que seria importante que o governo adotasse uma política agressiva para incentivar a formação de engenheiros pelo setor privado, utilizando o mecanismo de compra de vagas em bons cursos, desonerando IES e estudantes.
As instituições com bom desempenho em exames nacionais, como o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), seriam boas candidatas iniciais. Se houver dificuldade em financiar instituições com fins lucrativos, as instituições comunitárias poderiam ser escolhidas para dar início ao programa.
O custo disso seria muito menor do que a alternativa de o próprio governo criar vagas de engenharia no setor público. Uma solução assim nos faria diminuir um pouco a distância que nos separa, nesse item, de nossos parceiros no Bric, que formam muito mais engenheiros por ano do que o Brasil.
Calcula-se que, para cada milhão de dólares empregados em novos investimentos, é preciso agregar um novo engenheiro. Diante dos planos e das perspectivas de crescimento do país, milhares de novos engenheiros e técnicos serão necessários (cerca de 500 mil para a concretização do PAC).
Como vários outros educadores, temos procurado alertar as autoridades educacionais sobre essa situação, e é com esperança que vemos que o Ministério da Educação e outras instâncias estão se mobilizando para enfrentar esse problema com a prioridade que ele merece.
ROBERTO LEAL LOBO E SILVA FILHO, 71, professor titular aposentado e ex-reitor da USP (1990-1993) e da Universidade de Mogi das Cruzes (1996-1999), foi diretor do CNPq e é presidente do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia."
Fonte Roberto Guedes - Jornal de Fato
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
''Se ele é o Lobão Mau, não sou a Vovozinha''
''Se ele é o Lobão Mau, não sou a Vovozinha''
Presidente do Ibama diz que licenciamento de Belo Monte é o mais difícil de sua carreira e considera normal a pressão de ministros e executivos
Lourival Sant?Anna
Há um mês, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, marcou data para conclusão do licenciamento ambiental da hidrelétrica Belo Monte, no Pará: 16 de novembro. Foi o clímax das pressões do governo - ou de sua ala "desenvolvimentista". Em reação, o coordenador de Infraestrutura de Energia do Ibama, Leozildo Tabajara da Silva Benjamin, e o diretor de Licenciamento, Sebastião Custódio Pires, deixaram os cargos.
Até hoje, a análise de Belo Monte, iniciada há pouco mais de seis meses, não foi concluída, derrubando todos os prazos do governo. "Minha vida está dura", confessa o presidente do Ibama, Roberto Messias Franco. Em entrevista ao Estado, ele conta que se reuniu na terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recomendou não protelar, mas também que "vale a pena perder alguns dias, meses que sejam, para ter uma coisa de qualidade incontestável".
Trabalhando com licenciamento ambiental há 35 anos, Messias considera Belo Monte o caso "mais difícil" de sua carreira. Ele diz que o quadro de funcionários do Ibama será reforçado e explica os riscos do projeto. Messias considera "normais" a pressa e as pressões, diz que recebe telefonemas de ministros e executivos de empresas, mas avisa: "Se ele é o Lobão Mau, não sou a Vovozinha".
A seguir, a entrevista.
Quantas pessoas o Ibama tem para fazer licenciamento?
Cerca de 300.
Precisaria de quantas?
Se tivéssemos 600, seria muito melhor. Este mês temos autorização do Ministério do Planejamento para pegar mais 100 pessoas de um concurso recente e dessas, 50 vão para licenciamento. Passaremos para 350. Se o Brasil continuar crescendo do jeito que está, além de mais gente, precisaremos, principalmente, de gente treinada, bem paga e com equipamentos de sensoriamento remoto. O salário inicial é de R$ 4 mil, enquanto na Agência Nacional de Águas, é por volta de R$ 9 mil; na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), R$ 10 mil; a Polícia Rodoviária começa com R$ 6 mil. Perdemos técnicos de nível superior, engenheiros bem preparados, para ser guarda rodoviário, que paga melhor. O Ministério do Planejamento tem prometido implantar o plano de carreira, com aumento de salários com o tempo, com mestrado, doutorado, etc.
Entre a gestão anterior, da ministra Marina Silva, e a atual, houve aceleração dos licenciamentos?
Eu participei das duas (era diretor de Licenciamento). Nosso trabalho está melhorando continuamente, porque as pessoas vão aprendendo com a prática. Quando vim como diretor de Licenciamento, em 2007, já havia grande quantidade de processos, um acúmulo de atrasos. Tivemos o concurso de 2008 e dissemos: "Vamos acelerar isso". Mas essa aceleração não pode perder qualidade. Esse é o desafio.
Vocês sofrem pressão?
Todos os empreendedores, públicos ou privados, do dono de padaria até a maior hidrelétrica ou a Petrobrás, no dia seguinte à apresentação do projeto começam a querer: "Cadê o meu?" E é normal. Por outro lado, você tem setores organizados da população, ONGs, Ministério Público, dizendo: "Não dê de qualquer jeito. Olhe os marcos legais". E a gente não pode abrir mão de jeito nenhum, senão está expondo o próprio sistema.
Como está sendo o processo de Belo Monte?
Trabalho com licenciamento há 35 anos. Belo Monte é o caso mais difícil da minha vida. É um projeto grande, num grande rio (Xingu), na Amazônia, uma área visada pelo mundo inteiro, que o Brasil tem de descobrir uma maneira de explorar sem destruir, e com população organizada para resistir a uma série de crueldades do próprio sistema de ocupação. Há 20 anos, o projeto era um; foi transformado em outro para não atingir terra indígena e melhorou em muitos aspectos, mas, por outro lado, barra um rio grande, numa cidade (Altamira) que também cresceu muito nos últimos anos. Há algumas semanas eu conversava com o bispo de Altamira, Erwin Krautler, que dizia que quando chegou lá (há 44 anos), havia 4 mil pessoas; hoje, tem 70 mil. Então, ele tem uma preocupação legítima: e se vier mais gente, peões, com a construção? Tem razão em querer um plano de assistência social para essas pessoas.
Quais são os principais riscos de Belo Monte?
Os principais problemas que estamos discutindo no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) são: primeiro, na Volta Grande do Xingu, vai ter um trecho de 100 km cuja vazão ficará reduzida para usar a água para gerar energia. Estamos vendo quantos peixes e plantas e quantas espécies serão afetadas, e o que fazer para que o impacto seja o menor possível. Segundo, a qualidade da água na área alagada até perto de Altamira. Formar um lago em si não é ruim: as pessoas podem nadar, pescar, produzir. Entretanto, tem de provar que esse lago será de boa qualidade. Terceiro, as cerca de 12 mil pessoas que moram lá, em palafitas, beiras de igarapés, sem saneamento básico, devem ser reassentadas em condições melhores que as de hoje. O presidente Lula faz questão de dizer que as pessoas não podem ser arrancadas do lugar, mas recolocadas onde a vida pode ser melhor. Vai exigir novos bairros, novas cidades, com assistência, casas, estrutura. Na época do governo militar, saía a trator ou a bala, e tem muita gente traumatizada dizendo que vai ser igual. Só vamos dar licença se for mostrado que vai ser diferente.
Quanto tempo já dura esse licenciamento?
O último EIA tem pouco mais de seis meses que está no Ibama. Mas estamos conversando com a Eletrobrás, que é o empreendedor, desde o fim do ano passado, quando eles tiveram o termo de referência, ou seja, o que é importante.
E muito tempo?
Não, não é nada exagerado para um projeto dessa monta. Está sendo cauteloso. Tem de ter o diálogo. Vai chegar um momento em que vamos poder dizer: "Pode, não pode" e, principalmente, se puder, quais as condições para ser feito. Senão, o Ibama não dá a licença.
E quando sai?
Anteontem (terça-feira) me encontrei com o presidente Lula, que me recomendou cautela; que não tivesse exagero protelatório - e não vai ter -, mas tivesse todo o cuidado, porque é muito melhor, ainda que tome tempo, fazer a análise com cuidado e profundidade, dialogando com as pessoas que possam sentir-se afetadas, mostrando o porquê. Palavras dele: "Vale a pena perder alguns dias, meses que sejam, para ter uma coisa de qualidade incontestável". E é isso que vamos fazer. Não adianta ter uma licença que, por ter uma dúvida não respondida, no dia seguinte possa cair, ser impugnada. Minha vida está dura. Não tem ninguém me invejando neste momento.
Do governo, quem telefona para o sr.? Lobão, Dilma (Rousseff, da Casa Civil) já telefonaram?
Todos já telefonaram: Lobão, Dilma, ministros da Pesca, da Agricultura, das Cidades, dos Transportes. Minha reação é muito cordial porque eu compreendo a pressa, num país extremamente atrasado na sua infraestrutura. A impaciência é de fazer coisas. O grande desafio é fazer esse desenvolvimento de forma sustentável.
Lobão pediu desculpas?
Para mim, não. Ele não me fez nada pessoalmente. Tem gente que acha que ele é o Lobão Mau; como não sou a Vovozinha, não tem problema.
Presidente do Ibama diz que licenciamento de Belo Monte é o mais difícil de sua carreira e considera normal a pressão de ministros e executivos
Lourival Sant?Anna
Há um mês, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, marcou data para conclusão do licenciamento ambiental da hidrelétrica Belo Monte, no Pará: 16 de novembro. Foi o clímax das pressões do governo - ou de sua ala "desenvolvimentista". Em reação, o coordenador de Infraestrutura de Energia do Ibama, Leozildo Tabajara da Silva Benjamin, e o diretor de Licenciamento, Sebastião Custódio Pires, deixaram os cargos.
Até hoje, a análise de Belo Monte, iniciada há pouco mais de seis meses, não foi concluída, derrubando todos os prazos do governo. "Minha vida está dura", confessa o presidente do Ibama, Roberto Messias Franco. Em entrevista ao Estado, ele conta que se reuniu na terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recomendou não protelar, mas também que "vale a pena perder alguns dias, meses que sejam, para ter uma coisa de qualidade incontestável".
Trabalhando com licenciamento ambiental há 35 anos, Messias considera Belo Monte o caso "mais difícil" de sua carreira. Ele diz que o quadro de funcionários do Ibama será reforçado e explica os riscos do projeto. Messias considera "normais" a pressa e as pressões, diz que recebe telefonemas de ministros e executivos de empresas, mas avisa: "Se ele é o Lobão Mau, não sou a Vovozinha".
A seguir, a entrevista.
Quantas pessoas o Ibama tem para fazer licenciamento?
Cerca de 300.
Precisaria de quantas?
Se tivéssemos 600, seria muito melhor. Este mês temos autorização do Ministério do Planejamento para pegar mais 100 pessoas de um concurso recente e dessas, 50 vão para licenciamento. Passaremos para 350. Se o Brasil continuar crescendo do jeito que está, além de mais gente, precisaremos, principalmente, de gente treinada, bem paga e com equipamentos de sensoriamento remoto. O salário inicial é de R$ 4 mil, enquanto na Agência Nacional de Águas, é por volta de R$ 9 mil; na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), R$ 10 mil; a Polícia Rodoviária começa com R$ 6 mil. Perdemos técnicos de nível superior, engenheiros bem preparados, para ser guarda rodoviário, que paga melhor. O Ministério do Planejamento tem prometido implantar o plano de carreira, com aumento de salários com o tempo, com mestrado, doutorado, etc.
Entre a gestão anterior, da ministra Marina Silva, e a atual, houve aceleração dos licenciamentos?
Eu participei das duas (era diretor de Licenciamento). Nosso trabalho está melhorando continuamente, porque as pessoas vão aprendendo com a prática. Quando vim como diretor de Licenciamento, em 2007, já havia grande quantidade de processos, um acúmulo de atrasos. Tivemos o concurso de 2008 e dissemos: "Vamos acelerar isso". Mas essa aceleração não pode perder qualidade. Esse é o desafio.
Vocês sofrem pressão?
Todos os empreendedores, públicos ou privados, do dono de padaria até a maior hidrelétrica ou a Petrobrás, no dia seguinte à apresentação do projeto começam a querer: "Cadê o meu?" E é normal. Por outro lado, você tem setores organizados da população, ONGs, Ministério Público, dizendo: "Não dê de qualquer jeito. Olhe os marcos legais". E a gente não pode abrir mão de jeito nenhum, senão está expondo o próprio sistema.
Como está sendo o processo de Belo Monte?
Trabalho com licenciamento há 35 anos. Belo Monte é o caso mais difícil da minha vida. É um projeto grande, num grande rio (Xingu), na Amazônia, uma área visada pelo mundo inteiro, que o Brasil tem de descobrir uma maneira de explorar sem destruir, e com população organizada para resistir a uma série de crueldades do próprio sistema de ocupação. Há 20 anos, o projeto era um; foi transformado em outro para não atingir terra indígena e melhorou em muitos aspectos, mas, por outro lado, barra um rio grande, numa cidade (Altamira) que também cresceu muito nos últimos anos. Há algumas semanas eu conversava com o bispo de Altamira, Erwin Krautler, que dizia que quando chegou lá (há 44 anos), havia 4 mil pessoas; hoje, tem 70 mil. Então, ele tem uma preocupação legítima: e se vier mais gente, peões, com a construção? Tem razão em querer um plano de assistência social para essas pessoas.
Quais são os principais riscos de Belo Monte?
Os principais problemas que estamos discutindo no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) são: primeiro, na Volta Grande do Xingu, vai ter um trecho de 100 km cuja vazão ficará reduzida para usar a água para gerar energia. Estamos vendo quantos peixes e plantas e quantas espécies serão afetadas, e o que fazer para que o impacto seja o menor possível. Segundo, a qualidade da água na área alagada até perto de Altamira. Formar um lago em si não é ruim: as pessoas podem nadar, pescar, produzir. Entretanto, tem de provar que esse lago será de boa qualidade. Terceiro, as cerca de 12 mil pessoas que moram lá, em palafitas, beiras de igarapés, sem saneamento básico, devem ser reassentadas em condições melhores que as de hoje. O presidente Lula faz questão de dizer que as pessoas não podem ser arrancadas do lugar, mas recolocadas onde a vida pode ser melhor. Vai exigir novos bairros, novas cidades, com assistência, casas, estrutura. Na época do governo militar, saía a trator ou a bala, e tem muita gente traumatizada dizendo que vai ser igual. Só vamos dar licença se for mostrado que vai ser diferente.
Quanto tempo já dura esse licenciamento?
O último EIA tem pouco mais de seis meses que está no Ibama. Mas estamos conversando com a Eletrobrás, que é o empreendedor, desde o fim do ano passado, quando eles tiveram o termo de referência, ou seja, o que é importante.
E muito tempo?
Não, não é nada exagerado para um projeto dessa monta. Está sendo cauteloso. Tem de ter o diálogo. Vai chegar um momento em que vamos poder dizer: "Pode, não pode" e, principalmente, se puder, quais as condições para ser feito. Senão, o Ibama não dá a licença.
E quando sai?
Anteontem (terça-feira) me encontrei com o presidente Lula, que me recomendou cautela; que não tivesse exagero protelatório - e não vai ter -, mas tivesse todo o cuidado, porque é muito melhor, ainda que tome tempo, fazer a análise com cuidado e profundidade, dialogando com as pessoas que possam sentir-se afetadas, mostrando o porquê. Palavras dele: "Vale a pena perder alguns dias, meses que sejam, para ter uma coisa de qualidade incontestável". E é isso que vamos fazer. Não adianta ter uma licença que, por ter uma dúvida não respondida, no dia seguinte possa cair, ser impugnada. Minha vida está dura. Não tem ninguém me invejando neste momento.
Do governo, quem telefona para o sr.? Lobão, Dilma (Rousseff, da Casa Civil) já telefonaram?
Todos já telefonaram: Lobão, Dilma, ministros da Pesca, da Agricultura, das Cidades, dos Transportes. Minha reação é muito cordial porque eu compreendo a pressa, num país extremamente atrasado na sua infraestrutura. A impaciência é de fazer coisas. O grande desafio é fazer esse desenvolvimento de forma sustentável.
Lobão pediu desculpas?
Para mim, não. Ele não me fez nada pessoalmente. Tem gente que acha que ele é o Lobão Mau; como não sou a Vovozinha, não tem problema.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Tribuna do Norte | Federação alerta para a falta de engenheiros no país
Tribuna do Norte | Federação alerta para a falta de engenheiros no país
Pode faltar mão de obra especializada em engenharia no Brasil para preparar a Copa do Mundo de 2014, disse hoje (10) o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, em entrevista à Agência Brasil. Pinheiro acredita que, se não for feito um trabalho junto aos estudantes e universidades, a falta de profissionais qualificados pode acabar provocando uma paralisação no desenvolvimento brasileiro. “Você vai ter que importar profissional. E nós somos totalmente contra”. O presidente da FNE afirmou que o Brasil tem muita expertise (profissionais competentes) no setor de engenharia e, por isso, muitos profissionais acabam sendo contratados no exterior. “Temos que estar cada vez mais aperfeiçoando o nosso profissional, para que ele atue aqui dentro do país”, disse.
Com o objetivo de tornar a engenharia uma profissão que atraia um número maior de jovens, a federação elaborou um material de divulgação que foi distribuído a estudantes do segundo grau. “Nós estamos fazendo um trabalho para que tenha mais formandos. Nós entendemos que tem que duplicar o número de formandos nos próximos cinco anos”. Isso significa elevar para 60 mil o número de formandos por ano em engenharia no Brasil até 2014. Segundo Pinheiro, a ampliação do número de profissionais especializados vai “garantir o acompanhamento do desenvolvimento do país, o crescimento que nós estamos projetando”, afirmou.
Nas décadas de 70 e 80, a carreira de engenharia disputava coma de medicina a preferência dos vestibulandos no país. “Tivemos 20 anos de estagnação. Isso fez com que os engenheiros migrassem para outras áreas, como a de finanças”. A nova fase de desenvolvimento por que passa o Brasil reforça a necessidade de mais engenheiros, avaliou. Pinheiro acredita que o estímulo à valorização da profissão de engenheiro pode provocar uma mudança positiva no setor. Outro sinal favorável, segundo ele, é que o Ministério da Educação estaria pensando em abrir novas universidades de engenharia, aumentando o número de vagas oferecidas.. “A tendência é de crescimento desse número. É preciso que os alunos que estão entrando [na universidade] se esforcem para sair [concluir o curso] e haja uma guinada em toda essa questão da engenharia”.
De acordo com dados da FNE, mais de 100 mil alunos entram nos cursos de nível superior de engenharia, mas apenas 30 mil se formam a cada ano. O aumento do contingente de engenheiros qualificados atenderá ainda às Olimpíadas de 2016, à exploração do petróleo na camada pré-sal e às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Todo esse processo que vem despontando com o crescimento do país”, disse Pinheiro. Amanhã (11), quando se comemora o Dia do Engenheiro, o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp), entregará o prêmio Personalidade da Tecnologia 2009 a profissionais da área que ajudaram a construir o desenvolvimento brasileiro. “Isso é um estímulo para que as pessoas entendam o que fizeram em benefício da população e do crescimento do país”. Murilo Pinheiro estimou que existam atualmente no Brasil cerca de 500 mil engenheiros na ativa. “É [um número] muito pequeno para a demanda”, analisou.
Fonte: Agência Brasil
Pode faltar mão de obra especializada em engenharia no Brasil para preparar a Copa do Mundo de 2014, disse hoje (10) o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, em entrevista à Agência Brasil. Pinheiro acredita que, se não for feito um trabalho junto aos estudantes e universidades, a falta de profissionais qualificados pode acabar provocando uma paralisação no desenvolvimento brasileiro. “Você vai ter que importar profissional. E nós somos totalmente contra”. O presidente da FNE afirmou que o Brasil tem muita expertise (profissionais competentes) no setor de engenharia e, por isso, muitos profissionais acabam sendo contratados no exterior. “Temos que estar cada vez mais aperfeiçoando o nosso profissional, para que ele atue aqui dentro do país”, disse.
Com o objetivo de tornar a engenharia uma profissão que atraia um número maior de jovens, a federação elaborou um material de divulgação que foi distribuído a estudantes do segundo grau. “Nós estamos fazendo um trabalho para que tenha mais formandos. Nós entendemos que tem que duplicar o número de formandos nos próximos cinco anos”. Isso significa elevar para 60 mil o número de formandos por ano em engenharia no Brasil até 2014. Segundo Pinheiro, a ampliação do número de profissionais especializados vai “garantir o acompanhamento do desenvolvimento do país, o crescimento que nós estamos projetando”, afirmou.
Nas décadas de 70 e 80, a carreira de engenharia disputava coma de medicina a preferência dos vestibulandos no país. “Tivemos 20 anos de estagnação. Isso fez com que os engenheiros migrassem para outras áreas, como a de finanças”. A nova fase de desenvolvimento por que passa o Brasil reforça a necessidade de mais engenheiros, avaliou. Pinheiro acredita que o estímulo à valorização da profissão de engenheiro pode provocar uma mudança positiva no setor. Outro sinal favorável, segundo ele, é que o Ministério da Educação estaria pensando em abrir novas universidades de engenharia, aumentando o número de vagas oferecidas.. “A tendência é de crescimento desse número. É preciso que os alunos que estão entrando [na universidade] se esforcem para sair [concluir o curso] e haja uma guinada em toda essa questão da engenharia”.
De acordo com dados da FNE, mais de 100 mil alunos entram nos cursos de nível superior de engenharia, mas apenas 30 mil se formam a cada ano. O aumento do contingente de engenheiros qualificados atenderá ainda às Olimpíadas de 2016, à exploração do petróleo na camada pré-sal e às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Todo esse processo que vem despontando com o crescimento do país”, disse Pinheiro. Amanhã (11), quando se comemora o Dia do Engenheiro, o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp), entregará o prêmio Personalidade da Tecnologia 2009 a profissionais da área que ajudaram a construir o desenvolvimento brasileiro. “Isso é um estímulo para que as pessoas entendam o que fizeram em benefício da população e do crescimento do país”. Murilo Pinheiro estimou que existam atualmente no Brasil cerca de 500 mil engenheiros na ativa. “É [um número] muito pequeno para a demanda”, analisou.
Fonte: Agência Brasil
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Metro quadrado na construção civil sobe 0,33% em novembro e já passa de R$ 712
Rio Grande do Norte cede ao Piauí o posto de estado mais barato; o mais caro, de longe, é Roraima
Redação
O Índice Nacional da Construção Civil, calculado pelo IBGE em convênio com a Caixa Econômica Federal, registrou variação de 0,33% em novembro, a mesma registrada em outubro.
As variações mensais em 2009:
• Janeiro: 0,39%
• Fevereiro: 0,32%
• Março: 0,94%
• Abril: 0,32%
• Maio: 1,30%
• Junho: 0,35%
• Julho: 0,48%
• Agosto: 0,20%
• Setembro: 0,20%
• Outubro: 0,33%
• Novembro: 0,33%
Com o resultado, o índice acumula alta de 5,28% nos primeiros 11 meses do ano, bem abaixo do índice de 11,05% em igual período de 2008. Nos últimos 12 meses o acumulado é de 5,93%. Em novembro de 2008, a variação foi de 0,81%.
O custo nacional por metro quadrado passou de R$ 710,15 em outubro para R$ 712,50 em novembro, dos quais R$ 410,82 são relativos aos materiais e R$ 301,68 à mão-de-obra.
A parcela dos materiais acelerou de 0,22% para 0,41%, enquanto a mão de obra recuou de 0,49% para 0,22%.
A região Nordeste ficou com a maior taxa mensal (0,46%), influenciada pelos resultado do Rio Grande do Norte. O Sul teve a menor taxa (0,10%). O Norte variou 0,38%, o Centro-Oeste 0,30% e o Sudeste 0,33%.
Os custos regionais, por metro quadrado, em novembro (os valores entre parênteses referem-se a outubro):
• Sudeste: R$ 752,13 (R$ 749,58)
• Norte: R$ 713,99 (R$ 711,28)
• Sul: R$ 700,95 (R$ 700,22)
• Centro-Oeste: R$ 681,82 (R$ 679,77)
• Nordeste: R$ 669,41 (R$ 666,34)
Devido aos reajustes salariais decorrentes de acordos coletivos, o Rio Grande do Norte e o Tocantins apresentaram is maiores aumentos nos custos de construção.
Roraima mantém o posto de estado com o metro quadrado mais caro:
• Piauí: R$ 633,96
• Rio Grande do Norte: R$ 636,40
• Espírito Santo: R$ 639,34
• Sergipe: R$ 640,87
• Goiás: R$ 654,45
• Ceará: R$ 655,76
• Rondônia: R$ 661,36
• Paraíba: R$ 664,09
• Minas Gerais: R$ 666,30
• Pernambuco: R$ 672,10
• Amapá: R$ 676,28
• Bahia: R$ 686,18
• Mato Grosso do Sul: R$ 687,80
• Rio Grande do Sul: R$ 687,90
• Maranhão: R$ 689,10
• Alagoas: R$ 690,44
• Mato Grosso: R$ 690,60
• Pará: R$ 697,00
• Santa Catarina: R$ 700,42
• Paraná: R$ 714,51
• Tocantins: R$ 728,94
• Distrito Federal: R$ 737,43
• Acre: R$ 753,34
• Amazonas: R$ 754,63
• São Paulo: R$ 785,85
• Rio de Janeiro: R$ 792,06
• Roraima: R$ 810,97
Rio Grande do Norte cede ao Piauí o posto de estado mais barato; o mais caro, de longe, é Roraima
Redação
O Índice Nacional da Construção Civil, calculado pelo IBGE em convênio com a Caixa Econômica Federal, registrou variação de 0,33% em novembro, a mesma registrada em outubro.
As variações mensais em 2009:
• Janeiro: 0,39%
• Fevereiro: 0,32%
• Março: 0,94%
• Abril: 0,32%
• Maio: 1,30%
• Junho: 0,35%
• Julho: 0,48%
• Agosto: 0,20%
• Setembro: 0,20%
• Outubro: 0,33%
• Novembro: 0,33%
Com o resultado, o índice acumula alta de 5,28% nos primeiros 11 meses do ano, bem abaixo do índice de 11,05% em igual período de 2008. Nos últimos 12 meses o acumulado é de 5,93%. Em novembro de 2008, a variação foi de 0,81%.
O custo nacional por metro quadrado passou de R$ 710,15 em outubro para R$ 712,50 em novembro, dos quais R$ 410,82 são relativos aos materiais e R$ 301,68 à mão-de-obra.
A parcela dos materiais acelerou de 0,22% para 0,41%, enquanto a mão de obra recuou de 0,49% para 0,22%.
A região Nordeste ficou com a maior taxa mensal (0,46%), influenciada pelos resultado do Rio Grande do Norte. O Sul teve a menor taxa (0,10%). O Norte variou 0,38%, o Centro-Oeste 0,30% e o Sudeste 0,33%.
Os custos regionais, por metro quadrado, em novembro (os valores entre parênteses referem-se a outubro):
• Sudeste: R$ 752,13 (R$ 749,58)
• Norte: R$ 713,99 (R$ 711,28)
• Sul: R$ 700,95 (R$ 700,22)
• Centro-Oeste: R$ 681,82 (R$ 679,77)
• Nordeste: R$ 669,41 (R$ 666,34)
Devido aos reajustes salariais decorrentes de acordos coletivos, o Rio Grande do Norte e o Tocantins apresentaram is maiores aumentos nos custos de construção.
Roraima mantém o posto de estado com o metro quadrado mais caro:
• Piauí: R$ 633,96
• Rio Grande do Norte: R$ 636,40
• Espírito Santo: R$ 639,34
• Sergipe: R$ 640,87
• Goiás: R$ 654,45
• Ceará: R$ 655,76
• Rondônia: R$ 661,36
• Paraíba: R$ 664,09
• Minas Gerais: R$ 666,30
• Pernambuco: R$ 672,10
• Amapá: R$ 676,28
• Bahia: R$ 686,18
• Mato Grosso do Sul: R$ 687,80
• Rio Grande do Sul: R$ 687,90
• Maranhão: R$ 689,10
• Alagoas: R$ 690,44
• Mato Grosso: R$ 690,60
• Pará: R$ 697,00
• Santa Catarina: R$ 700,42
• Paraná: R$ 714,51
• Tocantins: R$ 728,94
• Distrito Federal: R$ 737,43
• Acre: R$ 753,34
• Amazonas: R$ 754,63
• São Paulo: R$ 785,85
• Rio de Janeiro: R$ 792,06
• Roraima: R$ 810,97
Brasil tem 2,6 milhões de empregos verdes, diz relatório da OIT
São as atividades que contribuem para a redução de emissões e para a melhoria da qualidade ambiental
09.12.2009 - 17:06
Redação
O Brasil já tem 2,6 milhões de empregos verdes, e a transição para uma economia que leve a menores emissões de gases de efeito estufa pode aumentar a criação desses postos de trabalho. É o que diz o relatório "Empregos Verdes no Brasil: Quantos São, Onde Estão e Como Evoluirão nos Próximos Anos", que está sendo lançado hoje pela OIT (Organização Internacional do Trabalho).
O levantamento considera verdes os postos de trabalho em atividades econômicas que contribuem para a redução de emissões e para a melhoria da qualidade ambiental. Em 2008, o total de empregos verdes no país – 2.653.059 – representava 6,73% do total de postos de trabalho formais.
A conta da OIT considera dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho) e agregou os empregos verdes em seis categorias:
• produção e manejo florestal.
• geração e distribuição de energias renováveis.
• saneamento, gestão de resíduos e de riscos ambientais.
• manutenção, reparação e recuperação de produtos e materiais.
• transportes coletivos alternativos ao rodoviário e aeroviário.
• telecomunicações e teleatendimento.
Entre as ocupações listadas estão atividades menos óbvias do ponto de vista ambiental, como as telecomunicações (evitam deslocamentos e emissão de poluentes com transporte) e a manutenção de equipamentos eletrônicos (reduzem necessidade de fabricação de novos e aumentam a eficiência energética).
Catadores - De acordo com a OIT, "a geração de empregos verdes não pode estar dissociada da noção de trabalho decente". Por isso, o levantamento exclui da conta o enorme contingente de catadores de materiais recicláveis, pela falta de proteção social da atividade e pelo grau de insalubridade a que estão expostos. "Embora atualmente não restem muitas dúvidas quanto ao papel positivo desempenhado por esses trabalhadores em relação ao meio ambiente, o fato é que certamente não é esse tipo de postos de trabalho que a OIT pretendia promover", justifica o relatório.
No documento, a OIT lista o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, a redução do IPI para eletrodomésticos da linha branca, a obrigatoriedade de inspeção veicular para controle de emissões, a regularização fundiária na Amazônia e a Política Nacional de Resíduos como medidas que poderão impulsionar a geração de empregos verdes no Brasil nos próximos anos.
Com Agência Brasil
PT ensaia para 2010 discurso démodé no Brasil de Lula, mas orgulhoso de “tudo isso que está ai”
Melhor do país é o mesmo fio condutor que perpassa a economia em quase duas décadas
Antonio Machado
O PT combativo, barulhento, mal humorado, que lutava "contra tudo isso que está aí", desde 2002, quando Lula se elegeu - e o partido perdeu o medo de ser feliz -, a cada eleição tenta vestir o antigo figurino para mobilizar a militância contra os dragões da direita, mas está cada vez mais difícil.
A militância não perdeu a forma no poder. O PT é que está orgulhoso de "tudo isso que está ai".
Sua bancada na Câmara, por exemplo, produz um clipping diário das principais notícias sobre o governo e os deputados da legenda. Nos últimos tempos, fora uma ou outra nota mais, digamos, démodé para o Brasil de Lula, o otimismo revela a satisfação do petismo.
Das treze notas do boletim de terça-feira, sete reproduziam notas favoráveis ao governo, a maioria delas devido aos frutos do mesmo modelo econômico que Lula herdou de seu antecessor, aprofundou e reorientou com o viés social, depois de constatado o fim do longo ciclo de ajuste monetário e fiscal em resposta à crise da dívida externa da década de 1980. Qualquer que seja o dia o tom é igual.
A conciliação entre abertura da economia e saneamento fiscal (com origem nos governos Sarney e Collor e consistência depois do Plano Real nas gestões Itamar e Fernando Henrique) com a ênfase social a partir de 2003 está na base do sucesso dos dois mandatos de Lula.
O crescimento econômico incorporou a parcela majoritária do país, por meio dos aumentos reais do salário míninimo e aposentadorias e o Bolsa Família, e criou a quase unanimidade que o envolve com a retomada dos investimentos privados e públicos, mais os primeiros que os últimos, em decorrência da maior previsibilidade econômica.
Tudo isso é uma obra em aberto, com muitos autores, e um processo que não começa em 2003, mas tem em Lula um grande maestro no novo ciclo ascendente da economia, e isso por mérito exclusivamente seu ao ignorar as recomendações de boa parte das lideranças petistas e mesmo de empresários cansados de tantos juros e impostos.
Não fosse sua prudência, especialmente ao apoiar a estratégia de acumulação de reservas pelo Banco Central e não querer usufruir os dividendos políticos do crédito farto e barato como havia nos EUA, e dificilmente o país teria atravessado com relativa tranquilidade a crise global. O consumidor estaria devendo até o pescoço, e a banca, pela bola sete, não esbanjando saúde.
O mesmo fio condutor
É esse Brasil ainda cheio de problemas, com exagero de dose entre o ativismo fiscal de Lula e sua contraface monetária, que encanta o mundo e embaraça o PT, ansioso em ser o caudatário do otimismo, mas atado a preconceitos, como se hoje receasse ser feliz.
O melhor do Brasil é o mesmo fio condutor que perpassa a economia em quase duas décadas, com um governo apurando a gestão anterior e ampliando os resultados. A campanha da ministra Dilma Rousseff, no entanto, está buscando valorizar o contraponto entre as conquistas do governo Lula vis-à-vis FHC como se o país tivesse sido “achado” em 2003.
Isso não é elogio, é afronta à clarividência de Lula.
Alívio começou antes
A política atual é a da social-democracia sem os constrangimentos fiscais dos governos FHC. Ele errou ao dar à solvência pública um peso maior que ao emprego resultante de investimentos - e atentou muito tarde para as políticas de compensação social cujo arcabouço inspira o bem-sucedido Bolsa Família.
Mas o clima de alívio, sem o ajuste passado, seria hoje só aspiração. E Lula pisaria em ovos.
Certamente, o boletim diário do PT na Câmara não estamparia notas tais como: “Aprovação de Lula sobe para 83%”. Ou: “Washington Post afirma que Brasil caminha para se tornar petropotência”. Ou ainda esta: “Copenhague: Brasil pode liderar negociações sobre clima”. E mais: “CNI confirma crescimento da indústria no Brasil”.
Nada veio por acaso
Do que então resmunga o economista Marcio Pochman, presidente do IPEA, o think-tank do governo, em artigo no qual fulmina o “modelo neoliberal”, já que, diz ele, “coube ao Estado a submissão plena ao regime de ajustes fiscais permanentes”?
Pode-se questionar essa rota, plena de contradições, não a necessidade da solvência fiscal do Estado, sem a qual não haveria os “sinais de transição para o modelo social-desenvolvimentista”, como Pochman define o momento.
Ele destaca a “reafirmação da soberania”, o país passar a credor do FMI, fatos da realidade, mas não obras do acaso. Há um passado de suor nas boas perspectivas atuais, um trabalho que mal começou. Será mais fácil se não desmerecer a inteligência nacional.
A agenda para valer
Eleições explicam retóricas enviesadas, mas não as justificam nem colaboram com a formação de expectativas favoráveis ao governo, se sugerirem o oposto do que mobiliza os responsáveis pela formulação econômica.
A preocupação é expandir os limites do financiamento de longo prazo, prioridade nos três grandes bancos federais, para não tornar o país outra vez dependente de capital externo nem enforcar o progressivo aumento do investimento industrial.
Isso tem muito a ver com a valorização cambial e com a carência crônica de poupança fiscal, cuja obtenção, sem sacrifício das demandas sociais, exige maior produtividade dos dinheiros públicos. Essa é a agenda real.
Antonio Machado
O PT combativo, barulhento, mal humorado, que lutava "contra tudo isso que está aí", desde 2002, quando Lula se elegeu - e o partido perdeu o medo de ser feliz -, a cada eleição tenta vestir o antigo figurino para mobilizar a militância contra os dragões da direita, mas está cada vez mais difícil.
A militância não perdeu a forma no poder. O PT é que está orgulhoso de "tudo isso que está ai".
Sua bancada na Câmara, por exemplo, produz um clipping diário das principais notícias sobre o governo e os deputados da legenda. Nos últimos tempos, fora uma ou outra nota mais, digamos, démodé para o Brasil de Lula, o otimismo revela a satisfação do petismo.
Das treze notas do boletim de terça-feira, sete reproduziam notas favoráveis ao governo, a maioria delas devido aos frutos do mesmo modelo econômico que Lula herdou de seu antecessor, aprofundou e reorientou com o viés social, depois de constatado o fim do longo ciclo de ajuste monetário e fiscal em resposta à crise da dívida externa da década de 1980. Qualquer que seja o dia o tom é igual.
A conciliação entre abertura da economia e saneamento fiscal (com origem nos governos Sarney e Collor e consistência depois do Plano Real nas gestões Itamar e Fernando Henrique) com a ênfase social a partir de 2003 está na base do sucesso dos dois mandatos de Lula.
O crescimento econômico incorporou a parcela majoritária do país, por meio dos aumentos reais do salário míninimo e aposentadorias e o Bolsa Família, e criou a quase unanimidade que o envolve com a retomada dos investimentos privados e públicos, mais os primeiros que os últimos, em decorrência da maior previsibilidade econômica.
Tudo isso é uma obra em aberto, com muitos autores, e um processo que não começa em 2003, mas tem em Lula um grande maestro no novo ciclo ascendente da economia, e isso por mérito exclusivamente seu ao ignorar as recomendações de boa parte das lideranças petistas e mesmo de empresários cansados de tantos juros e impostos.
Não fosse sua prudência, especialmente ao apoiar a estratégia de acumulação de reservas pelo Banco Central e não querer usufruir os dividendos políticos do crédito farto e barato como havia nos EUA, e dificilmente o país teria atravessado com relativa tranquilidade a crise global. O consumidor estaria devendo até o pescoço, e a banca, pela bola sete, não esbanjando saúde.
O mesmo fio condutor
É esse Brasil ainda cheio de problemas, com exagero de dose entre o ativismo fiscal de Lula e sua contraface monetária, que encanta o mundo e embaraça o PT, ansioso em ser o caudatário do otimismo, mas atado a preconceitos, como se hoje receasse ser feliz.
O melhor do Brasil é o mesmo fio condutor que perpassa a economia em quase duas décadas, com um governo apurando a gestão anterior e ampliando os resultados. A campanha da ministra Dilma Rousseff, no entanto, está buscando valorizar o contraponto entre as conquistas do governo Lula vis-à-vis FHC como se o país tivesse sido “achado” em 2003.
Isso não é elogio, é afronta à clarividência de Lula.
Alívio começou antes
A política atual é a da social-democracia sem os constrangimentos fiscais dos governos FHC. Ele errou ao dar à solvência pública um peso maior que ao emprego resultante de investimentos - e atentou muito tarde para as políticas de compensação social cujo arcabouço inspira o bem-sucedido Bolsa Família.
Mas o clima de alívio, sem o ajuste passado, seria hoje só aspiração. E Lula pisaria em ovos.
Certamente, o boletim diário do PT na Câmara não estamparia notas tais como: “Aprovação de Lula sobe para 83%”. Ou: “Washington Post afirma que Brasil caminha para se tornar petropotência”. Ou ainda esta: “Copenhague: Brasil pode liderar negociações sobre clima”. E mais: “CNI confirma crescimento da indústria no Brasil”.
Nada veio por acaso
Do que então resmunga o economista Marcio Pochman, presidente do IPEA, o think-tank do governo, em artigo no qual fulmina o “modelo neoliberal”, já que, diz ele, “coube ao Estado a submissão plena ao regime de ajustes fiscais permanentes”?
Pode-se questionar essa rota, plena de contradições, não a necessidade da solvência fiscal do Estado, sem a qual não haveria os “sinais de transição para o modelo social-desenvolvimentista”, como Pochman define o momento.
Ele destaca a “reafirmação da soberania”, o país passar a credor do FMI, fatos da realidade, mas não obras do acaso. Há um passado de suor nas boas perspectivas atuais, um trabalho que mal começou. Será mais fácil se não desmerecer a inteligência nacional.
A agenda para valer
Eleições explicam retóricas enviesadas, mas não as justificam nem colaboram com a formação de expectativas favoráveis ao governo, se sugerirem o oposto do que mobiliza os responsáveis pela formulação econômica.
A preocupação é expandir os limites do financiamento de longo prazo, prioridade nos três grandes bancos federais, para não tornar o país outra vez dependente de capital externo nem enforcar o progressivo aumento do investimento industrial.
Isso tem muito a ver com a valorização cambial e com a carência crônica de poupança fiscal, cuja obtenção, sem sacrifício das demandas sociais, exige maior produtividade dos dinheiros públicos. Essa é a agenda real.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Novo pacote de medidas do governo dá R$ 80 bi ao BNDES e estende desoneração de computadores
Publicada em 09/12/2009 às 12h55m
Patrícia Duarte e Gustavo PaulBRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou, durante reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CNDE), nove medidas para estimular a economia, sendo uma delas a criação de uma nova linha de crédito do BNDES no valor de R$ 80 bilhões. O dinheiro, a ser liberado em 2010, vai financiar investimentos produtivos nas áreas de infraestrutura, bens de capital e exportações, entre outras. O governo também estendeu o prazo da desoneração sobre a venda de computadores no varejo e deu incentivos específicos para a compra de equipamentos pela rede de ensino público. Este ano, o governo já havia disponibilizado R$ 100 bilhões ao BNDES para financiamentos. O empréstimo será corrigido pela Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP).
O governo também decidiu prorrogar as taxas de juros mais baratas, em financiamentos concedidos pelo BNDES, na aquisição de máquinas e equipamentos. A taxa é de 4,5% ao ano e o benefício terminaria no fim deste mês. Agora, valerá até junho de 2010. O valor máximo do financiamento é de R$ 44 bilhões. A perda de receitas para a União com o novo pacote está estimada em R$ 3,25 bilhões em 2010.
No leque de medidas, Mantega anunciou a criação de um novo instrumento de captação dos bancos junto ao mercado financeiro, denominado Letra Financeira, que é, na prática uma espécie de debênture que as instituições financeiras poderão emitir. Com isso, os bancos, sobretudo os privados, poderão fortalecer o seu funding e fazer empréstimo com prazos mais longos.
A desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre bens de capital, que terminaria no fim deste mês, foi prorrogada para junho de 2010. A renúncia fiscal é estimada em R$ 369 milhões.
Além disso, o governo autorizou um novo empréstimo da União para o Fundo da Marinha Mercante no valor de R$ 15 bilhões, que serão usados para financiar a construção de plataformas de exploração de petróleo e a construção de navios.
Outra medida é a suspensão da cobrança do IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação incidentes sobre bens e serviços relacionados a investimentos em refino de petróleo e indústria petroquímica nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. Nesse caso, a renúncia é de R$ 1 bilhão.
O governo também está desonerando permanentemente a cobrança do IPI sobre aerogeradores usados na produção de energia eólica. A desoneração somará R$ 89 milhões em 2010.
Na área de informática, o governo está prorrogando, até 2014, a desoneração de PIS/Cofins sobre a venda de computadores no varejo. A renúncia projetada é de R$ 1,6 bilhão no próximo ano.
Partes e componentes de computadores adquiridos para a rede de ensino público também estão sendo desonerados de IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação. O objetivo é aumentar a inclusão digital nas escolas públicas. O programa, denominado "Um computador por aluno", terá uma renúncia fiscal de R$ 150 milhões em 2010.
'Mão-de-vaca'A reunião do Conselhão teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de vários ministros, como Dilma Rousseff (Casa Civil), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Paulo Bernardo (Planejamento) e José Pimentel (Previdência).
Após explanação sobre "o futuro da economia brasileira pós-crise", Mantega listou os vários estímulos que o governo reitera ao setor produtivo para garantir o crescimento sustentado em 2010.
Mantega foi interrompido por um comentário de Lula.
- O presidente está me chamando de mão-de-vaca - disse o ministro, sobre o fato de o banco oficial receber menos recursos em 2010 do que neste ano. O custo do novo empréstimo para o BNDES será o mesmo da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) cobrada pelo banco nos financiamentos às empresas, hoje em 6% ao ano.
Fonte: Valoronline
Cidade Biz - Economia, Marketing e Negócios - Países ricos precisam ajudar emergentes nos projetos para o clima, diz secretário da COP-15
Cidade Biz - Economia, Marketing e Negócios - Países ricos precisam ajudar emergentes nos projetos para o clima, diz secretário da COP-15: "Países ricos precisam ajudar emergentes nos projetos para o clima, diz secretário da COP-15
Yvo de Boer lamenta entendimento difícil antes da chegada de chefes de Estado a Copenhague
08.12.2009 - 10:57
Redação
O secretário-geral da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), Yvo de Boer, afirmou hoje que os projetos para reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, financiados com dinheiro público das nações ricas, também devem servir aos grandes países em desenvolvimento, como o Brasil, a China e a Índia.
'O dinheiro deve ser focalizado para projetos em todos os países pobres e em desenvolvimento. Os grandes países também devem ter acesso, mas isso vai depender de cada projeto apresentado', afirmou, durante entrevista coletiva no segundo dia da conferência.
Os negociadores brasileiros em Copenhague já anunciaram que não será aceito um acordo que exclua os projetos dessas nações em desenvolvimento para que o compromisso financeiro dos países ricos com as medidas de adaptação das economias emergentes seja restrito. O Brasil teme que os países ricos estejam procurando um acordo apenas para garantir fundos de curto prazo da ordem de US$ 10 bilhões por ano entre 2010 e 2013.
De Boer ressaltou, no entanto, que é preciso aumentar a participação dos fundos nos países pobres, já que atualmente 80% dos recursos chegam apenas a oito nações. O secretário-geral ainda lamentou que as conversas 'sérias' só tenham começado nas duas semanas que antecederam o encontro, o que torna mais complicado um entendimento antes da chegada dos chefes de Estado, no próximo dia 15.
Com Agência Brasil"
Yvo de Boer lamenta entendimento difícil antes da chegada de chefes de Estado a Copenhague
08.12.2009 - 10:57
Redação
O secretário-geral da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), Yvo de Boer, afirmou hoje que os projetos para reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, financiados com dinheiro público das nações ricas, também devem servir aos grandes países em desenvolvimento, como o Brasil, a China e a Índia.
'O dinheiro deve ser focalizado para projetos em todos os países pobres e em desenvolvimento. Os grandes países também devem ter acesso, mas isso vai depender de cada projeto apresentado', afirmou, durante entrevista coletiva no segundo dia da conferência.
Os negociadores brasileiros em Copenhague já anunciaram que não será aceito um acordo que exclua os projetos dessas nações em desenvolvimento para que o compromisso financeiro dos países ricos com as medidas de adaptação das economias emergentes seja restrito. O Brasil teme que os países ricos estejam procurando um acordo apenas para garantir fundos de curto prazo da ordem de US$ 10 bilhões por ano entre 2010 e 2013.
De Boer ressaltou, no entanto, que é preciso aumentar a participação dos fundos nos países pobres, já que atualmente 80% dos recursos chegam apenas a oito nações. O secretário-geral ainda lamentou que as conversas 'sérias' só tenham começado nas duas semanas que antecederam o encontro, o que torna mais complicado um entendimento antes da chegada dos chefes de Estado, no próximo dia 15.
Com Agência Brasil"
Só a Índia ganha do Brasil em expectativa de emprego para o 1º trimestre de 2010
Construção civil é o setor com maior otimismo em relação a contratações no início do próximo ano
Redação
A construção civil é o setor com maior expectativa de contratação de funcionários para o 1º trimestre de 2010 no Brasil, segundo a Pesquisa de Expectativa de Emprego, da Manpower. Em seguida vêm os setores de finanças e serviços. O levantamento avaliou a expectativa de 71 mil empresas de 35 países quanto à empregabilidade nos primeiros três meses do próximo ano. No Brasil, quase mil empregadores foram ouvidos.
De acordo com a pesquisa, a expectativa líquida de emprego melhorou, desde o último trimestre, em seis dos oito setores analisados. Na construção civil, pulou de 7% no último trimestre de 2009 para 46% no primeiro de 2010.
"O grande otimismo em relação às expectativas de contratações no Brasil é indicativo de melhora na empregabilidade. O aumento na expectativa líquida de trabalho mostra que as empresas precisam fortalecer sua imagem junto aos trabalhadores para fidelizá-los", afirma Pedro Guimarães, diretor comercial da Manpower no Brasil.
"O setor de construção civil sai na frente provavelmente por conta dos incentivos governamentais, como financiamentos imobiliários, que impulsionam a construção de moradias nas cidades brasileiras. Além disso, com os anúncios da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, a área se movimenta para criar a infraestrutura necessária à realização dos jogos", completa.
A evolução da expectativa de emprego entre o 4º trimestre de 2009 e o 1º trimestre de 2010:
• Construção civil: 7% para 46%
• Finanças: 31% para 42%
• Serviços: 33% para 40%
• Comércio: de 21% para 31%
• Transportes: 22% para 31%
• Manufatura: 17% para 22%
• Administração pública: 22% para 19%
• Agricultura, pesca e mineração: 20% para 13%
Por locais:
• Paraná: de 23% para 36%
• Minas Gerais: 20% para 29%
• Rio de Janeiro: 25% para 38%
• São Paulo (estado): 21% para 25%
• São Paulo (cidade): 17% para 30%
No total, a expectativa líquida de emprego no Brasil parta o 1º trimestre de 2010 está em 31%. É o melhor resultado das Américas, seguido por Costa Rica e Canadá.
Nas Américas, do 3º trimestre de 2009 para o 1º trimestre de 2010:
01. Brasil: de 21 para 31%
02. Costa Rica: 6% para 20%
04. Canadá: 7% para 13%
05. Argentina: 3% para 12%
05. Guatemala: 1% para 12%
03. Peru: 8% para 9%
07. Colômbia: 13% para 9%
08. México: 3% para 8%
09. EUA: -2% para 6%
No mundo (os cinco países com as maiores expctativas):
01. Índia: 39%
02. Brasil: 31%
03. Cingapura: 26%
04. Taiwan: 25%
05. Costa Rica: 20%
Fonte: Cidade Biz
Redação
A construção civil é o setor com maior expectativa de contratação de funcionários para o 1º trimestre de 2010 no Brasil, segundo a Pesquisa de Expectativa de Emprego, da Manpower. Em seguida vêm os setores de finanças e serviços. O levantamento avaliou a expectativa de 71 mil empresas de 35 países quanto à empregabilidade nos primeiros três meses do próximo ano. No Brasil, quase mil empregadores foram ouvidos.
De acordo com a pesquisa, a expectativa líquida de emprego melhorou, desde o último trimestre, em seis dos oito setores analisados. Na construção civil, pulou de 7% no último trimestre de 2009 para 46% no primeiro de 2010.
"O grande otimismo em relação às expectativas de contratações no Brasil é indicativo de melhora na empregabilidade. O aumento na expectativa líquida de trabalho mostra que as empresas precisam fortalecer sua imagem junto aos trabalhadores para fidelizá-los", afirma Pedro Guimarães, diretor comercial da Manpower no Brasil.
"O setor de construção civil sai na frente provavelmente por conta dos incentivos governamentais, como financiamentos imobiliários, que impulsionam a construção de moradias nas cidades brasileiras. Além disso, com os anúncios da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, a área se movimenta para criar a infraestrutura necessária à realização dos jogos", completa.
A evolução da expectativa de emprego entre o 4º trimestre de 2009 e o 1º trimestre de 2010:
• Construção civil: 7% para 46%
• Finanças: 31% para 42%
• Serviços: 33% para 40%
• Comércio: de 21% para 31%
• Transportes: 22% para 31%
• Manufatura: 17% para 22%
• Administração pública: 22% para 19%
• Agricultura, pesca e mineração: 20% para 13%
Por locais:
• Paraná: de 23% para 36%
• Minas Gerais: 20% para 29%
• Rio de Janeiro: 25% para 38%
• São Paulo (estado): 21% para 25%
• São Paulo (cidade): 17% para 30%
No total, a expectativa líquida de emprego no Brasil parta o 1º trimestre de 2010 está em 31%. É o melhor resultado das Américas, seguido por Costa Rica e Canadá.
Nas Américas, do 3º trimestre de 2009 para o 1º trimestre de 2010:
01. Brasil: de 21 para 31%
02. Costa Rica: 6% para 20%
04. Canadá: 7% para 13%
05. Argentina: 3% para 12%
05. Guatemala: 1% para 12%
03. Peru: 8% para 9%
07. Colômbia: 13% para 9%
08. México: 3% para 8%
09. EUA: -2% para 6%
No mundo (os cinco países com as maiores expctativas):
01. Índia: 39%
02. Brasil: 31%
03. Cingapura: 26%
04. Taiwan: 25%
05. Costa Rica: 20%
Fonte: Cidade Biz
Copenhague é sucesso de público. Tudo o mais depende de atos que muitos querem maquilar
Governo Lula, que a princípio tratava meio ambiente com desdém, agora se vê na vanguarda da discussão
Antonio Machado
Com mais de 15 mil participantes, delegados de 192 países e pouco mais de uma centena de chefes de Estado e de governo esperados nos dez dias do evento, dos presidentes Barack Obama a Lula, a cúpula global sobre o clima organizada pelas Nações Unidas em Copenhague, Dinamarca, já é um sucesso de público. Tudo o mais é incerto.
O ceticismo quando aos resultados para impedir que a temperatura da Terra cresça 2% - meta do consenso científico para assegurar a sobrevivência da vida do modo como a concebemos - e as diferenças para atingir tal objetivo são enormes. Mas hoje se discutem metas, não mais os males de emissões de carbono (CO2), os gases de efeito estufa considerados responsáveis pelo aquecimento do planeta.
Nenhum país desta vez se omitiu, nem os EUA. No acordo inaugural, conhecido por Protocolo de Kyoto, em referência à cidade do Japão em que ocorreu a cúpula, firmado em 1997, o então presidente Bill Clinton subscreveu o tratado, mas o Congresso não o referendou, e os EUA ficaram de fora desse primeiro esforço global. Ele previa para o período 2008-2012 emissões de gases estufa 5,2% menores em relação ao nível de 1990, com metas por país e blocos de países.
Para a União Européia, atribuiu-se valor 8% inferior às emissões em 1990. Aos EUA, 7%. Aos países em desenvolvimento que começavam a se tornar economias emergentes, como China, Índia e Brasil, não se exigiu corte algum, tendo sido esta a argumentação do Congresso dos EUA para impor a derrota a Clinton, fragilizando Kyoto.
O Protocolo de Copenhague, se houver consenso para tanto, deverá substituir o tratado de Kyoto com objetivos climáticos muito mais agressivos, até 2020 e 2050. Desconfianças sobre a real emergência climática e divergências sobre o auxílio em dinheiro e a cessão de tecnologia para os países mais pobres persistem, mas a pressão da opinião pública internacional também aumentou.
Duas semanas atrás, o ministro do Comércio da Índia, o terceiro maior emissor de carbono no mundo, questionou o alarme. No mesmo momento, na cúpula asiática em Cingapura, os presidentes da China, Hu Jintao, e dos EUA, respectivamente, primeiro e segundo maiores emissores globais de gases estufa, anunciaram não esperar nada mais que princípios de Copenhague. As metas quantitativas ficariam para depois. Os três governos recuaram pela pressão internacional.
Esperando EUA e China
Obama queria ganhar tempo. O governo da Índia também. Os dois não têm a simpatia do Congresso para a questão climática. Nos EUA, há dois projetos: um brando, aprovado na Câmara, outro, um pouco mais incisivo, em discussão no Senado.
Obama fecha com o último, mas é pouco: prevê cortes de emissões de 17% em 2020 sobre 2005, o que é menos do que teria sido se os EUA tivessem ratificado Kyoto.
Mal ou bem a União Européia fez a sua parte combinada em Kyoto, e agora promete mais 20% até 2020 ou mais, se os EUA e os emergentes consolidarem propostas factíveis e corajosas. A diferença é essa.
Do desdém à vanguarda
O governo Lula, que a princípio tratava meio ambiente com desdém, agora se vê na vanguarda da discussão. Lula viaja com um programa de cortes de 15% de emissões de CO2 até 2020 sobre a base de 2005.
Com matriz energética considerada “verde” pelo painel climático das Nações Unidas, pois a energia elétrica é maciçamente de origem hidráulica e o etanol assumiu a tendência de substituir a queima de petróleo em veículos leves, ao Brasil há condições para cumprir o objetivo ideal.
O documento-base das Nações Unidas propõe corte global de 25% a 40% em 2020, e 80% em 2050, ambos sobre 2005.
Sem carvão e petróleo
O esforço brasileiro, a rigor, virá do processo, não de cortes na carne, como aos EUA, China, Índia, Rússia, cuja energia depende da queima de carvão, a maior fonte poluente, e petróleo, a segunda.
Ao Brasil, basta reduzir o desmatamento na Amazônia e Cerrado, e lançar um ou outro programa economizador de energia. Aos demais os caminhos são mais árduos: a solução implica revolucionar os meios de produção.
Os EUA investem nessa onda, mas falta muito para as tecnologias de ruptura. À China, devoradora intensiva de energia, a saída está mais distante, e a Índia nem começou a procurá-la.
Não há como se levar a sério a questão climática sem substituir o carvão e o petróleo na matriz energética global. Tudo é perfumaria perto do que ambos geram de emissões de CO2. Copenhague, sem outro modelo energético no mundo, parece insuficiente. E, se for, então, só resta rezar para que os cientistas tenham exagerado o horror.
Catástrofe enigmática
Fato é que há mais de dois anos se discute a agenda de Copenhague e há quase vinte, desde a cúpula pioneira do Rio, o aquecimento da Terra é prioridades das Nações Unidas.
Se o que se vislumbra para o espaço de uma geração é uma catástrofe de proporções bíblicas, é bizarro que antes do grande happening na Dinamarca os governos das nações líderes não se tenham posto de acordo sobre o que fazer. E também alertado a opinião pública sobre a gravidade do problema e levado à cúpula uma posição fechada, não uma algaravia de metas.
É grave que se anunciem cortes de CO2 sem uma base comum de dados, e nenhum controle independente. A discussão tem que ser aprofundada.
Antonio Machado
Com mais de 15 mil participantes, delegados de 192 países e pouco mais de uma centena de chefes de Estado e de governo esperados nos dez dias do evento, dos presidentes Barack Obama a Lula, a cúpula global sobre o clima organizada pelas Nações Unidas em Copenhague, Dinamarca, já é um sucesso de público. Tudo o mais é incerto.
O ceticismo quando aos resultados para impedir que a temperatura da Terra cresça 2% - meta do consenso científico para assegurar a sobrevivência da vida do modo como a concebemos - e as diferenças para atingir tal objetivo são enormes. Mas hoje se discutem metas, não mais os males de emissões de carbono (CO2), os gases de efeito estufa considerados responsáveis pelo aquecimento do planeta.
Nenhum país desta vez se omitiu, nem os EUA. No acordo inaugural, conhecido por Protocolo de Kyoto, em referência à cidade do Japão em que ocorreu a cúpula, firmado em 1997, o então presidente Bill Clinton subscreveu o tratado, mas o Congresso não o referendou, e os EUA ficaram de fora desse primeiro esforço global. Ele previa para o período 2008-2012 emissões de gases estufa 5,2% menores em relação ao nível de 1990, com metas por país e blocos de países.
Para a União Européia, atribuiu-se valor 8% inferior às emissões em 1990. Aos EUA, 7%. Aos países em desenvolvimento que começavam a se tornar economias emergentes, como China, Índia e Brasil, não se exigiu corte algum, tendo sido esta a argumentação do Congresso dos EUA para impor a derrota a Clinton, fragilizando Kyoto.
O Protocolo de Copenhague, se houver consenso para tanto, deverá substituir o tratado de Kyoto com objetivos climáticos muito mais agressivos, até 2020 e 2050. Desconfianças sobre a real emergência climática e divergências sobre o auxílio em dinheiro e a cessão de tecnologia para os países mais pobres persistem, mas a pressão da opinião pública internacional também aumentou.
Duas semanas atrás, o ministro do Comércio da Índia, o terceiro maior emissor de carbono no mundo, questionou o alarme. No mesmo momento, na cúpula asiática em Cingapura, os presidentes da China, Hu Jintao, e dos EUA, respectivamente, primeiro e segundo maiores emissores globais de gases estufa, anunciaram não esperar nada mais que princípios de Copenhague. As metas quantitativas ficariam para depois. Os três governos recuaram pela pressão internacional.
Esperando EUA e China
Obama queria ganhar tempo. O governo da Índia também. Os dois não têm a simpatia do Congresso para a questão climática. Nos EUA, há dois projetos: um brando, aprovado na Câmara, outro, um pouco mais incisivo, em discussão no Senado.
Obama fecha com o último, mas é pouco: prevê cortes de emissões de 17% em 2020 sobre 2005, o que é menos do que teria sido se os EUA tivessem ratificado Kyoto.
Mal ou bem a União Européia fez a sua parte combinada em Kyoto, e agora promete mais 20% até 2020 ou mais, se os EUA e os emergentes consolidarem propostas factíveis e corajosas. A diferença é essa.
Do desdém à vanguarda
O governo Lula, que a princípio tratava meio ambiente com desdém, agora se vê na vanguarda da discussão. Lula viaja com um programa de cortes de 15% de emissões de CO2 até 2020 sobre a base de 2005.
Com matriz energética considerada “verde” pelo painel climático das Nações Unidas, pois a energia elétrica é maciçamente de origem hidráulica e o etanol assumiu a tendência de substituir a queima de petróleo em veículos leves, ao Brasil há condições para cumprir o objetivo ideal.
O documento-base das Nações Unidas propõe corte global de 25% a 40% em 2020, e 80% em 2050, ambos sobre 2005.
Sem carvão e petróleo
O esforço brasileiro, a rigor, virá do processo, não de cortes na carne, como aos EUA, China, Índia, Rússia, cuja energia depende da queima de carvão, a maior fonte poluente, e petróleo, a segunda.
Ao Brasil, basta reduzir o desmatamento na Amazônia e Cerrado, e lançar um ou outro programa economizador de energia. Aos demais os caminhos são mais árduos: a solução implica revolucionar os meios de produção.
Os EUA investem nessa onda, mas falta muito para as tecnologias de ruptura. À China, devoradora intensiva de energia, a saída está mais distante, e a Índia nem começou a procurá-la.
Não há como se levar a sério a questão climática sem substituir o carvão e o petróleo na matriz energética global. Tudo é perfumaria perto do que ambos geram de emissões de CO2. Copenhague, sem outro modelo energético no mundo, parece insuficiente. E, se for, então, só resta rezar para que os cientistas tenham exagerado o horror.
Catástrofe enigmática
Fato é que há mais de dois anos se discute a agenda de Copenhague e há quase vinte, desde a cúpula pioneira do Rio, o aquecimento da Terra é prioridades das Nações Unidas.
Se o que se vislumbra para o espaço de uma geração é uma catástrofe de proporções bíblicas, é bizarro que antes do grande happening na Dinamarca os governos das nações líderes não se tenham posto de acordo sobre o que fazer. E também alertado a opinião pública sobre a gravidade do problema e levado à cúpula uma posição fechada, não uma algaravia de metas.
É grave que se anunciem cortes de CO2 sem uma base comum de dados, e nenhum controle independente. A discussão tem que ser aprofundada.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
ABF aposta em crescimento de 15% no setor de franquias em 2010
Associação de franchising ainda não fechou os números de 2009, mas estima faturamento de R$ 63 bilhões
07.12.2009 - 16:20
Redação
O faturamento do setor de franquias deverá crescer 15% em 2010, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Franchising. Os números de 2009 não foram fechados, mas a ABF acredita que o setor cresça 14,5% em faturamento em relação a 2008, saltando de R$ 55 bilhões para R$ 63 bilhões. O faturamento equivale a 2% do PIB brasileiro, muito pequeno ainda se comparado ao mercado americano, onde o setor corresponde a 20% do PIB.
Para ajudar na expansão, a associação renovou convênio com o Sebrae, no valor é de R$ 977,6 mil para a qualificação de pequenas franquias e prospecção de mercados. Cada entidade aportará 50%
Para o próximo ano, é esperada a adesão de mais de 80 novas empresas, elevando o número de unidades franqueadas para mais de 80 mil unidades. Atualmente, operam no Brasil 1.379 redes de franquia, e 2009 deverá fechar com 1.460 redes. Para 2010 a ABF espera que o número de redes aumente para aproximadamente 1.540.
As redes de franquia são responsáveis por aproximadamente 648 mil postos de trabalho diretos e 2,6 milhões de indiretos.
07.12.2009 - 16:20
Redação
O faturamento do setor de franquias deverá crescer 15% em 2010, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Franchising. Os números de 2009 não foram fechados, mas a ABF acredita que o setor cresça 14,5% em faturamento em relação a 2008, saltando de R$ 55 bilhões para R$ 63 bilhões. O faturamento equivale a 2% do PIB brasileiro, muito pequeno ainda se comparado ao mercado americano, onde o setor corresponde a 20% do PIB.
Para ajudar na expansão, a associação renovou convênio com o Sebrae, no valor é de R$ 977,6 mil para a qualificação de pequenas franquias e prospecção de mercados. Cada entidade aportará 50%
Para o próximo ano, é esperada a adesão de mais de 80 novas empresas, elevando o número de unidades franqueadas para mais de 80 mil unidades. Atualmente, operam no Brasil 1.379 redes de franquia, e 2009 deverá fechar com 1.460 redes. Para 2010 a ABF espera que o número de redes aumente para aproximadamente 1.540.
As redes de franquia são responsáveis por aproximadamente 648 mil postos de trabalho diretos e 2,6 milhões de indiretos.
CNI/Ibope mostra Serra bem à frente para 2010, mas Dilma sobe dois pontos
De modo geral, nova rodada da pesquisa indica cenário de estabilidade em relação aos números de setembro
Redação
A nova pesquisa CNI/Ibope sobre as eleições presidenciais de 2010, divulgada hoje, mostra um cenário de estabilidade em relação aos resultados de setembro. As oscilações nas intenções de voto ocorrem, na maioria das vezes, dentro da margem de erro.
Primeiro turno
Cenário 1:
• José Serra: 38% (35% em setembro)
• Dilma Rousseff: 17% (15%)
• Ciro Gomes: 13% (17%)
• Marina Silva: 6% (8%)
• Brancos/nulos: 13% (14%)
• São sabem/não responderam: 12% (10%)
Cenário 2:
• Ciro: 26% (28% em setembro)
• Dilma: 20% (18%)
• Aécio Neves: 14% (13%)
• Marina Silva: 9% (11%)
• Brancos/nulos: 17% (19%)
• São sabem/não responderam: 15% (12%)
A exemplo das rodadas anteriores, o nível de conhecimento dos candidatos, por parte do eleitorado, impacta a probabilidade de voto e a rejeição manifestada pelo eleitor. Candidatos menos conhecidops p´podem apresentar índice de rejeição mais elevado.
Os candidatos mais conhecidos, Serra e Ciro, continuam aparecendo com as maiores probabilidades de voto e as menores rejeições. Os demais candidatos, diz o Ibope, são conhecidos por menos de um terço da população.
Conhece bem / conhece mais ou menos:
• Serra: 69% (66% em setembro)
• Ciro: 45% (45%)
• Dilma: 32% (32%)
• Aécio: 30% (27%)
• Marina: 21% (18%)
Votaria com certeza / votaria:
• Serra: 58% (60% em setembro)
• Ciro: 46% (49%)
• Dilma: 33% (32%)
• Aécio: 33% (28%)
• Marina: 22% (22%)
Não votaria de jeito nenhum para presidente:
• Serra: 29% (30% em setembro)
• Ciro: 33% (33%)
• Dilma: 41% (40%)
• Aécio: 36% (37%)
• Marina: 40% (37%)
domingo, 6 de dezembro de 2009
A voz sensata do Congresso Nacional
PERGUNTARAM AO SENADOR PEDRO SIMON COMO ELE VÊ O EX-PRESIDENTE
FERNANDO COLLOR (PTB-AL) ASSUMINDO A COMISSãO DE INFRAESTRUTURA DO SENADO E O PRESIDENTE DA COMISSÃO DE ORÇAMENTO SENDO INDICADO PELO SENADOR RENAN CALHEIROS (PMDB-AL).
FERNANDO COLLOR (PTB-AL) ASSUMINDO A COMISSãO DE INFRAESTRUTURA DO SENADO E O PRESIDENTE DA COMISSÃO DE ORÇAMENTO SENDO INDICADO PELO SENADOR RENAN CALHEIROS (PMDB-AL).
RESPONDEU:
"SOU OBRIGADO A RECONHECER QUE, COM TODA A CORRUPÇÃO QUE TEVE DE UM TEMPO PARA CÁ, O QUE ENCONTRAMOS NO GOVERNO COLLOR DEVERíAMOS TER ENVIADO PARA O JUIZADO DE PEQUENAS CAUSAS".
sábado, 5 de dezembro de 2009
Xis preto em Dubai. Agora é Brasil, terra do Bolsa Família e também coqueluche dos investidores
Até carro de luxo encalhado no reino árabe endividado está sendo desviado para o mercado brasileiro
Antonio Machado
Xis preto em Dubai, o emirado árabe dos gastos suntuosos que foi à breca. Acendam-se os holofotes sobre o Brasil, a terra do Bolsa Família, mas também a “coqueluche” dos investidores estrangeiros, como troçou o economista Paul Krugman, Nobel de Economia em 2008, professor da Universidade de Princeton e polemista de primeira.
“A economia brasileira reagiu bem à crise”, admitiu Krugman numa palestra em São Paulo nesta quarta-feira, “encontra-se num momento favorável”, e emendou, conforme seu estilo atrevido e sem papas na língua: “Mas é preciso tomar cuidado com o excesso de euforia, que tem provocado uma exagerada e preocupante valorização do câmbio”.
Referindo-se ao presidente Lula e a Henrique Meirelles, do Banco Central, Krugman aconselhou, com a verve com que critica o governo Barack Obama pela falta de ousadia diante da crise em seus artigos no New York Times: “Eles deveriam dizer ao mercado: `Nós estamos melhores do que estávamos, mas não tão bem. Não nos amem tanto´”.
De fato, o real se valoriza mais que o dólar despenca em relação às principais moedas, e isso ocorre em meio à demanda bombando, ao crédito disparando, renda subindo, e os investimentos em ampliação da oferta, insuficiente para um quadro econômico tendendo ao pleno emprego, só agora começando a retomar o pique anterior à crise.
A economia brasileira tem todos os motivos para atrair a atenção dos capitais externos - dos financeiros, voláteis, que vêm e vão em ondas, aos das multinacionais, mais ordeiros, que chegam para ficar, saindo apenas os lucros remetidos às matrizes.
Com o mundo envolvido em excesso de produção em toda parte, as multis procuram novos mercados em expansão, e o Brasil está nesse mapa, ao lado de China e Índia, nessa ordem. O ganho das ações na Bovespa chega a 80% no ano, e há quem fale em início de uma bolha.
Com as taxas de juros margeando o zero nas economias maduras, os financistas globais estão atrás de oportunidades - disponíveis no Brasil como barganha: o juro regulatório de política monetária, a Selic, é de 8,75%, contra inflação de 4,5%.
Aqui, aplicações financeiras têm retorno real. Nos EUA, Europa e Japão, por exemplo, perde-se dinheiro estacionado em juros. E pode ser assim porque a inflação por ora é mínima e a recessão, máxima.
O Mini para o máximo
O risco é a euforia mencionada por Krugman. Como houve em Dubai e, no limite, pode transferir-se para cá - como o lote de 70 Mini Cooper, o charmoso e caro carrinho inglês, que encalhou no areal dos Emirados e a BMW, dona da empresa, desviou para o Brasil.
Noutros tempos o capital fugia do Brasil, começando pelo dinheiro dos potentados árabes administrado pela banca dos EUA, Inglaterra e França, em especial. Hoje, produtos de luxo encalhados no mundo árabe são trazidos para cá.
Graças ao ajuste iniciado em 1994 com o Plano Real e os alicerces do regime de metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário para solver parte da dívida pública - e a acumulação de reservas de divisas, no governo Lula, maiores que o endividamento externo -, o país tornou-se mais estável.
De pujança e desgraça
Tais são os diferenciais brasileiros que atraem o capital externo a ponto de preocupar não só o economista Krugman, mas a assessoria do presidente Lula, que já o alertou sobre o risco do crescimento acelerado em 2010, 6%, por ai. O que vem fácil vai embora também.
A pujança dos países emergentes em meio à ruína global pode ser a desgraça de amanhã, segundo o alerta de Krugman, e mais sério que para China ou Índia, já que aqui se faz o equilíbrio com juros dos mais altos no mundo.
E com carga tributária recorde em relação aos países com renda per capita assemelhada, déficit fiscal e folga no orçamento federal mínima, 1% do PIB, para o investimento público.
Carona ou dirigindo?
Para o PIB crescer 6,1% em 2010, aposta do Bradesco, o superávit da balança comercial, que já encolhe desde 2008, estando estimado em US$ 25 bilhões este ano, será quase zero. O déficit em contas correntes vai a mais de 3% do PIB, tornando-se o terceiro maior do mundo em 2010, só atrás de EUA e Espanha.
Não faltarão capitais de fora para financiá-lo, mas a dependência externa estará de volta.
E a inflação? Sem aperto monetário, com a Selic subindo até 12,5% em outubro de 2010 e aumento dos compulsórios, o cenário do banco Goldman Sachs a projeta rasgando o teto da meta, 6,5%. E o déficit externo voaria alto.
No cenário sem BC, o real perderia valor. Não é bom assim. É melhor estar ao volante que no assento do carona.
Olho maior que a boca
O problema do Brasil é que os ciclos de demanda forte se acomodam com o aumento de importação e desvio de exportação para o mercado interno. O processo se acumula com a apreciação que vem junta, já que tais ciclos têm forte correlação com os ingressos de capitais, destrambelhando as cadeias industriais.
A indústria opera cada vez mais integrada a outros países e se fixa onde há maiores vantagens comparativas. Corrigir o crescimento com tais gargalos leva tempo. Exige infraestrutura ampla, custo relativo de produção baixo, além de sintonia entre oferta e demanda para que o déficit externo seja custeado sem depreciação cambial excessiva. Os desafios são esses.
Antonio Machado
Xis preto em Dubai, o emirado árabe dos gastos suntuosos que foi à breca. Acendam-se os holofotes sobre o Brasil, a terra do Bolsa Família, mas também a “coqueluche” dos investidores estrangeiros, como troçou o economista Paul Krugman, Nobel de Economia em 2008, professor da Universidade de Princeton e polemista de primeira.
“A economia brasileira reagiu bem à crise”, admitiu Krugman numa palestra em São Paulo nesta quarta-feira, “encontra-se num momento favorável”, e emendou, conforme seu estilo atrevido e sem papas na língua: “Mas é preciso tomar cuidado com o excesso de euforia, que tem provocado uma exagerada e preocupante valorização do câmbio”.
Referindo-se ao presidente Lula e a Henrique Meirelles, do Banco Central, Krugman aconselhou, com a verve com que critica o governo Barack Obama pela falta de ousadia diante da crise em seus artigos no New York Times: “Eles deveriam dizer ao mercado: `Nós estamos melhores do que estávamos, mas não tão bem. Não nos amem tanto´”.
De fato, o real se valoriza mais que o dólar despenca em relação às principais moedas, e isso ocorre em meio à demanda bombando, ao crédito disparando, renda subindo, e os investimentos em ampliação da oferta, insuficiente para um quadro econômico tendendo ao pleno emprego, só agora começando a retomar o pique anterior à crise.
A economia brasileira tem todos os motivos para atrair a atenção dos capitais externos - dos financeiros, voláteis, que vêm e vão em ondas, aos das multinacionais, mais ordeiros, que chegam para ficar, saindo apenas os lucros remetidos às matrizes.
Com o mundo envolvido em excesso de produção em toda parte, as multis procuram novos mercados em expansão, e o Brasil está nesse mapa, ao lado de China e Índia, nessa ordem. O ganho das ações na Bovespa chega a 80% no ano, e há quem fale em início de uma bolha.
Com as taxas de juros margeando o zero nas economias maduras, os financistas globais estão atrás de oportunidades - disponíveis no Brasil como barganha: o juro regulatório de política monetária, a Selic, é de 8,75%, contra inflação de 4,5%.
Aqui, aplicações financeiras têm retorno real. Nos EUA, Europa e Japão, por exemplo, perde-se dinheiro estacionado em juros. E pode ser assim porque a inflação por ora é mínima e a recessão, máxima.
O Mini para o máximo
O risco é a euforia mencionada por Krugman. Como houve em Dubai e, no limite, pode transferir-se para cá - como o lote de 70 Mini Cooper, o charmoso e caro carrinho inglês, que encalhou no areal dos Emirados e a BMW, dona da empresa, desviou para o Brasil.
Noutros tempos o capital fugia do Brasil, começando pelo dinheiro dos potentados árabes administrado pela banca dos EUA, Inglaterra e França, em especial. Hoje, produtos de luxo encalhados no mundo árabe são trazidos para cá.
Graças ao ajuste iniciado em 1994 com o Plano Real e os alicerces do regime de metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário para solver parte da dívida pública - e a acumulação de reservas de divisas, no governo Lula, maiores que o endividamento externo -, o país tornou-se mais estável.
De pujança e desgraça
Tais são os diferenciais brasileiros que atraem o capital externo a ponto de preocupar não só o economista Krugman, mas a assessoria do presidente Lula, que já o alertou sobre o risco do crescimento acelerado em 2010, 6%, por ai. O que vem fácil vai embora também.
A pujança dos países emergentes em meio à ruína global pode ser a desgraça de amanhã, segundo o alerta de Krugman, e mais sério que para China ou Índia, já que aqui se faz o equilíbrio com juros dos mais altos no mundo.
E com carga tributária recorde em relação aos países com renda per capita assemelhada, déficit fiscal e folga no orçamento federal mínima, 1% do PIB, para o investimento público.
Carona ou dirigindo?
Para o PIB crescer 6,1% em 2010, aposta do Bradesco, o superávit da balança comercial, que já encolhe desde 2008, estando estimado em US$ 25 bilhões este ano, será quase zero. O déficit em contas correntes vai a mais de 3% do PIB, tornando-se o terceiro maior do mundo em 2010, só atrás de EUA e Espanha.
Não faltarão capitais de fora para financiá-lo, mas a dependência externa estará de volta.
E a inflação? Sem aperto monetário, com a Selic subindo até 12,5% em outubro de 2010 e aumento dos compulsórios, o cenário do banco Goldman Sachs a projeta rasgando o teto da meta, 6,5%. E o déficit externo voaria alto.
No cenário sem BC, o real perderia valor. Não é bom assim. É melhor estar ao volante que no assento do carona.
Olho maior que a boca
O problema do Brasil é que os ciclos de demanda forte se acomodam com o aumento de importação e desvio de exportação para o mercado interno. O processo se acumula com a apreciação que vem junta, já que tais ciclos têm forte correlação com os ingressos de capitais, destrambelhando as cadeias industriais.
A indústria opera cada vez mais integrada a outros países e se fixa onde há maiores vantagens comparativas. Corrigir o crescimento com tais gargalos leva tempo. Exige infraestrutura ampla, custo relativo de produção baixo, além de sintonia entre oferta e demanda para que o déficit externo seja custeado sem depreciação cambial excessiva. Os desafios são esses.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Cidade Biz - Economia, Marketing e Negócios - PIB cresce 6,1% em 2010, diz Bradesco. Renda aumenta, emprego será recorde e déficit explode
PIB cresce 6,1% em 2010, diz Bradesco. Renda aumenta, emprego será recorde e déficit explode
Para o crescimento sustentado, taxa de investimento tem de chegar a 22% do PIB, alcançável em três anos
03.12.2009 - 19:18
Antonio Machado
Já não há mais dúvidas, menos de um ano depois do sobressalto dos mercados globais e do apagão econômico que veio a seguir, que hoje no Brasil o problema não é sair da recessão, fantasma que assombra ainda mais de dois terços do mundo, EUA à frente, mas administrar a taxa de crescimento. A economia pegou força, talvez até demais.
Para 2009 o crescimento projetado ainda será pífio, coisa de 0,5% acima do Produto Interno Bruto (PIB) de 2008. Desempenho ruim, mas melhor que recessão, que, na prática, foi curta, dois trimestres – e pode nem ter acontecido. Isso só se vai saber daqui a dois anos, quando o IBGE concluirá a apuração final do PIB de 2009.
Garantido é que, salvo convulsões no cenário externo, sobretudo alguma surpresa negativa na China, a economia deu a largada para 2010 cantando o pneu. Na avaliação do departamento econômico do Bradesco, o PIB do próximo ano tende a crescer 6,1%, tanto quanto em 2007, conforme o número fechado do IBGE, e mais que a taxa de 2008, 5,8%.
O ajuste fino da projeção será dado pelo desempenho do PIB do terceiro trimestre a ser anunciado pelo IBGE no dia 10.
Na prévia da equipe do economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, o PIB deve ter crescido 1,8% do 2º para o 3º trimestre, o que significa expansão anualizada de 7,6% (supondo-se que a mesma taxa se repita pelos próximos quatro trimestres). O destaque será a retomada dos investimentos, além do desempenho da indústria e do consumo, dando o sinal de que o crescimento se esprairá para 2010.
O comportamento da indústria em outubro, conforme o termômetro do IBGE, sustenta os melhores augúrios. A produção industrial, a mais atingida pela crise global - que fulminou as exportações e pegou o setor com estoques elevados -, cresceu 2,2% sobre setembro, quando o aumento chegara a 1,8%.
Foi o 10º resultado mensal positivo – em linha com as análises desta coluna, que já em janeiro descartavam a gravidade da crise no Brasil. A produção industrial está agora apenas 3,2% abaixo de seu nível em outubro de 2008.
Dos 27 setores industriais pesquisados, 21 já deixaram para trás qualquer sintoma de crise. A produção acumula aumento de 19,5% em relação ao piso, registrado em dezembro, e se destaca pelo avanço do segmento de bens de capital, o sinalizador fundamental sobre a sustentabilidade do novo ciclo de expansão. Não há risco adiante.
Seguro contra riscos
Expressão do ritmo dos investimentos na economia, com o setor de construção civil, a indústria de máquinas e equipamentos - isto é, bens de capital -, cresceu 5,9% em outubro, contra 5% em setembro.
Mas a produção atual ainda se encontra 16% abaixo de seu recorde, em setembro de 2008. A expansão da capacidade de oferta é garantia contra risco inflacionário e déficits severos nas contas externas, ambos decorrentes da demanda correndo muito à frente da produção.
O que virá? Pode-se apenas deduzir. A sondagem conjuntural da FGV indica para novembro nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) da indústria de 82,9%, contra 82,5% em outubro. Cresceu de um mês para o outro, mas de modo comedido. Desde agosto a taxa de ocupação se desacelera, o que não significa que perde força.
Inflação sob controle
Na conta da consultoria LCA, a produção da indústria vai recuar 7,5% este ano em relação a 2008, e crescer 9,5% em 2010. Na conta do Bradesco, tais desempenhos farão o PIB no último trimestre vir a fechar o ano ao ritmo de 9,1% anualizado - uma grande arrancada para o resultado de 2010.
A taxa de desemprego neste cenário recua para a média anual de 7,6%. A renda cresce 2,7% acima da inflação, estimada pelo Bradesco em 4,7%. Seria pouco mais que a meta anual de 4,5%, com taxa cambial média de R$ 1,70. Tudo parece ajustado.
Déficit será o vilão
Outro dado vital, a taxa de investimento, que deve cair 11% este ano, baixando de 19% em 2008 para 16,9% a sua relação sobre o PIB, em 2010 daria um salto de 20%, voltando ao nível anterior de 19%.
Na simulação do Bradesco, coerente com as do Banco Central e do BNDES, para o crescimento sustentado do PIB, ou seja, sem grandes desequilíbrios, a taxa de investimento precisa chegar a 22%, o que seria alcançado daqui a três anos. Até lá, o crescimento e as suas sequelas precisam ser administradas. A inflação não será o vilão.
O déficit em conta corrente, estimado em US$ 63 bilhões para 2010 - 3,12% do PIB -, é o dado sensível. O Bradesco prevê que o BC vai subir a Selic em abril, puxando-a de 8,75% até 12,75%, em março de 2011, com juro real de 7,5%, menor que no ciclo anterior de alta.
Para não perder o pé
A Selic descongelada não estava nos planos do pessoal de mercado, já que não se vislumbra ameaça à inflação, e o presidente Lula não iria querer nada que embace a campanha da ministra Dilma Rousseff.
Com a economia crescendo em ritmo chinês, o panorama é outro. As importações vão aumentar mais que as exportações, e isso até pela retomada do investimento, grande demandante de bens importados.
Importante é que os juros não abortem o crescimento, o que exige grande controle fiscal pelo novo governo. Com um BC menos ativista que no passado em 2010 e um governo mais espartano que o atual em 2011, o PIB não se abala. O Bradesco prevê alta de 4% para 2011."
Para o crescimento sustentado, taxa de investimento tem de chegar a 22% do PIB, alcançável em três anos
03.12.2009 - 19:18
Antonio Machado
Já não há mais dúvidas, menos de um ano depois do sobressalto dos mercados globais e do apagão econômico que veio a seguir, que hoje no Brasil o problema não é sair da recessão, fantasma que assombra ainda mais de dois terços do mundo, EUA à frente, mas administrar a taxa de crescimento. A economia pegou força, talvez até demais.
Para 2009 o crescimento projetado ainda será pífio, coisa de 0,5% acima do Produto Interno Bruto (PIB) de 2008. Desempenho ruim, mas melhor que recessão, que, na prática, foi curta, dois trimestres – e pode nem ter acontecido. Isso só se vai saber daqui a dois anos, quando o IBGE concluirá a apuração final do PIB de 2009.
Garantido é que, salvo convulsões no cenário externo, sobretudo alguma surpresa negativa na China, a economia deu a largada para 2010 cantando o pneu. Na avaliação do departamento econômico do Bradesco, o PIB do próximo ano tende a crescer 6,1%, tanto quanto em 2007, conforme o número fechado do IBGE, e mais que a taxa de 2008, 5,8%.
O ajuste fino da projeção será dado pelo desempenho do PIB do terceiro trimestre a ser anunciado pelo IBGE no dia 10.
Na prévia da equipe do economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, o PIB deve ter crescido 1,8% do 2º para o 3º trimestre, o que significa expansão anualizada de 7,6% (supondo-se que a mesma taxa se repita pelos próximos quatro trimestres). O destaque será a retomada dos investimentos, além do desempenho da indústria e do consumo, dando o sinal de que o crescimento se esprairá para 2010.
O comportamento da indústria em outubro, conforme o termômetro do IBGE, sustenta os melhores augúrios. A produção industrial, a mais atingida pela crise global - que fulminou as exportações e pegou o setor com estoques elevados -, cresceu 2,2% sobre setembro, quando o aumento chegara a 1,8%.
Foi o 10º resultado mensal positivo – em linha com as análises desta coluna, que já em janeiro descartavam a gravidade da crise no Brasil. A produção industrial está agora apenas 3,2% abaixo de seu nível em outubro de 2008.
Dos 27 setores industriais pesquisados, 21 já deixaram para trás qualquer sintoma de crise. A produção acumula aumento de 19,5% em relação ao piso, registrado em dezembro, e se destaca pelo avanço do segmento de bens de capital, o sinalizador fundamental sobre a sustentabilidade do novo ciclo de expansão. Não há risco adiante.
Seguro contra riscos
Expressão do ritmo dos investimentos na economia, com o setor de construção civil, a indústria de máquinas e equipamentos - isto é, bens de capital -, cresceu 5,9% em outubro, contra 5% em setembro.
Mas a produção atual ainda se encontra 16% abaixo de seu recorde, em setembro de 2008. A expansão da capacidade de oferta é garantia contra risco inflacionário e déficits severos nas contas externas, ambos decorrentes da demanda correndo muito à frente da produção.
O que virá? Pode-se apenas deduzir. A sondagem conjuntural da FGV indica para novembro nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) da indústria de 82,9%, contra 82,5% em outubro. Cresceu de um mês para o outro, mas de modo comedido. Desde agosto a taxa de ocupação se desacelera, o que não significa que perde força.
Inflação sob controle
Na conta da consultoria LCA, a produção da indústria vai recuar 7,5% este ano em relação a 2008, e crescer 9,5% em 2010. Na conta do Bradesco, tais desempenhos farão o PIB no último trimestre vir a fechar o ano ao ritmo de 9,1% anualizado - uma grande arrancada para o resultado de 2010.
A taxa de desemprego neste cenário recua para a média anual de 7,6%. A renda cresce 2,7% acima da inflação, estimada pelo Bradesco em 4,7%. Seria pouco mais que a meta anual de 4,5%, com taxa cambial média de R$ 1,70. Tudo parece ajustado.
Déficit será o vilão
Outro dado vital, a taxa de investimento, que deve cair 11% este ano, baixando de 19% em 2008 para 16,9% a sua relação sobre o PIB, em 2010 daria um salto de 20%, voltando ao nível anterior de 19%.
Na simulação do Bradesco, coerente com as do Banco Central e do BNDES, para o crescimento sustentado do PIB, ou seja, sem grandes desequilíbrios, a taxa de investimento precisa chegar a 22%, o que seria alcançado daqui a três anos. Até lá, o crescimento e as suas sequelas precisam ser administradas. A inflação não será o vilão.
O déficit em conta corrente, estimado em US$ 63 bilhões para 2010 - 3,12% do PIB -, é o dado sensível. O Bradesco prevê que o BC vai subir a Selic em abril, puxando-a de 8,75% até 12,75%, em março de 2011, com juro real de 7,5%, menor que no ciclo anterior de alta.
Para não perder o pé
A Selic descongelada não estava nos planos do pessoal de mercado, já que não se vislumbra ameaça à inflação, e o presidente Lula não iria querer nada que embace a campanha da ministra Dilma Rousseff.
Com a economia crescendo em ritmo chinês, o panorama é outro. As importações vão aumentar mais que as exportações, e isso até pela retomada do investimento, grande demandante de bens importados.
Importante é que os juros não abortem o crescimento, o que exige grande controle fiscal pelo novo governo. Com um BC menos ativista que no passado em 2010 e um governo mais espartano que o atual em 2011, o PIB não se abala. O Bradesco prevê alta de 4% para 2011."
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